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Blog do Lorençato

Por Arnaldo Lorençato Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
O editor-executivo Arnaldo Lorençato é crítico de restaurantes há mais de 30 anos. De 1992 para cá, fez mais de 16 000 avaliações. Também comanda o Cozinha do Lorençato, programa de entrevistas e receitas no YouTube. O jornalista é professor-doutor e leciona na Universidade Presbiteriana Mackenzie

Mesa brasileira: 29 restaurantes para comer bem em São Paulo

Saiba quais são os endereços campeões e os participantes da categoria na edição especial de 30 anos de VEJA SÃO PAULO COMER & BEBER

Por Arnaldo Lorençato Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 24 set 2026, 17h22
Aniversário de um ano
Cupim de sol com purê de cará, molho de tucupi preto com mel e maxixe (Helena Rubano/Divulgação)
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Mesa brasileira: 29 restaurantes para comer bem em São Paulo Priorizar nos meus resultados Google

A cozinha brasileira é tão variada e versátil quanto o próprio país. Em VEJA SÃO PAULO COMER & BEBER, essa categoria reúne restaurantes dedicados a valorizar ingredientes, receitas e tradições de diferentes regiões do Brasil. Na edição do guia anual, que acaba de completar 30 anos, os 29 melhores endereços estão reunidos.

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Confira os vencedores e participantes estrelados:

1º Clandestina

Prato branco com comida dentro em cima de mesa de madeira
Clandestina: tiradito peruano de fatias de melancia ao molho ponzu de tucupi e ervas (Ligia Skowronski/Veja SP)

Logo nos primeiros passos da paulistana Bel Coelho em cozinhas profissionais, veio o reconhecimento de VEJA SÃO PAULO COMER & BEBER. Em 2004, quando no universo dos restaurantes os rostos femininos eram uma raridade, a cozinheira de apenas 25 anos recebeu o primeiro título de Chef Revelação criado pelo guia anual de gastronomia. De lá para cá, ela pavimentou um caminho sólido que não se resume ao fogão. Ativista por uma alimentação de qualidade, escreve livros, participa de documentários no cinema e apresenta séries de TV. Não se contenta em criar boas receitas. Mergulha na origem de matérias-primas e dá preferência aos insumos orgânicos de pequenos produtores familiares, ribeirinhos e membros de comunidades quilombolas. O país de seu caleidoscópio culinário não é estanque. Está em diálogo com outras culturas e técnicas. Essa pluralidade de olhares garante ao Clandestina projeto que começou com o Clandestino entre 2014 e 2020, nos Jardins o título de Melhor Brasileiro. Os predicados culinários afloram graças aos bons pratos elaborados por uma equipe afinada, liderada pela chef- executiva Gabriela Morais. Chamam atenção no menu o tempurá de pimenta-de-cheiro, camarão e molho picante de bacuri (R$ 54,00) e o guioza de pa- to com tucupi, salada de ervas, azeite de pimentas brasileiras e amendoim (R$ 65,00). Recheado com um mix de queijos paulistas Quina e Quark, da Queijaria Pé do Morro, o tortelli fresco e perfeitamente al dente nada em caldo de cebola caramelada, perfumado com especiarias brasileiras como puxuri, amburana e pacová, com um toque de manteiga (R$ 73,00). Livre reinterpretação da torta basca, a torta de queijo brulée com baunilha do Cerrado e calda de jabuticaba (R$ 43,00) traz um gostinho de quero mais ao fim da refeição. Polivalente, Bel também é sócia do caprichado Cuia, no térreo do Edifício Copan.

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Avaliação: ÓTIMO (✪✪✪✪)
Rua Girassol, 833B, Vila Madalena, tel. e WhatsApp 94145-9589 (50 lugares). 19h/23h (sáb. também almoço 12h30/16h; dom. só almoço 12h30/17h) Taxa de rolha (R$ 100,00). Tem acessibilidade. Aberto em 2024. $$

2º Dalva e Dito

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Uma moqueca de peixe com queijo gratinado e cheiro-verde em panela de ferro preta, sobre prato branco com borda azul. Ao fundo, tigelas com arroz branco, pirão e farofa, em mesa de madeira rústica
Filé à parmigiana: guarnecido com arroz e farofa (Ligia Skowronski/Veja SP)

Se o D.O.M. é o ateliê da cozinha brasileira autoral de Alex Atala, no Dalva e Dito o chef segue a cartilha da culinária clássica do país. A começar pelo pastel de vatapá, preparado com pão, leite de coco, castanha-de-caju e azeite de dendê, com quiabo, pimentões e pimentas dedo-de-moça e de cheiro (R$ 32,00) — é daqueles de massa pururucada e recheio deliciosamente cremoso. De prato principal, um dos melhores é o bife à parmigiana (R$ 107,00), que surge com uma casquinha dourada que envolve o filé-mignon na companhia de arroz, purê de batata e um extra muito bom: farofa. Banhado por molho ao sugo com queijo muçarela, como manda a receita, perde um pouco da crocância, mas continua muito saboroso. Seguindo uma tradição paulistana, oferece pratos do dia, como o virado à paulista das segundas-feiras (R$ 109,00). Vem numa panelinha de ferro com tutu dos bons, arroz, bisteca sem osso, linguicinha fina, banana empanada sequinha, ovo caipira de gema mole quase vermelha e, para arrematar, couve cortada fina, refogada e verdinha.

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Avaliação: ÓTIMO (✪✪✪✪)
Rua Padre João Manuel, 1115, Jardim Paulista, tel. 3068-4444 (75 lugares). 12h/15h e 19h/23h (dom. só almoço até 16h). Taxa de rolha (R$ 125,00), tem acessibilidade. Aberto em 2009. $$$

3º A Baianeira

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Costelinha de porco caramelizada com molho agridoce, servida sobre um leito de lentilhas amarelas e guarnecida com folhas verdes escuras, em um prato cinza escuro sobre uma mesa de madeira clara. Ao fundo, um pequeno prato com salada de repolho picado
Costelinha de porco: caramelada e servida com pirão de feijão (Ligia Skowronski/Veja SP)

Só existe um A Baianeira na cidade, instalado no térreo do novo Masp Pietro Maria Bardi. Explica-se. Em dezembro de 2025, a chef mineira Manuelle Ferraz pôs um ponto-final na trajetória do sobradinho da Barra Funda, onde começou a carreira solo, vendendo um ótimo pão de queijo (R$ 13,00), que nunca saiu do cardápio e agora é vendido nos cafés do museu. O restaurante foi premiado duas vezes como o Melhor Brasileiro, a última delas em 2025. É sempre inspirador para abrir o apetite o pastel do dia (R$ 22,00), que compete com a vieira com banana e calda de maracujá (R$ 46,00), uma composição instigante de doçuras num prato salgado. Chama-se duas vezes pato a combinação do peito grelhado ao ponto com arroz da própria ave assinado não por Manu, mas pela chef-executiva Paula Russo. Custa R$ 139,00. A costelinha de porco, depois de caramelada até atingir um tom dourado-escuro, ganha a companhia de pirão de feijão (R$ 79,00).

Avaliação: ÓTIMO (✪✪✪✪)
Avenida Paulista, 1510 (Edifício Pietro Maria Bardi — Anexo Masp), Estação Trianon-Masp, tel. 91107-4074 (100 lugares). 11h30/15h (sáb. e dom. até 16h; fecha seg.). Taxa de Rolha (R$ 50,00). Tem acessibilidade. Aberto em 2019. $

Confira os estabelecimentos participantes:

Altar Cozinha Afro Pop Ancestral

Em um salão compacto, a equipe continua a servir receitas como o bobó da dona aurinha do coco (R$ 28,00), o clássico creme de mandioca com camarão — tem o complemento de vinagrete, bacon e meia fatia de milho na espiga. 

Avaliação: BOM (✪✪✪)
Rua Simão Álvares, 445, Pinheiros, tel. 3034-4260 (94 lugares). 12h/23h (dom. e feriados até 19h; fecha seg. e ter.). Taxa de rolha (R$ 50,00). Tem acessibilidade. Aberto em 2023. $$

Baio Cozinha Sulista

No 23º andar do hotel  W São Paulo com um belo skyline da cidade, desfruta-se de uma cozinha do sul, concebida pelo consultor gaúcho Tuca Mezzomo (do pausado Charco). O cardápio traz tenros corações de galinha assentados em creme de cebola confitada ao vinho marsala com crocante de milho semelhante a uma tortilha, picles de maxixe e broto de ervilha (R$ 78,00). Feito com batata-doce-roxa, o nhoque ganha creme de queijo de cabra, praliné de noz-pecã e chips de tubérculos (R$ 92,00).

Avaliação: BOM (✪✪✪)
Rua Funchal, 65, 23º andar (W São Paulo), Vila Olímpia, tel. 93452- 2626 (100 lugares). 12h/15h30 e 19h/0h (dom. almoço 13h/17h). Taxa de rolha (R$ 220,00 para rótulos que não estejam na carta). Tem acessibilidade. Aberto em 2024. $$

Balaio IMS

Depois de um período de pequenas oscilações nos resultados nos últimos anos, o endereço mais requintado do chef Rodrigo Oliveira está em uma notável curva de ascensão. Chama atenção a qualidade de pratos como a carne de sol de porco berkshire grelhada na companhia de baião de dois cremoso com compota de cebola-roxa e crocante de queijo de coalho (R$ 109,00).

Avaliação: BOM (✪✪✪)
Avenida Paulista, 2424 (Instituto Moreira Salles), Estação Paulista, tel. 2842-9123 (112 lugares). 12h/16h (sex. e sáb. também jantar 19h/22h; dom. e feriados até 17h; fecha seg.). Taxa de rolha (R$ 80,00). Tem acessibilidade. Aberto em 2017. $$

Banzeiro Cozinha Amazônica

Se em 2025 a casa de culinária manauara do chef Felipe Schaedler atravessava um de seus momentos inspirados, na visita feita em 2026 os resultados se afastaram um pouco da qualidade atingida no ano anterior. O pato no tucupi (R$ 112,00), assado na brasa e servido com arroz cremoso, é regado pelo caldo amazônico diluído, quase sem intensidade. O excesso de creme de leite no arroz quase apaga o sabor da ave. Finalize com o bolo molhado de castanha-do-pará fresca (R$ 28,00). 

Avaliação: BOM (✪✪✪)
Rua Tabapuã, 830, Itaim Bibi, tel. 2501-4777 (111 lugares). 12h/15h30 e 19h/23h30 (sáb. almoço até 16h30 e jantar até 0h; dom. só almoço até 16h30). Taxa de rolha (R$ 80,00). Tem acessibilidade. Aberto em 2019. $$

Bolinha

É para comemorar. O restaurante especializado naquele que é um dos pratos mais emblemáticos da culinária brasileira chega aos oitenta anos. Por lá, todo dia é dia de feijoa da. O feijão-preto aparece em dois formatos: com tudo servido à vontade (R$ 208,70, de domingo a sexta, e R$ 258,20, aos sábados) ou a porção fixa (R$ 190,70, individual, e R$ 323,00, para dois, de domingo a sexta). 

Avaliação: BOM (✪✪✪)
Avenida Cidade Jardim, 53, Jardim Europa, tel. e WhatsApp 3061-2010 (180 lugares). 11h/16h30 (sáb., dom. e feriados até 19h). Taxa de rolha (R$ 40,00). Tem acessibilidade. Aberto em 1946. $$

Cabruca

Depois de conferir os chocolates no térreo da loja conceito da Dengo, galgue dois lances de escadas para ir ao restaurante de culinária brasileira com receitas de Sanae Mattos. A posta de pescada amarela em crosta crocante de castanha-de-caju (R$ 99,90) chega com purê de banana-da-terra de doçura natural pronunciada.

Avaliação: BOM (✪✪✪)
Avenida Brigadeiro Faria Lima, 196 (3º andar), Pinheiros, Estação Faria Lima, 91018-9842 (110 lugares). 8h/22h (seg. e ter. até 20h; dom. e feriados até 19h). Taxa de rolha (R$ 60,00). Tem acessibilidade. Aberto em 2020. $

Capim Santo

O que não falta é bossa ao restaurante da chef Morena Leite, cujas mesas se espalham por parte do exuberante jardim do Solar Fabio Prado. De uma belezura só, o peixe do dia vem coberto por uma apetitosa escama de banana (R$ 156,00). Se você é fã de feijoada (R$ 122,00), pinte por lá em um sábado para provar a versão toda separadinha em cumbucas. A chef tem ainda o Casa Capim Santo no Instituto Tomie Ohtake (Rua Coropé, 88, Pinheiros, tel. 3034-4673), com almoço e espaço de eventos.

Avaliação: BOM (✪✪✪)
Avenida Brigadeiro Faria Lima, 2705, Jardim Paulistano (Solar Fabio Prado), tel. 3032-2277 (300 lugares). 12h/15h (sáb. e dom. até 17h; fecha seg.). Taxa de rolha (R$ 70,00). Tem acessibilidade. Aberto em 1998. $$$

A Casa do Porco

Na degustação da concorrida A Casa do Porco, o chef Jefferson Rueda propõe um menu em oito etapas (R$ 348,00; R$ 617,00 com harmonização de vinhos). O cozinheiro, que é um dos mentores do reality culinário Chef de Alto Nível, faz entradas como o pudim de milho doce, completado por presunto cru, costela, caruru e cogumelo, que pode ter um sal muito evidente, e o bom tacacá com pururuca e camarão no caldo de tucupi com jambu. Pratos principais? Tem o porco sanzé, clássico da casa, desossado e assado inteiro, e a linguiça de porco caipira de produção própria com hortaliças do Sítio Rueda. As opções à la carte também reúnem novidades como o cavatelli ao molho de tomate italiano com guanciale de produção própria e parmesão (R$ 98,00).

Avaliação: ÓTIMO (✪✪✪✪)
Rua Araújo, 124, centro, Estação República, tel. 3258-2578 (50 lugares). 12h/23h (dom. até 17h). Taxa de rolha (R$ 120,00). Tem acessibilidade. Aberto em 2015. $$

Casa do Saulo Paulista

Desde o fim de julho de 2026, o restaurante fica em um casarão centenário e tombado na Rua Bela Cintra exatamente em frente à filial do Bar Brahma. O chef paraense Saulo Jennings, que tem como sócio o irmão, o médico Fabio Jennings, montou o salão onde era o quintal, com árvores como uma jabuticabeira. Começou servindo apenas almoços com pratos como a caldeirada de filhote com tucupi e jambu (R$ 139,00).

Avaliação: BOM (✪✪✪)
Rua Bela Cintra, 954, Cerqueira César, tel. 92561-1212 (150 lugares). 11h30/15h30 (sáb. e dom. 12h/17h). Aberto em 2024. $$$

Celeiro Arimbá

Um antigo galpão foi transformado no agradável restaurante da chef capixaba Angelita Gonzaga. Ali, ela serve pratos somente em três dias na semana, como a galinha caipira na panela de ferro com arroz e quiabo ou milho (R$ 156,90, para dois).

Avaliação: BOM (✪✪✪)
Rua Caio Graco, 226-A, Vila Romana, tel. e WhatsApp 93454-9337 (95 lugares). 12h/18h (fecha seg. a qui.). Taxa de rolha (R$ 55,00). Tem acessibilidade. Aberto em 2022. $

Cuia Restaurante e Bar

É um dos restaurantes da chef Bel Coelho, sócia ainda do Clandestina, na Vila Madalena. No pequeno salão e nas mesas da área externa, provam-se pratos como a versão do baião de dois feita com feijão-manteiguinha de Santarém, pimenta-de-cheiro, abóbora e linguiça artesanal (R$ 61,00), que pode ser pedida com um ovo frito (R$ 6,00) separadamente.

Avaliação: ÓTIMO (✪✪✪✪)
Avenida Ipiranga, 200, loja 48 (Edifício Copan), centro, Estação República, tel. e WhatsApp 95981-8555 (30 lugares). 10h/22h (seg. até 16h; sáb. até 23h; dom. até 17h). Taxa de rolha (R$ 80,00). Tem acessibilidade. Aberto em 2020. $$

DaSelva Culinária Pan-Amazônica

A dupla de sócios Yanna Freitas e Jorge Aguirre deu um passo e tanto com este bom representante da cozinha que chamam de pan-amazônica. Além do endereço original apertadinho, bem em frente à Biblioteca Mário de Andrade, a dupla montou um amplo e confortável salão na Vila Nova Conceição, em dezembro de 2025. O cardápio é o mesmo nas duas unidades, inclusive nos preços. A cozinha, sob a responsabilidade do chef Rafael Lopes, expede o carré de tambaqui (R$ 99,00), dourado por fora e úmido no interior. De companhia, ganha um igualmente saboroso baião de dois de feijão-manteiguinha, queijo de coalho e carne-seca desfiada mais vinagrete. Antes, vá de tacacá (R$ 42,00), preparado com um tucupi bem temperado, de um discreto picante e acentuada acidez, no qual nadam folhas de jambu, camarão de rio e goma, esta opcional. A torta de cupuaçu (R$ 25,00), recheada de brigadeiro de queijo-do-reino com geleia da fruta, é salpicada do queijo ralado. Aos sábados e domingos, serve café da manhã.

Avaliação: BOM (✪✪✪)
Rua da Consolação, 41, Consolação, Estação Anhangabaú, tel. e WhatsApp 91690-9989 (70 lugares). 11h30/22h (sáb. a partir das 8h; dom. 8h/17h; fecha seg.); Avenida Hélio Pellegrino, 204, Vila Nova Conceição, tel. 91908-9698 (124 lugares). 11h30/22h (sáb. a partir das 8h; dom. 8h/17h; fecha seg.). Taxa de rolha (R$ 50,00). Tem acessibilidade. Aberto em 2023. $

De*Segunda

Ponto de partida dos negócios do casal Gabriel Coelho e Júlia Tricate, o endereço continua a oferecer pratos instigantes criados por eles e pela equipe. Alguns precisam de uma revisão de acabamento. O steak tartare (R$ 58,00) é condimentado com pasta de amendoim, aïoli de alho negro, ciboulette e negi shio (cebolinha tostada e óleo de gergelim), cujo sabor intenso do óleo, que poderia ser usado em uma quantidade menor, acaba por empalidecer os demais ingredientes. A boa sacada é cobrir a receita com crocante de polvilho, que faz as vezes da clássica torrada. Grelhado ao ponto, como deve ser, o prime rib suíno sobre purê de grão-de-bico, mix de sementes tostadas e alface-romana tostada (R$ 105,00) vem com um excesso de pimenta-do-reino e pimenta sriracha. Júlia e Gabriel são donos ainda de dois bares e de um restaurante asiático na Vila Madalena.

Avaliação: BOM (✪✪✪)
Rua Professor Tamandaré Toledo, 160, Itaim Bibi, tel. e WhatsApp 3078-2900 (56 lugares). 12h/16h e 19h/23h (dom. só almoço; fecha ter.). Taxa de rolha (R$ 80,00). Tem acessibilidade. Aberto em 2021. $$

Fitó

As duas unidades do restaurante, tanto a de Pinheiros quanto a instalada na Pina Contemporânea, esta desde 2025, compartilham agora do mesmo cardápio. São pedidas como o caprichado vatapá de pão e amendoim assado na folha de bananeira com camarão salteado de ótima textura ao creme de bisque de camarão e leite de coco na companhia de salada de mamão verde, coco e coentro (R$ 59,00). Os cardápios levam a assinatura da chef Cafira, que teve o apoio de Mario Panezo, Chef Revelação por VEJA SÃO PAULO COMER & BEBER em 2023. 

Avaliação:
BOM (✪✪✪)
Rua Cardeal Arcoverde, 2773, Pinheiros, Estação Faria Lima, tel. e WhatsApp 99674-2745 (90 lugares). 12h/15h30 e 19h/23h15 (sáb. sem intervalo; dom. só almoço até 18h). Taxa de rolha (R$ 100,00). Tem acessibilidade; Avenida Tiradentes, 273 (Pina Contemporânea), Luz, Estação Luz, tel. e WhatsApp 99674-2745 (80 lugares). 10h/18h (fecha ter.). Taxa de rolha (R$ 150,00). Tem acessibilidade. Aberto em 2017. $$

Jesuíno Brilhante

Um sobradinho movimentado é a sede do restaurante do jornalista potiguar Rodrigo Levino, que faz do lugar uma embaixada da culinária de seu estado há uma década. Para começar, escale a porção de bolinhos de arroz-vermelho (R$ 25,00) e, na sequência, o bife ancho de sol na chapa (R$ 61,00). Trata-se de um corte alto e macio que vem com duas guarnições à escolha do freguês. Entre as opções estão o feijão-de-corda sem caldo refogado com cebola-roxa, a farofa crocante e a macaxeira cozida bem macia com manteiga de garrafa. Quem cuida da cozinha é a chef cearense Eugenia Benevenuto.

Avaliação: BOM (✪✪✪)
Rua Arruda Alvim, 187, Pinheiros, tel. 2649-3612 (45 lugares). 11h30/15h (sáb. até 16h; fecha dom.). Taxa de rolha (grátis). Aberto em 2016. $

Jiquitaia

Território de brasilidades dos irmãos Nina e Marcelo Corrêa Bastos, ela responsável pelo bar e pelo atendimento e ele focado no cardápio. A moqueca de peixe com camarão (R$ 136,00) chega com um caldo que poderia ser mais vigoroso em sabor. De parceiros, ganha farofa crocante e o arroz oficial da casa, nada do branco soltinho, mas o grudadinho ao estilo japonês, o gohan, que pode confundir desavisados, ainda que venha com um pouco de óleo e sal no preparo.

Avaliação: ÓTIMO (✪✪✪✪)
Rua Coronel Oscar Porto, 808, Paraíso, tel, e WhatsApp 3051-5638 (70 lugares). 12h/15h e 19h/22h30 (sáb. almoço até 16h; dom. só almoço até 16h; fecha seg.). Taxa de rolha (R$ 100,00). Tem acessibilidade. Aberto em 2012. $

Lena

Uma visão particular da culinária de Minas Gerais é trazida pelo chef Mário Santiago a esta casa, inaugurada há pouco mais de um ano. Clássico da culinária italiana, o macarrão com feijão (R$ 83,00) vira um ravióli aberto de porco com tomate e tutu, coberto por couve crocante e laranja mais glace de feijão-preto. 

Avaliação: BOM (✪✪✪)
Rua Doutor Virgílio de Carvalho Pinto, 98, Pinheiros, Estação Fradique Coutinho, tel. e WhatsApp 98854- 5100 (46 lugares). 11h30/16h (sáb. 12h/16h e 19h/23h; dom. e feriados 12h/16h; fecha seg.). Taxa de rolha (R$ 80,00). Tem acessibilidade. Aberto em 2025. $

Lobozó

Donos de mais um restaurante na Vila Madalena, o Sororoca, os chefs Gustavo Rodrigues e Marcelo Corrêa Bastos (também do Jiquitaia) mantêm este endereço em parceria com o sociólogo Carlos Alberto Dória. A ideia é apresentar a culinária originada no estado de São Paulo e que se irradiou para outras partes do país. Num salão simples, como jeito de comedoria de antigamente, aparecem itens como a terrina de rabada com agrião, pimentão e alho (R$ 52,00), prensada, laminada e daquelas que explodem em sabores, e a porchetta caipira aperitivo, crocante e bem sequinha, na companhia de mostarda (R$ 94,00). O frango caipira assado inteiro com recheio de lobozó de linguiça, amendoim e bacon (R$ 146,00) já não causa o mesmo entusiasmo da época da abertura, seis anos atrás. Uma das guarnições, o feijão gordo (R$ 39,00) faz jus ao nome e pode vir com excesso de gordura.

Avaliação: BOM (✪✪✪)
Rua Medeiros de Albuquerque, 436, Vila Madalena, tel. e WhatsApp 93056-2146 (50 lugares). 12h/16h30 (qui. a sáb. até 23h30; fecha ter.). Taxa de rolha (R$ 75,00). Tem acessibilidade. Aberto em 2020. $

Merenda da Cidade

É um dos restaurantes dirigidos pela chef Janaína Torres. Este bandejão convidativo funciona há três anos no espaço que sediou a primeira versão do extinto restaurante francês Marcel, quando o centro era a região mais elegante da cidade, e posteriormente foi transformado em refeitório para funcionários dos restaurantes Bar da Dona Onça e A Casa do Porco. Os pedidos são feitos em uma janelinha que se abre para a calçada. Como antigos botequins, tem como especialidade os pratos do dia. Segundas-feiras têm um clássico de São Paulo, capital e estado, o virado à paulista, com uma linda bisteca de porco dourada. As versões vegetarianas, antes resumidas a diferentes tipos de arroz com hortaliças, dispõem agora de estrogonofe de cogumelo às quartas e feijoada sem carnes aos sábados. O preço único de R$ 49,00 inclui uma salada, uma sobremesa e um suco.

Avaliação: BOM (✪✪✪)
Rua Epitácio Pessoa, 98, centro, Estação República, tel. 4210-4936 (48 lugares). 12h/16h. Tem acessibilidade. Aberto em 2023. $

Mocotó

Receitas como o macio espeto de coração de boi sobre farofinha de alho com pimenta-biquinho e coentro (R$ 29,90), releitura do anticucho peruano, estão presentes no menu na matriz, em Vila Medeiros, e na filial da Vila Leopoldina.  Maior referência de culinária do sertão nordestino, a casa, copiada em formato de negócio e em receitas como o dadinho de tapioca, chega à terceira unidade sem abandonar a identidade construída nas outras casas. No endereço da Vila Clementino, aberto em julho de 2026 (Rua Pedro de Toledo, 450, tel. 3566-3732), o chef Rodrigo Oliveira mantém pratos exclusivos, como a mandioca crocante com maionese de alho assado, queijo de ovelha curado Maratimba e flocos de pimenta-biquinho (R$ 29,90). É o caso também do ceviche porcaria, versão do prato peruano com pé de porco e torresmo no leite de tigre de tucupi, coentro e cebola-roxa (R$ 39,90), e da banda de tambaqui amazônico na brasa com acelga assada, molho de ervas amazônicas e castanha-do-pará (R$ 229,90). Também exclusiva desse endereço, a sobremesa francesa creme brûlé ganha versão nacional e é preparada com milho verde sob a casquinha de açúcar queimado (R$ 32,90).

Avaliação: BOM (✪✪✪)
Avenida Nossa Senhora do Loreto, 1100, Vila Medeiros, tel. 2951-3056 (170 lugares). 12h/23h (sex. e sáb. a partir das 11h30; dom. 11h30/17h). Taxa de rolha (R$ 60,00). Tem acessibilidade. Mais dois endereços. Aberto em 1973. $

Preto Cozinha

Sucesso de público, a casa de Rodrigo Freire tem um atraente cardápio de baianidades reinterpretadas pelo cozinheiro. São assim, por exemplo, o vinagrete de polvo sobre discos de tapioca crocante com aïoli de azeite de dendê (R$ 44,00) e o baião de camarão grelhado com feijão-fradinho, arroz, banana-da-terra, linguiça artesanal defumada, queijo coalho no molho de castanha, salada de folhas, chips de banana-da-terra e farofa de pão (R$ 104,00). 

Avaliação: BOM (✪✪✪)
Rua Fradique Coutinho, 276, Pinheiros, Estação Fradique Coutinho, tel. e WhatsApp 99345-9152 (100 lugares). 12h/15h30 e 19h/23h30 (sex. jantar até 0h; sáb. sem intervalo até 0h; dom. só almoço até 18h). Taxa de rolha (R$ 100,00). Tem acessibilidade. Aberto em 2022. $$

Restaurante Escola Da Quebrada

Almoço caprichado em sua simplicidade é o que propõe este restaurante-escola montado pelo chef Edson Leite e pela psicóloga Adélia Rodrigues, prêmio Causa Social deste ano. Os pratos são sempre em sistema rotativo. Podem aparecer por lá o lombo de porco ao molho de laranja com arroz, feijão e farofa de talos ou um penne, cozido um pouco acima, mas com um pesto misturado a abobrinha encantador (R$ 45,00 cada um). De entrada, há saladas apenas de folhas (R$ 33,35) ou de grãos (ao vinagrete de tomate-cereja, cenoura, chia e pesto de azedinha; R$ 36,30). Na sobremesa, costuma não faltar o brigadeiro de colher servido em xicrinha de café e banana tostada com canela (R$ 10,90 cada um). Há a possibilidade de pedir o combo completo por preço ainda melhor (R$ 65,30). Quem quiser pode passar só para tomar um café coado (R$ 12,00), lembrando que a casa abre às 8h. Há um bolo de chocolate (R$ 15,00) dos bem macios para acompanhar. 

Avaliação: BOM (✪✪✪)
Rua Doutor Virgílio de Carvalho Pinto, 445, Pinheiros, tel. 94732-1718 (60 lugares). 8h/16h (fecha sáb. e dom.). Taxa de rolha (R$ 45,00). Tem acessibilidade. Aberto em 2022. $

Selvagem Ibirapuera

Um dos restaurantes mais turísticos da cidade, o Selvagem Ibirapuera tem mantido um atraente padrão de qualidade graças às receitas do chef Filipe Leite. O menu contempla o nhoque de batata-doce-roxa com mix de cogumelos, alho-poró, queijo azul, creme fresco, crocante de amendoim e ervas (R$ 119,00). 

Avaliação: BOM (✪✪✪)
Avenida Quarto Centenário, 454, portão 5 (Parque Ibirapuera), tel. e WhatsApp 5198-0844 (200 lugares). 12h/16h e 19h/23h30 (sex. e sáb. 12h/0h; dom. só almoço até 17h; seg. só almoço). Taxa de rolha (R$ 90,00). Tem acessibilidade. Aberto em 2022. $$

Terraço Notiê by Priceless

Não é apenas no nome que o Notiê Priceless mudou. Aberto com uma ambiciosa proposta gastronômica cinco anos atrás, o restaurante levou o título de Melhor Brasileiro três vezes consecutivas, a última delas em 2024, graças a menus esplêndidos do paraibano Onildo Rocha, Chef do Ano em 2022. De uma forma inédita e arrojada, o cozinheiro colocou no prato biomas como a Amazônia, a Mata Atlântica e a Chapada Diamantina. Com o ingresso da Fábrica de Bares no negócio, houve uma simplificação radical, implementada neste ano, e, em consequência, o chef deixou a casa em julho. Existe um único cardápio comum aos ambientes, com exceção da sala de música. Alguns pratos, como o flã de ostras (R$ 48,00), surpreendem pela insipidez de seus complementos. Os moluscos chegam com creme de capim-limão, dill e supreme de limão sem acidez. Sai-se bem melhor a tortilha de mandioca de massa fina e delicada com tempurá de bochecha de peixe, saboroso creme de abacate, cebola-roxa e pó de pimentas brasileiras (R$ 42,00), que traz uma ótima intensidade picante. 

Avaliação: BOM (✪✪✪)
Rua Formosa, 157 (cobertura, com entrada pelo Shopping Light), Estação Anhangabaú, tel. 2853-0373 (168 lugares). 12h/23h (seg. até 15h30; qui. a sáb. até 2h; dom. 12h30/18h30). Taxa de rolha (R$ 95,00). Tem acessibilidade. Aberto em 2021. $$$

Tordesilhas

Se existe uma grande articuladora da culinária brasileira raiz modernizada, essa pessoa é a mestra Mara Salles. O duo de coxa e sobrecoxa da ave vem com a pele dourada sobre um vigoroso caldo de tucupi com jambu aromatizado com pimenta-de-cheiro, para ser saboreado com farinha-d’água.

Avaliação: ÓTIMO (✪✪✪✪)
Alameda Tietê, 489, Jardim Paulista, Estação Oscar Freire, tel. 3107-7444 (80 lugares). 19h/22h30 (sáb. também almoço 12h/16h30 e jantar a partir das 19h30; dom. só almoço 12h/16h30; fecha seg.). Taxa de rolha (R$ 100,00). Tem acessibilidade. Aberto em 1990. $$$

Vista

Repleto de turistas, o restaurante na cobertura do MAC-USP sempre apresentou uma ótima qualidade de cozinha. Na visita realizada em 2026, foi notada uma perda de fôlego culinário e alguns dos pratos acabaram deixando o cardápio. A lasanha verde de espinafre do menu executivo de quinta (R$ 98,00) veio com um ragu de cupim excessivamente gorduroso. Uma boa torta de chocolate do menu de almoço encerrou a refeição. 

Avaliação: BOM (✪✪✪)
Avenida Pedro Álvares Cabral, 1301, 8º andar (MAC-USP), Ibirapuera, tel. e WhatsApp 2658-3188 (165 lugares). 12h/16h e 19h/23h (sáb. almoço até 17h; dom. só almoço até 17h; fecha seg.). Taxa de rolha (R$ 90,00). Tem acessibilidade. Aberto em 2018. $$$

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Multidão de pessoas em protesto na rua, com prédios ao fundo, e texto UM PAÍS SE FORTALECE COM INFORMAÇÃO. À direita, texto Jornalismo de qualidade para entender o Brasil, o mundo e tomar decisões mais conscientes. veja com várias capas da revista Veja em perspectivaMultidão de pessoas de costas, com braços erguidos, em protesto numa rua urbana com prédios altos e árvores. À direita, várias capas da revista Veja sobrepostas, com manchetes e fotos de pessoas
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