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Blog do Lorençato

Por Arnaldo Lorençato
O editor-executivo Arnaldo Lorençato é crítico de restaurantes há mais de 30 anos. De 1992 para cá, fez mais de 16 000 avaliações. Também é autor do Cozinha do Lorençato, um podcast de gastronomia, e do Lorençato em Casa, programa de receitas em vídeo. O jornalista é professor-doutor e leciona na Universidade Presbiteriana Mackenzie
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Restaurantes e bares vendem vouchers para conseguir pagar contas do mês

Estabelecimentos tentam frear os efeitos negativos do coronavírus nas finanças

Por Arnaldo Lorençato Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO , Saulo Yassuda Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO , Gabrielli Menezes Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
Atualizado em 20 jan 2022, 14h10 - Publicado em 25 mar 2020, 20h20

Como manter um negócio em época de Covid-19? Essa é a pergunta que tem atordoado empresários da gastronomia. Muitos donos de restaurantes, bares e endereços de comidinhas, fechados para evitar a proliferação do novo coronavírus, têm ido além do delivery e do take away — dois caminhos possíveis que precisam de tempo de implementação e de uma resposta do cliente disposto a receber comida ou a se deslocar pela cidade.

Alguns deles replicam ações parecidas com as que estão em curso em cidades americanas como Nova York. Gaúcho radicado em São Paulo, Marcos Livi é sócio de um grupo de casas de sucesso e fez um apelo sensível em vídeo, divulgado nas redes sociais. Ele conclama seus clientes assíduos a comprar vouchers que variam de R$ 250,00 a R$ 1 000,00, com validade de um ano, para ser trocados em seus bares e restaurantes — Napoli Centrale, C6 Burger, Padoca do Brique, Verissimo e Distrito Urbano, entre outros.

A vantagem é que valem de 20% a 50% mais, ou seja, R$ 300,00 ou R$ 1 500,00, respectivamente. A compra é por telefone (tel. 98949-2006). “O problema não é agora. O retorno deve ser muito difícil”, acredita Livi, que aposta nessa postura para tentar sobreviver.

Livi: “O problema não é agora. O retorno deve ser muito difícil” (Arquivo Pessoal/Divulgação)

Outro restaurante que aderiu ao sistema com êxito é o japonês Oguru Sushi & Bar. A dupla de casas, no Jardim Paulista e no Itaim Bibi, vendeu, em quatro dias, 5 000 vouchers. Cada um deles dá direito a que duas pessoas consumam o rodízio de especialidades pelo preço de um, ou seja, R$ 119,00. “Conseguiremos arcar com os custos dos próximos trinta dias, como salários e fornecedores”, afirma o sócio Gabriel Fullen. “Estipulamos um número de cupons que não prejudique a operação quando reabrirmos.”

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A marca de cerveja Stella Artois criou o movimento Apoie um Restaurante, de funcionamento parecido. É uma plataforma (apoieumrestaurante.com.br) em que o consumidor pode comprar vouchers de R$ 50,00 para usufruir o dobro em endereços cadastrados. A diferença de preço será custeada pela própria cervejaria e por outros parceiros, como a operadora de pagamentos Stone. A expectativa é que o projeto reúna 1 000 estabelecimentos no Brasil inteiro. O grego Mytho, na Vila Nova Conceição, o peruano Imakay, no Itaim Bibi, e os variados Duas Terezas, no Jardim Paulista, e Mercearia do Conde, no Jardim Paulistano, estão entre os representantes paulistanos.

A Foodpass, que possui um site de venda de ingressos de eventos culinários, está recebendo cadastros de interessados em comercializar seus vales, entre eles a sorveteria Frida & Mina, em Pinheiros.

Sushis do Oguru: rodízio em dobro mas com antecedência (Divulgação/Divulgação)

Muitos bares têm apostado nessa alternativa para enfrentar a crise por meio de um site de vaquinhas virtuais (abacashi.com). O bar Espaço 13, na Bela Vista, oferece, entre outras, a opção de o cliente adquirir um tíquete de R$ 300,00, que dará direito a um consumo de R$ 360,00 e à participação em uma aula de degustação de gim. “Toda ajuda neste momento é bem-vinda”, diz o empresário e usuário da plataforma Luciano Ricarte Silva, do Mundibar, aberto em abril em Perdizes. “Estamos focando a equipe, que não terá mais a taxa de serviço nesse período”, diz.

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Bares de Pinheiros, caso do Pineapple e do Picco, e do centro, como o Cama de Gato, o Kraut, o Térreo e o Regô — os dois últimos com menos de um ano —, além de restaurantes como o Mandioca Cozinha, também no centro, tentam manter a sanidade do negócio pelo mesmo caminho. “Estamos muito apertados e fomos atrás de alternativas”, desabafa Luiz Felippe Mascella, do Regô, que passou ainda a vender coquetéis para viagem.

Regô: vales e outros recursos para sobreviver (Romero Cruz/Veja SP)

A velha rifa é outra medida adotada. O Guarita, ótimo endereço de drinques em Pinheiros, está vendendo a sua por R$ 55,00 via Instagram (@guaritabar) ou WhatsApp (98059-3746). Entre os prêmios, há um kit com acessórios de bar, cachaças da casa, avental e boné. O comprador tem direito a consumir um drinque e uma pizza ou um combo de hambúrguer, fritas e chá.

As cafeterias são outras que tiveram de rebolar para não deixar o movimento chegar a zero. Na KOF, em Pinheiros, a estratégia também foi a venda de vales para ser desfrutados posteriormente. Há opções de R$ 30,00, R$ 50,00 e R$ 100,00. Quem adquire o item recebe um cartão virtual numerado que pode ser usado para presentear e trocado por produtos em um futuro que, tomara, não deve estar tão longe.

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