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Blog do Lorençato Por Arnaldo Lorençato O editor sênior Arnaldo Lorençato é crítico de restaurantes há 28 anos. De 1992 para cá, fez mais de 15 000 avaliações. Também é autor do Cozinha do Lorençato, um podcast de gastronomia, e do Lorençato em Casa, programa de receitas em vídeo. O jornalista leciona na Universidade Presbiteriana Mackenzie

Restaurantes e bares vendem vouchers para conseguir pagar contas do mês

Estabelecimentos tentam frear os efeitos negativos do coronavírus nas finanças

Por Arnaldo Lorençato, Saulo Yassuda, Gabrielli Menezes Atualizado em 31 mar 2020, 10h43 - Publicado em 25 mar 2020, 20h20

Como manter um negócio em época de Covid-19? Essa é a pergunta que tem atordoado empresários da gastronomia. Muitos donos de restaurantes, bares e endereços de comidinhas, fechados para evitar a proliferação do novo coronavírus, têm ido além do delivery e do take away — dois caminhos possíveis que precisam de tempo de implementação e de uma resposta do cliente disposto a receber comida ou a se deslocar pela cidade.

Alguns deles replicam ações parecidas com as que estão em curso em cidades americanas como Nova York. Gaúcho radicado em São Paulo, Marcos Livi é sócio de um grupo de casas de sucesso e fez um apelo sensível em vídeo, divulgado nas redes sociais. Ele conclama seus clientes assíduos a comprar vouchers que variam de R$ 250,00 a R$ 1 000,00, com validade de um ano, para ser trocados em seus bares e restaurantes — Napoli Centrale, C6 Burger, Padoca do Brique, Verissimo e Distrito Urbano, entre outros.

A vantagem é que valem de 20% a 50% mais, ou seja, R$ 300,00 ou R$ 1 500,00, respectivamente. A compra é por telefone (tel. 98949-2006). “O problema não é agora. O retorno deve ser muito difícil”, acredita Livi, que aposta nessa postura para tentar sobreviver.

Livi: “O problema não é agora. O retorno deve ser muito difícil” Arquivo Pessoal/Divulgação

Outro restaurante que aderiu ao sistema com êxito é o japonês Oguru Sushi & Bar. A dupla de casas, no Jardim Paulista e no Itaim Bibi, vendeu, em quatro dias, 5 000 vouchers. Cada um deles dá direito a que duas pessoas consumam o rodízio de especialidades pelo preço de um, ou seja, R$ 119,00. “Conseguiremos arcar com os custos dos próximos trinta dias, como salários e fornecedores”, afirma o sócio Gabriel Fullen. “Estipulamos um número de cupons que não prejudique a operação quando reabrirmos.”

A marca de cerveja Stella Artois criou o movimento Apoie um Restaurante, de funcionamento parecido. É uma plataforma (apoieumrestaurante.com.br) em que o consumidor pode comprar vouchers de R$ 50,00 para usufruir o dobro em endereços cadastrados. A diferença de preço será custeada pela própria cervejaria e por outros parceiros, como a operadora de pagamentos Stone. A expectativa é que o projeto reúna 1 000 estabelecimentos no Brasil inteiro. O grego Mytho, na Vila Nova Conceição, o peruano Imakay, no Itaim Bibi, e os variados Duas Terezas, no Jardim Paulista, e Mercearia do Conde, no Jardim Paulistano, estão entre os representantes paulistanos.

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A Foodpass, que possui um site de venda de ingressos de eventos culinários, está recebendo cadastros de interessados em comercializar seus vales, entre eles a sorveteria Frida & Mina, em Pinheiros.

Sushis do Oguru: rodízio em dobro mas com antecedência Divulgação/Divulgação

Muitos bares têm apostado nessa alternativa para enfrentar a crise por meio de um site de vaquinhas virtuais (abacashi.com). O bar Espaço 13, na Bela Vista, oferece, entre outras, a opção de o cliente adquirir um tíquete de R$ 300,00, que dará direito a um consumo de R$ 360,00 e à participação em uma aula de degustação de gim. “Toda ajuda neste momento é bem-vinda”, diz o empresário e usuário da plataforma Luciano Ricarte Silva, do Mundibar, aberto em abril em Perdizes. “Estamos focando a equipe, que não terá mais a taxa de serviço nesse período”, diz.

Bares de Pinheiros, caso do Pineapple e do Picco, e do centro, como o Cama de Gato, o Kraut, o Térreo e o Regô — os dois últimos com menos de um ano —, além de restaurantes como o Mandioca Cozinha, também no centro, tentam manter a sanidade do negócio pelo mesmo caminho. “Estamos muito apertados e fomos atrás de alternativas”, desabafa Luiz Felippe Mascella, do Regô, que passou ainda a vender coquetéis para viagem.

Regô: vales e outros recursos para sobreviver Romero Cruz/Veja SP

A velha rifa é outra medida adotada. O Guarita, ótimo endereço de drinques em Pinheiros, está vendendo a sua por R$ 55,00 via Instagram (@guaritabar) ou WhatsApp (98059-3746). Entre os prêmios, há um kit com acessórios de bar, cachaças da casa, avental e boné. O comprador tem direito a consumir um drinque e uma pizza ou um combo de hambúrguer, fritas e chá.

As cafeterias são outras que tiveram de rebolar para não deixar o movimento chegar a zero. Na KOF, em Pinheiros, a estratégia também foi a venda de vales para ser desfrutados posteriormente. Há opções de R$ 30,00, R$ 50,00 e R$ 100,00. Quem adquire o item recebe um cartão virtual numerado que pode ser usado para presentear e trocado por produtos em um futuro que, tomara, não deve estar tão longe.

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