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Empresários da gastronomia fazem ações solidárias em meio à pandemia

Chefs e empresários de endereços da capital criam campanhas de auxílio a pessoas em situação de rua e profissionais da saúde

Por Saulo Yassuda Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
Atualizado em 27 Maio 2024, 18h29 - Publicado em 3 abr 2020, 06h00

No princípio, muitos donos de restaurante acreditavam ser necessário se desfazer do estoque após terem de fechar as portas abruptamente por causa da pandemia da Covid-19. “Tinha muito hortifrúti, arroz, feijão e carne”, enumera a chef Telma Shiraishi, sócia do japonês Aizomê, com duas unidades na capital.

Junto de funcionários-voluntários, ela transformou os ingredientes em marmitas que foram distribuídas na região do Paraíso. “Cheguei a contatar algumas ONGs para colaborar, mas muitas pararam”, lamenta. “Como vimos muita gente em situação desesperadora, sem-teto e crianças vendendo balas ou pedindo dinheiro, continuamos com as doações.”

Desde 18 de março vinte quentinhas são preparadas diariamente e oferecidas a indivíduos em situação de rua e a entregadores de aplicativo, que não encontram lugar aberto para se alimentar.

No centro, o casal Janaina e Jefferson Rueda, do Bar da Dona Onça e de A Casa do Porco Bar, deu outro exemplo de solidariedade: eles juntaram e vêm juntando mantimentos e produtos de higiene pessoal para fornecer a ocupações da região.

Rodrigo Oliveira: quentinhas aos vizinhos da Vila Medeiros (Divulgação/Divulgação)

Na Vila Medeiros, o chef Rodrigo Oliveira, do Mocotó, distribui refeições à população de baixa renda do bairro. Além de ter o apoio de colegas de profissão — como Paola Carosella e Paolo Lavezzini, e também de empresas como o Grupo Fasano, que doou alimentos que seriam descartados —, Oliveira conta com o auxílio de uma vaquinha virtual, com a qual garante que vai atender pelo menos 200 moradores por dia em um mês.

Não param de surgir formas de entrar na corrente. O empresário Ipe Moraes vai arrecadar, até terça (7), mantimentos não perecíveis em seu bar-restaurante Taberna 474 (Rua Maria Carolina, 474, Jardim Paulistano).

“Quem doar quatro itens e se cadastrar conosco terá 30% de desconto ao fazer um pedido por take out até o fim da quarentena”, promete. Os insumos seguirão em cestas básicas, que vão se somar a outras 350 compradas pela empresa. ONGs do Capão Redondo e de Paraisópolis serão beneficiadas.

Os donos do Isla Café, em Pinheiros, utilizarão a cozinha para produzir e oferecer marmitas a necessitados. Os interessados poderão adquirir um voucher de 20 reais no site abacashi.com.br — para cobrir os gastos de uma refeição doada a instituições e ajudar com os custos fixos do estabelecimento. “Quem comprar colaborará para a sobrevivência do Isla e também com as pessoas que precisam”, diz a chef e sócia Izadora Ribeiro Dantas.

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Os profissionais que cuidam da saúde também vêm sendo contemplados com a solidariedade de gente da gastronomia. Além de dar marmitas a guardadores de carro e moradores de rua, a chef Tatiana Szeles, do Marcha e Sai, em Higienópolis, doa diariamente o almoço a funcionários de uma farmácia vizinha. “Esse pessoal está trabalhando sem parar”, diz.

O restaurateur Paulo Sousa, do trio de casas Nou, doa, uma vez por semana, pratos a toda a equipe do Centro de Saúde de Pinheiros, o que inclui seguranças e administrativo. Na semana que vem, começa a ajudar um abrigo de sem-teto do bairro.

“Antes eu levava sanduíches à região da Cracolândia, mas fui desaconselhado a voltar lá por policiais”, diz Sousa. “Nunca falei desses trabalhos, mas vi que existe essa vontade em ajudar. Quero mobilizar outros restaurantes com mais ações.”

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