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Salve a caipirinha: manifesto pede cachaça no drinque

A mobilização em prol da cachaça recebeu apoio de donos de bares e de barmen da cidade

Por Daniel Ottaiano 17 abr 2010, 11h54 | Atualizado em 27 dez 2016, 20h43

A receita é simples: limão, açúcar e cachaça. Variações no preparo da caipirinha são comuns, mas têm causado polêmica. O manifesto “Salve a Caipirinha” pede o resgate do drinque tradicional, que deve ser feito apenas com o destilado de cana-de-açúcar, em vez da vodca ou saquê.

A campanha foi organizada pela Leblon Cachaça, produzida em Patos de Minas (MG), que tem como presidente o norte-americano Steve Luttmann e, como mestre destilador, o francês Gilles Merlet.

“Quando descobri que 60% dos consumidores brasileiros da classe alta consumiam caipirinha com vodca, para mim foi inacreditável”, diz Luttmann para explicar a razão de seu envolvimento com o manifesto. “É um programa de educação. (Os brasileiros) têm que aprender que existem cachaças boas.”

A relação do empresário com o drinque começou em 1997, quando veio visitar o país e provou a caipirinha. “Eu sou um fã de margarita e mojito. Tomei uma caipirinha e pensei: ‘Isso é muito melhor’.”

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A mobilização em prol da cachaça recebeu apoio de donos de bares e de barmen da cidade. É o caso do chileno Rodrigo Sepúlveda, que trabalha no bar do L’Entrecôte De Ma Tante. Para ele, é válida a intenção de conscientizar os brasileiros para reconhecer a caipirinha com cachaça como a bebida oficial do país. Sua sugestão é a criação de uma “denominação de origem”, como acontece com os espumantes feitos na região de Champanhe (França) ou os brandies feitos em Cognac.

Sepúlveda, no entanto, acredita no livre-arbítrio dos clientes. “Por ser um drinque polivalente, muito fácil de preparar, surgiram variações”, defende o barman. Ele explica que, normalmente, a cada dez caipirinhas pedidas em bares, cinco costumam ser de vodca, três de saquê e duas de cachaça.

Lá não é como cá

A Associação Internacional do Barmen (IBA, na sigla em inglês) já reconhece a caipirinha como um drinque clássico. O selo da organização garante que bebidas como o dry martini sejam feitas da mesma forma e com os mesmos ingredientes tanto em Londres quanto em Xangai, por exemplo. O selo também faz a fama da bebida no mundo inteiro. Esse é o princiopal argumento que Luttmann usa para focar sua campanha no Brasil, e não no exterior. “O estrangeiro toma muito mais cachaça do que o próprio brasileiro, que ainda tem esse preconceito, essa descriminação”, concorda Sepúlveda.

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O mexicano Hugo Delgado, sócio do restaurante Obá, segue a mesma linha de pensamento: “No México, não sei se já inventaram a margarita de vodca. Mas nunca vi um mexicano trocar a tequila pela vodca na hora de pedir o drinque”.

O futuro promete

Tanto Luttmann quanto Sepúlveda afirmam que a cachaça teve um grande avanço nos últimos anos, deixando de ser artesanal para se profissionalizar. “Ela pode competir com qualquer destilado de outros países”, diz o barman chileno.

Marcos Melo, dono do Bar do Melo, explica que hoje é comum ver homens de todos os níveis sociais bebendo a aguardente de cana e até mesmo “encontrar mulher tomando cachaça”.

Para não privar ninguém da versatilidade do drinque, o site da VEJA SÃO PAULO selecionou versões diferentes (entre elas, a tradicional). Confira abaixo e decida se você deseja integrar o movimento Salve Caipirinha:

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