3 bares para beber bem sem álcool em São Paulo
Saiba quais são os endereços campeões da categoria na edição especial de 30 anos de VEJA SÃO PAULO COMER & BEBER
Um copo que surpreende pelo frescor, pela textura e pela complexidade, sem uma gota de destilado. Nos bares paulistanos, os drinques sem álcool deixaram de ser a opção esquecida no fim da carta e passaram a ganhar receitas autorais, com chás, kombuchas, shrubs e fermentados.
À frente do pódio de VEJA SÃO PAULO COMER & BEBER está o Caledonia Whisky & Co., que nasceu como bar de uísques e hoje chama atenção pelas ótimas opções sem destilados.
Confira os vencedores:
Tudo começou como um bar de uísques fundado pelos nerds no assunto Maurício Porto e Guilherme Valle. Pouco a pouco, a casa se abriu mais para a coquetelaria em geral. E não é que a carta mais recente, criada pelo bartender Alison Oliveira, chamou atenção (também) pelas variações sem álcool? Algumas misturas são “reversíveis”, ou seja, podem ter ou não bebida alcoólica e se saem muito bem.
Servido numa inocente xícara de chá, o kilig (R$ 41,00) é uma mescla de chá oolong com leite, infusão de cheesecake, fermentado de morango, mix de ácidos e açúcar, coberto com “ar” de morango, uma espuma mais etérea. Tem frescor, textura e alguma doçura. Se a ideia é acrescentar vodca, o valor sobe para R$ 62,00. O chá oolong, aquele parcialmente oxidado, é também base do mono no aware (R$ 39,00), com soda de banchá e nibs de cacau, ameixa umeboshi, caramelo, suco cítrico e bitter de cacau, de toque salino. Na versão “turbinada” (R$ 62,00), recebe uísques em vez da infusão.
Além dessa lista da temporada, cujas bebidas são batizadas com nomes de sentimentos que só existem em determinados idiomas, o bar tem também uma carta “de sempre”. Dela, vale pedir o não alcoólico oliver twist (R$ 29,00), que até faz lembrar um dirty martini, mas frutado, com purê de pêssego e damasco, xarope de agave, salmoura de azeitona e sal. Na hora de comer, vá de scotch egg (R$ 25,00), ou bolovo.
Avaliação: ÓTIMO (✪✪✪✪)
Rua Vupabussu, 309, Pinheiros, ☎ 3031-0840 (65 lugares). 18h/0h (fecha dom. e seg.). Loja, 15h30/0h (fecha dom. e seg.). → Aberto em 2020.
2º Santana Bar
O pequeno grande sobrado da coquetelaria, que levou o prêmio de Melhor Bar de Drinques pelo COMER & BEBER em 2021 e 2025, exala entusiasmo dos times de bar e do salão. As criações do sócio Gabriel Santana com a equipe são sempre muito bem pensadas. A carta da temporada exibe releituras de beberiscos do passado que fizeram história e hoje são considerados datados.
Um exemplo? O hi-fi, originalmente de vodca e refrigerante de laranja, ganha uma versão abrasileirada (R$ 67,00) com rum, cachaça, soda de cajuína com limão-cravo, tangerina e guaraná, servido com um delicioso cone de bagaço das frutas. Não perca a nova cara do grasshopper (R$ 62,00), que concorreu ao prêmio de Melhor Drinque Autoral. Quase sem concorrência à altura na cidade, as receitas sem álcool chamaram a atenção. O golden dream (kombucha de maracujá, sucos de laranja-baía e de maçã, melaço, kefir e perfume de flor de laranjeira; R$ 37,00) tem um quê de salada de frutas, mas com complexidade. Com deliciosa marca de acidez, o kir (R$ 34,00) é feito com uva verde, acerola, hibisco, mel e vinagre de maçã.
Avaliação: ÓTIMO (✪✪✪✪)
Rua Joaquim Antunes, 1026, Pinheiros, ☎ e 99631-1026 (32 lugares). 18h/0h (sex. até 1h; sáb. 16h/1h; dom. 16h/22h; fecha ter.).
3º Setim
O bar nasceu com uma premissa: deixar os drinques com e sem álcool no mesmo patamar — nada de delegar as misturas 0% a uma fileira perdida no fim da carta. A proposta deu certo: o público tem preenchido os salões à meia-luz, abertos em março de 2026. Na carta, brilham misturas “moldáveis” — o mesmo coquetel pode ter ou não a adição de destilado.
Um exemplo é o tea time (chá-preto, leite de coco, cúrcuma, limão-siciliano e bitter aromático; R$ 34,00). Pode receber meia (R$ 15,00) ou uma dose de scotch (R$ 30,00) para ganhar textura e notas tostadas. Sem ele, agrada pelo efeito de batidinha. Ao mesmo tempo ardido e refrescante, o shrumble (R$ 28,00) junta chá de melissa, shrub (xarope avinagrado) de morango, limão-taiti, bitter de ruibarbo e pimenta gochugaru, e pode levar soju, destilado coreano (mais R$ 15,00 ou R$ 30,00). Há ainda clássicos revisitados para diminuir o teor, caso do paper plane to spain, com vinhos jerez, Aperol, amaro e limão-siciliano (R$ 54,00). Os pastéis de bacalhau, alho-poró e cream cheese (R$ 48,00, quatro unidades) são um bom aperitivo.
Avaliação: BOM (✪✪✪)
Rua Lisboa, 285, Pinheiros, ☎ 94703-6686 (50 lugares). 18h/0h (sex. e sáb. até 1h; dom. 16h/22h; fecha seg.). Aberto em 2026.







