Imagem Blog

Blog do Lorençato Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO

Por Arnaldo Lorençato
O editor-sênior Arnaldo Lorençato é crítico de restaurantes há 30 anos. De 1992 para cá, fez mais de 15 000 avaliações. Também é autor do Cozinha do Lorençato, um podcast de gastronomia, e do Lorençato em Casa, programa de receitas em vídeo. O jornalista é professor-doutor e leciona na Universidade Presbiteriana Mackenzie
Continua após publicidade

Projeto vai ocupar calçadas mais largas e ruas do centro com parklets

Ocupa Rua prevê mesas de restaurantes e bares do lado de fora; prefeitura exigiu vasos de concreto para proteger quem for ficar na área externa

Por Arnaldo Lorençato Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
Atualizado em 20 jan 2022, 14h32 - Publicado em 30 jul 2020, 23h47

A partir deste sábado (1º), quem passar em frente de A Casa do Porco Bar vai notar uma movimentação diferente. Não, o restaurante de cozinha brasileira ainda não foi reaberto, o que deve acontecer em duas semanas, e segue com o sistema de delivery bombando. Trata-se de uma reforma na calçada e no leito da rua em frente que permitirá que o estabelecimento ganhe lugares extras na área externa. Esse complemento do salão para o lado de fora se alinha com medidas tomadas em outras metrópoles mundo afora, como Nova York, Paris e Milão.

Croqui em frente do bar-restaurante: ponto de partida da remodelação que promete mudar o centro (Metro Arquitetos/Divulgação)

Desde o início da pandemia, a prefeitura vem estudando formas de facilitar e baratear o Termo de Permissão de Uso (TPU) de áreas públicas por meio de uma ação multidisciplinar de vários órgãos municipais, tocada pelo secretário de Desenvolvimento Urbano, Fernando Chucre. “Definimos as diretrizes, que, futuramente, poderão ser aplicadas em toda a cidade”, diz ele. Uma delas é a ocupação das calçadas mais largas, que deverão manter 1,2 metro livre de circulação para pedestres; outra, dispor de lavatórios ou totens de álcool em gel.

Passo a passo da montagem do projeto: início no centro (Metro Arquitetos/Divulgação)

O pedaço do centro colado à Praça da República, compreendido entre as ruas Major Sertório, General Jardim, Bento Freitas e Araújo, vai funcionar como balão de ensaio para quase casas que existem na região. Além de endereços badalados, como o La Guapa Empanadas e o bar Sertó, estão ali lugares mais simples, caso do pê-efe Coco Verde e da churrascaria Boi na Brasa, que existe desde 1966.

Esse piloto que começa no fim de semana, batizado de Ocupa Rua, é uma iniciativa da jornalista Alexandra Forbes com Jefferson e Janaína Rueda, de A Casa do Porco Bar e do Bar da Dona Onça, mais a Metro Arquitetos, de Gustavo Cedroni e Martin Corullon, que desenvolveu todo o projeto sem cobrar um centavo. Depois de reuniões virtuais com o prefeito Bruno Covas em maio, Alexandra passou o chapéu entre amigos e empresas para levantar 450.000 reais para executar a obra. “Queríamos fazer algo bonito e com o mesmo padrão visual. A ideia é dar aos estabelecimentos toda a obra”, enfatiza. Entre as medidas adotadas, os parklets serão nivelados à calçada com a colocação de placas metálicas e haverá pintura indicativa do passeio, assim como do leito carroçável.

Continua após a publicidade

Na lista de exigências da prefeitura estão vasos de concreto para proteger quem for ficar nas mesas da rua. São peças que, vazias, pesam entre 180 e 220 quilos e serão colocadas com a ajuda de guindastes. “Um amigo, que quer se manter anônimo, pagou por todos os vasos que já estão em produção”, conta Alexandra. Essas jardineiras serão colocadas ainda em esquinas como uma forma de controlar o trânsito. Foram acionados, sem custos, profissionais como o paisagista Marcelo Faisal para cuidar da jardinagem, que vai usar árvores e plantas da Mata Atlântica doadas por Rodrigo Ciriello, da Futuro Florestal, por Patrick Assumpção, da fazenda Coruputuba, e por Alexandre Vicintim, da Fábrica de Árvores, além de hortaliças e ervas cedidas por Rodrigo Rivellino, do sítio KM 75.

+Assine a Vejinha a partir de 6,90

A área foi dividida em três setores, cada um com patrocinador. “A divisão do projeto por trechos visa a não bloquear todas as ruas ao mesmo tempo com as reformas”, explica Cedroni. Na Rua General Jardim e entorno, onde está A Casa do Porco Bar, a remodelação é bancada pela Heineken. Junto ao Copan, que ainda aguarda a aprovação do síndico por se tratar de um edifício tombado, o uísque Johnnie Walker vai pôr a quantia necessária. É ali também que será inaugurada a livraria Megafauna, de Fernanda Diamant, onde será instalado um café com consultoria de Bel Coelho. Ainda em fase de assinatura, o Magazine Luiza (Magalu) deve assumir os endereços da Rua Major Sertório.

Continua após a publicidade
(Veja SP/Veja SP)

Além de A Casa do Porco Bar, na General Jardim serão contemplados o JazzB, a Escola da Cidade, o Bar e Lanches JK, a Lanchonete e Restaurante da Cidade (Xangô), o Z Deli, a Pratada e a Aliança Francesa, onde há uma filial da Pâtisserie Douce France (fechada no momento), além de Minas Chic 3, Freitas Beer, Berton Grill e Boi na Brasa na Rua Bento Freitas. “Quando A Casa do Porco reabrir, na segunda semana de agosto, a gente vai fazer tudo para evitar aglomeração na rua. Teremos uma cartilha educativa e pessoas que vão nos ajudar para que os clientes não fiquem próximos”, adianta Janaína Rueda. “Atendíamos entre 15.000 e 16.000 clientes por mês e tivemos um prejuízo imenso”. Os cuidados com o retorno são tantos que Janaína, que já pôs em funcionamento o Bar da Dona Onça, opera com 30% da capacidade, 10% menos do que o permitido por lei.

Vasos que ficarão na rua e na calçada: divisórias e proteção (Metro Arquitetos/Divulgação)

No momento, há tratativas com Churcre e membros de outras secretarias para estender o piloto ao Itaim Bibi. O projeto do centro é o ponto de partida para que estabelecimentos gastronômicos tenham uma chance extra de sobrevivência. E uma possibilidade de colocar as pessoas na rua, no espaço que é de todos, ao mesmo tempo que ajuda a restringir a circulação de carros.

Publicado em VEJA SÃO PAULO de 05 de agosto de 2020, edição nº 2698.  

+ ASSISTA A LORENÇATO EM CASA

 

Publicidade

Essa é uma matéria fechada para assinantes.
Se você já é assinante clique aqui para ter acesso a esse e outros conteúdos de jornalismo de qualidade.

Para curtir o melhor de São Paulo!
Receba VEJA e VEJA SP impressas e tenha acesso digital a todos os títulos Abril.
Impressa + Digital no App
Impressa + Digital
Impressa + Digital no App

Informação de qualidade e confiável, a apenas um clique.

Assinando Veja você recebe semanalmente Veja SP* e tem acesso ilimitado ao site e às edições digitais nos aplicativos de Veja, Veja SP, Veja Rio, Veja Saúde, Claudia, Superinteressante, Quatro Rodas, Você SA e Você RH.
*Para assinantes da cidade de São Paulo

a partir de R$ 39,90/mês

PARABÉNS! Você já pode ler essa matéria grátis.
Fechar

Não vá embora sem ler essa matéria!
Assista um anúncio e leia grátis
CLIQUE AQUI.