Arte do petisco: 3 endereços para provar os melhores salgados de SP
Saiba qual é o endereço participante da categoria na edição especial de 30 anos de VEJA SÃO PAULO COMER & BEBER
Verdadeira instituição da boemia paulistana, o petisco ganhou na cidade uma identidade própria, resultado da clássica cultura de boteco misturada à criatividade dos nossos balcões.
Se durante anos reinaram as porções triviais feitas apenas para acompanhar o chope, agora, conquistam o paladar as pequenas mordidas elaboradas, que elevam a comida de bar a uma verdadeira experiência gastronômica, cheia de técnica e sabor.
Em VEJA SÃO PAULO COMER & BEBER, essa tradição de compartilhar bons momentos é defendida com maestria por um endereço que se consolidou como o grande sinônimo de excelência na hora de beliscar.
No guia anual, que acaba de completar 30 anos, brilha o representante da categoria, provando que, para forrar o estômago em alto nível e com personalidade, basta conhecer o lugar certo.
Confira o vencedor, segundo e terceiro colocados:
Telefone sem fio (Bodega Pepito)
O chef Oscar Bosch, que atrai multidões no Bodega Pepito desde a abertura, em dezembro de 2025, costuma dizer que o bar-restaurante tem um pé nos botecos brasileiros e o outro nas bodegas espanholas. Mas, com receitas cosmopolitas, as influências passam ainda por tascas portuguesas, osterias italianas, casas de mezes libanesas… Sagaz, o cozinheiro (sócio também dos endereços Tanit, Nit, Cala del Tanit, Mooi Mooi e Marmotta Pasta Bar) faz um delicioso bocado apelidado de telefone sem fio (no cardápio está o telefono, mas o chef catalão jura que se fala em português).
Trata-se do casamento do bolinho de arroz italiano com o steak tartare. Os famosos arancini, aqui de risoto de açafrão, são achatados e fritos até ficarem dourados e crocantes. Por cima dessa base pelando, vai uma colherada de filé-mignon cru picadinho com gema, mostarda, alcaparra e pimentas. Um chuvisco de queijo Tulha ralado arremata o canapé (que é diferente do acepipe romano, o supplì al telefono, no qual a muçarela vai na massa de arroz e estica como um fio).
Com uma bela confluência de sabores, texturas e temperaturas, o bocado (R$ 48,00 a dupla) leva o prêmio de Melhor Petisco de 2026 por VEJA SÃO PAULO COMER & BEBER. O menu permite seguir nos ótimos beliscos ou partir para pratos, como o cordeiro desfiado crocante com coalhada de ovelha, azeite de zátar e fritas fininhas por cima (R$ 92,00). Sempre animado, o público acompanha as refeições com cerca de cinquenta rótulos de vinhos e chope Heineken (R$ 20,00).
Avaliação: BOM (✪✪✪)
Rua dos Pinheiros, 320, Pinheiros, ① Fradique Coutinho, ☎ 94313-1569 (60 lugares). 12h/15h e 18h/23h30 (sex. até 0h; sáb. sem intervalo até 0h; dom. 12h/17h; fecha seg. ). Rolha (R$ 120,00) Tem acessibilidade. Aberto em 2025.
2º Acelga na brasa (Jiboia)
Em um bar pequeno e de decoração simples — uma pintura de serpente percorre as paredes —, a cozinha é o chamariz. Com experiência de cinco anos no Jiquitaia e outros cinco no extinto Epice, José Roberto Félix Jr. , um dos sócios do bar, é quem cuida do menu enxuto. Chama a atenção em particular uma receita vegetariana cheia de sabor: a acelga na brasa com missô e farofa de milho (R$ 31,00).
As folhas da verdura passam pela brasa até ficarem com as bordas levemente chamuscadas e recebem um molho delicado de pasta de soja fermentada com vinagre de arroz, que a eleva a um novo patamar de sabor. Para arrematar com um pouco de textura, é disposta sobre a verdura uma farofinha feita com uma boa farinha de milho em flocos trazida de Lindoia (SP).
O mesmo complemento pode ser uma guarnição de espetos como o de coração de frango ao curry (R$ 18,00). Drinques clássicos e bem brasileiros, como o caju-amigo (R$ 40,00), fazem parte do programa.
Avaliação: BOM (✪✪✪)
Rua Barão de Tatuí, 390, Santa Cecília. Não tem telefone (40 lugares). 18h/23h (sáb. a partir das 12h; dom. 12h/16h30; fecha seg. e ter. ). Rolha (R$ 50,00). Aberto em 2026.
3º Batatonese de polvo (Curado)
Mesmo repleto de referências a botequins, o Curado tem cardápio e ambiente de fino trato. Aberto em janeiro de 2026, virou queridinho do público da Faria Lima acima dos 30 anos. Um dos porquês é a lista de receitas do chef-executivo Filipe Duarte, que prepara uma delicinha chamada batatonese de polvo (R$ 89,00).
Sobre o prato, são dispostas a salada de batata com maionese (“receita da minha mãe”, diz o cozinheiro), pedaços de polvo ao vinagrete (“a ‘proteína’ com que eu mais trabalhei na vida”), batata (de novo) em purê e em cubinhos cozidos, mais maionese, picles de salsão e de cebola, azeite verde e um ovo frito com a gema cremosa e amarelona por cima.
Com auxílio de um garfo e uma colher, o garçom mistura tudo, fazendo um amálgama que não é exatamente estético, mas fresquinho no paladar. É a nova versão dos ovos mexidos dos bares de tapas espanhóis, mas mais incrementada. À moda dos pés-sujos, os visitantes bebericam cerveja em cascos de 600 mililitros (desde R$ 22,00) e drinques como o sofia na bahia (R$ 48,00), de cachaça, seriguela, gengibre e especiarias.
Avaliação: BOM (✪✪✪)
Rua Professor Carlos de Carvalho, 113, Itaim Bibi, ☎ 94120-2280 (135 lugares). 17h/23h (sáb. a partir das 12h; fecha dom. e seg. ). Tem acessibilidade. Aberto em 2026.







