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Blog do Lorençato Por Arnaldo Lorençato O editor sênior Arnaldo Lorençato é crítico de restaurantes há 28 anos. De 1992 para cá, fez mais de 15 000 avaliações. Também é autor do Cozinha do Lorençato, um podcast de gastronomia, e do Lorençato em Casa, programa de receitas em vídeo. O jornalista leciona na Universidade Presbiteriana Mackenzie

Comer & Beber 2020: Jiquitaia leva prêmio de melhor restaurante brasileiro

Depois de quase uma década no ponto original da Consolação, os irmãos Marcelo e Nina Bastos levam a casa de culinária nacional para outro endereço

Por Arnaldo Lorençato 19 nov 2020, 20h42

Pode botar reparo. Em novo endereço, o Jiquitaia virou Jiquichique. Os irmãos e sócios Marcelo Corrêa Bastos e Nina Bastos marcaram um golaço ao transferir o restaurante, do sobradinho onde existiu por quase uma década na Consolação e onde continua o delivery da marca.

O novo ambiente, numa residência da década de 50 no Paraíso, é decorado com belas fotos e cestaria de índios baniuas pendendo do teto como luminárias. Mas o protagonismo é da cozinha, que ocupa o espaço desse cômodo mais um pátio que existia dividindo a casa.

Comer & Beber 2020/2021 - Restaurantes - Brasileiro - Jiquitaia
Anchova inteira: ideal para ser partilhada Ligia Skowronski/Veja SP

Ali, o chef pôde realizar um antigo sonho: trabalhar com pratos na grelha. Chega repleta de sabor e com um irresistível aroma de defumado a acelga posta no calor das brasas com manteiga (R$ 36,00). Beneficia-se ainda da acidez de um vinagrete com limão e de um cheiro de mar de bottarga ralada. No churrasco de coração de boi (R$ 35,00) pode-se dizer que a inspiração nem é tão brasileira. “Gostei muito de um espetinho que comi na Kantuta”, entrega o chef, sobre a feira de cozinha boliviana onde encontrou uma senhora peruana que fazia a pedida.

Na verdade, ele vai desenhando uma cozinha nacional moderna que incorpora os elementos de novos imigrantes, representantes de países como Bolívia, Peru e outras nações latinas. As lâminas marinadas em salmoura com cominho, pimenta e alho são ladeadas por cambuquira de chuchu e molho picante.

Melhor ainda é a seleção de peixes pequenos e inteiros, como carapau, pargo e a anchova da foto acima. Para dois paladares, qualquer um desses pescados de pele tostada e carne úmida custa R$ 140,00 e vem acompanhado de arroz cateto polido, usado por restaurantes japoneses, mas temperado com alho e sal.

Comer & Beber 2020/2021 - Restaurantes - Brasileiro - Jiquitaia
No salão, o cozinheiro expede agora pratos preparados na grelha Ligia Skowronski/Veja SP

Até o prato assinatura de Corrêa Bastos foi parar na churrasqueira. Seu famoso arroz de pato no tucupi (R$ 70,00) tem o peito da ave finalizado no calor do carvão. Na sobremesa, dê um ponto-final à gula com a torta de mandioca com calda de abacaxi e sorvete de leite (R$ 19,00). Por enquanto próximo à cozinha, o bar, de responsabilidade de Nina — autora de ótimos drinques, como o mandasour (R$ 27,00), que tira partido da cremosidade do mate na mistura de cachaça envelhecida em jaqueira, mel de mandaçaia e limão —, vai descer para o subsolo, que ainda funcionará como espera.

O cozinheiro aguarda o retorno do restaurante Vista, na cobertura do Museu de Arte Contemporânea da USP, do qual também é titular e para onde pode ir caminhando do Jiquitaia. Por lá, dará expediente no jantar.

Jiquitaia
Rua Coronel Oscar Porto, 808, Paraíso, tel. 3051-5638

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