Com Marina Person, filme ‘Isabel’ leva bares de vinho de SP a Festival de Berlim
O longa dirigido por Gabe Klinger, filmado na capital paulista e que aborda o universo dos rótulos naturais, integra a programação do Berlinale
O universo particular dos bares de vinho de São Paulo virou filme. Isabel, com previsão de ocupar as salas do país no segundo semestre, terá sua estreia no Festival Internacional de Cinema de Berlim ainda em fevereiro, selecionado para a mostra Panorama.
Protagonizada por Marina Person, esta é a primeira produção que o paulistano Gabe Klinger, que tem no currículo o documentário Double Play (2013) e o longa de ficção Porto (2016), dirigiu no Brasil.
A nova obra presta uma homenagem à capital paulista e a quem dedica a vida à bebida. “Os projetos e espaços mais interessantes de vinho no país são liderados por mulheres”, observa o realizador. “E são mulheres descoladas, não aquela caretice que a gente espera do mundo do vinho.”
Isabel, papel-título de Marina, é uma sommelière que seleciona os rótulos de um restaurante estrelado, tocado por um chef bamba, vivido pelo ator Marat Descartes. Em crise no trabalho, a amante da uva branca peverella — queridinha de produtores naturais — decide empreender e abrir um bar de vinhos que vai nessa linha.
“O que a personagem passou no filme são coisas que passo como diretor”, acredita Gabe, que rodou o título “com um orçamento abaixo do normal”. A fita foi produzida pela RT Features, de Rodrigo Teixeira, a mesma de Ainda Estou Aqui.
Acostumada mais a trabalhar nos bastidores, Marina foi seduzida pelo convite do diretor de estrelar o longa, que tem no elenco, ainda, nomes como John Ortiz, Clarisse Abujamra e Caio Horowicz.
Outra razão para o “sim” foi o fato de a cineasta ser amante de vinhos de baixa intervenção (“um caminho sem volta”, ela diz), assim como Gabe. Não é raro vê-la em feiras da bebida ou a brindar em bares. Com essa bagagem, Marina colaborou com Gabe no roteiro. “É também sobre alguém com 50 anos de idade em crise de existência, repensando a vida inteira”, resume.
O realizador filmou o projeto em película de 16 milímetros, o que resulta numa estética sem a nitidez do digital. “Vem com essa textura especial, tem poeirinha, imperfeições”, explica. “É a analogia perfeita para falar sobre vinhos artesanais, que às vezes apresentam imperfeições.”
Ele não nega ter São Paulo Sociedade Anônima (1965), filme de Luiz Sergio Person (1936-1976), pai de Marina, como uma das referências. “Ele (Person) não esconde nada”, elogia Gabe. “Por outro lado, tem filme que tenta esconder o caos da cidade, a sujeira. O legal pra mim é deixar tudo isso aparente.”
Isabel mostra metrô, vila residencial, skyline do centro… Estabelecimentos reais também servem de cenário, como a adega do restaurante Clos, na Vila Madalena. O salão do Esther Rooftop, na República, foi transformado no endereço sofisticado onde a personagem-título trabalhava.
O boteco de vinhos Casa Tão Longe, Tão Perto, da sommelière Gabriela Monteleone, na Barra Funda, funciona de locação para um encontro de mulheres (reais) do vinho, como a sommelière Gabrielli Fleming (Cepa), a professora Alexandra Corvo (Ciclo das Vinhas) e a consultora Patricia Brentzel.
Premiada três vezes pelo guia COMER & BEBER, a Sede261 vira o bar montado pela protagonista, chamado de Os Rejeitados, na ruazinha de paralelepípedos onde o público se senta para beber. “Eu já frequentava muito”, revela o diretor.
Tocado pelo casal de sommelières Cassia Campos e Daniela Bravin, o barzinho em Pinheiros, assim como Os Rejeitados, começou “na raça”, numa garagem, e foi acontecendo. “A gente se viu um pouco no filme”, confidencia a especialista em vinhos Daniela. “Já tinha passado da hora de sommelier ter esse protagonismo”, opina. “Para chegar nesse lugar, tem muito perrengue.”
Publicado em VEJA São Paulo de 30 de janeiro de 2026, edição nº 2980.
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