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Onze transformações que aconteceram em São Paulo no último século

Das corridas noturnas da São Silvestre às mudanças em suas marginais, a metrópole está sempre em mutação; confira a seleção histórica

Por Sérgio Quintella Atualizado em 21 jan 2022, 10h40 - Publicado em 21 jan 2022, 06h00

Corrida de São Silvestre à noite

Entre 1925 e 1988, a tradicional e última corrida de rua do ano foi realizada no período noturno. A prova, uma das mais importantes da América do Sul, passou a ocorrer à tarde por determinação da Federação Internacional de Atletismo e para facilitar as transmissões pela TV.

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Outras mudanças ao longo das décadas foram os trajetos, que se expandiram além do centro, e a distância que deveria ser percorrida pelos atletas, amadores e profissionais. No início, a competição tinha apenas 8 quilômetros de extensão, contra os 15 quilômetros atuais.

Imagem mostra multidão de pessoas correndo em avenida.
Vista aérea da São Silvestre. Jorge Rosenberg/Divulgação

Interlagos sem alambrados

Inaugurado em 12 de maio de 1940, o Autódromo de Interlagos foi reformado em 1971 para poder receber o GP Brasil de Fórmula 1 no ano seguinte. Entre 1981 e 1989, o local deixou de abrigar a prova, realizada no Rio de Janeiro, mas recuperou o posto em 1990 e não o perdeu mais.

Com o nome oficial de José Carlos Pace, em homenagem ao piloto, que morreu em 1977, o autódromo foi palco de grandes vitórias de brasileiros na categoria, como as de Emerson Fittipaldi (1973 e 1974), Pace (1975), Ayrton Senna (1991 e 1993) e Felipe Massa (2006 e 2008).

Imagem mostra carros de corrida em pista, à direita, e multidão atrás de barreira de madeira, à esquerda,
Interlagos sem alambrados. A Saga dos Fittipaldi/Panda Books/Divulgação

Manequinho histórico

Com 48 000 metros quadrados, o Viveiro Manequinho Lopes, anexo ao Parque Ibirapuera, foi criado em 1928, oito anos depois de a prefeitura comprar um terreno pantanoso, que abrigara aldeias indígenas no início da colonização. O espaço, de 1,5 milhão de metros quadrados, se tornaria o principal parque da metrópole.

Em 1933, os responsáveis pelo projeto do parque pediram a retirada do viveiro. O então diretor da Divisão de Matas da gestão municipal, Manoel Lopes de Oliveira Filho, falou diretamente com o prefeito Fábio Prado e conseguiu reverter a situação. Morto cinco anos depois, Manequinho Lopes, como era conhecido, deu nome ao local.

Imagem mostra campo com caixa d'água branca alta e uma estrutura ao fundo.
O Viveiro Manequinho Lopes. Secretaria do Verde e Meio Ambiente/Divulgação

Uma Avenida Rebouças rural

Quem trafega pelos 4 quilômetros da avenida depara com grandes e suntuosos edifícios em fase final de construção, mas nem sempre foi assim. Até a metade da década de 30, a via era de terra e limitava-se a ser uma passagem rural.

O nivelamento, asfaltamento e alargamento da Rebouças ocorreu a partir de 1935. Cinco anos depois, com a construção da Avenida Eusébio Matoso, sua continuação, a Rebouças passou a ficar mais movimentada.

O professor que encarna o Pikachu na Liberdade: “Já consegui tirar 9 000 reais” | VEJA SÃO PAULO (abril.com.br)

Homenageia o engenheiro André Rebouças, que participou da Guerra do Paraguai e foi responsável pelo projeto da estrada de ferro que vai de Curitiba ao litoral paranaense, no século XIX.

Imagem em preto e branco mostra rua, ao centro, com dois carros trafegando. À direita da rua, mato, à esquerda, casas.
Rebouças no sentido Centro. Benedito Junqueira Dua/Divulgação

Horizonte no Rio Pinheiros

Primeiramente chamado de Jurubatuba (lugar com muitas palmeiras jerivá, em tupi), o Rio Pinheiros ganhou esse nome em 1560. Na época, os jesuítas criaram um loteamento indígena em sua margem ainda bucólica.

A partir do século XX, o local passou a ser modificado, com a chegada de imigrantes japoneses e italianos. O curso do rio começou a ser modificado em 1940, com o intuito de reduzir as inundações e para a construção da atual via expressa Marginal Pinheiros.

Imagem em preto e branco mostra rio entre margens de grama.
Leito do Rio Pinheiros, fotografia do livro “Transformações Urbanas: São Paulo 1893-1940”, da Fundação Energia e Saneamento. Fundação Energia e Saneamento/Divulgação

Casa de show em Pinheiros

Foram dezenove anos de existência e muita balada para o público jovem paulistano, que foi envelhecendo e sendo renovado. Localizado próximo ao Largo da Batata, na Rua Miguel Isasa, o AeroAnta era uma mistura de restaurante, bar, danceteria e casa de shows.

Pelo seu palco passaram artistas como Cazuza, Joe Satriani, Raimundos, Marisa Monte, Tim Maia, Ira!, entre muitos outros.

Imagem mostra desenho de anta com um chapéu e o nome, embaixo,
O logo do espaço. Matéria Veja São Paulo/Reprodução

Ficava na Rua Fidalga, 32

Um dos primeiros bares da Vila Madalena, o Fidalga 33 tinha shows ao vivo de estilos que variavam a cada dia. Subiram ao palco bandas como Tihuana e CPM 22, de grande sucesso no início do século. O local também era aberto a exposições artísticas.

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Entre as principais bebidas da casa se destacava o “foguinho”, que era servida pegando fogo e era feita com conhaque e licor de café. Fechou as portas na década passada.

Imagem mostra cartaz preto escrito
A fachada do bar. Matéria Veja São Paulo/Reprodução

Pré-Faria Limer

O Shopping Iguatemi, inaugurado em 28 de novembro de 1966, é o primeiro centro de compras do Brasil. O espaço foi idealizado pelo construtor Alfredo Mathias e erguido em um terreno que abrigava uma chácara da família Matarazzo.

Na época, a elite paulistana viu a empreitada com desconfiança, pois estava acostumada a fazer compras na Rua Augusta, não em um local fechado. O shopping ganhou esse nome porque era instalado na rua de mesmo nome, mas parte desse logradouro foi incorporada à Avenida Brigadeiro Faria Lima, seu atual endereço

Imagem mostra espaço enorme com carros estacionados à frente. Ao fundo, prédios.
Iguatemi: o primeiro centro de compras do país. Matéria Veja São Paulo/Reprodução

A Concha Acústica do Pacaembu

Ela nasceu junto com o estádio, em 1940, e serviu como palco para inúmeras apresentações musicais e culturais. Seu formato também provocava um efeito acústico com o canto das torcidas durante os jogos no local.

Em 1970, a concha acústica deu lugar a um monumento que também não existe mais, o tobogã. Projetado pelo arquiteto Arnaldo Martino, essa arquibancada vai dar lugar a um edifício comercial que ficará ao lado do campo.

Imagem mostra jogadores de futebol em gramado. Ao fundo, uma estrutura branca.
Imagem do jogo de inauguração do Pacembu: Palmeiras contra Coritiba. Matéria Veja São Paulo/Reprodução

A nata paulistana

Nenhuma outra casa noturna da cidade era tão requisitada nas décadas de 80 e 90 quanto o Gallery. Localizada na Rua Haddock Lobo, nos Jardins, a badalada balada recebia personalidades como Pelé, Ayrton Senna e Luiza Brunet. Foi lá, em 1983, que a revista Playboy fez a festa de lançamento da edição com Xuxa na capa.

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Inaugurada em 1979 por José Victor Oliva, Gugu di Pace, José Pascowitch e Giancarlo Bolla, a boate entrou em decadência na segunda metade dos anos 90. Em 2000, realizou uma luta de boxe entre Maguila e Daniel Frank. Fechou as portas definitivamente em 2007.

Imagem mostra dois homens e uma mulher sentados em uma mesa, conversando.
A noite no Gallery. Victor Oliveira/Divulgação

As águas passadas do Tietê

Quem passa pela Marginal Tietê e vê as águas ora marrons, ora negras pode não imaginar que há algumas décadas o leito do rio era navegável e seu entorno, arborizado. Nas águas paulistanas do velho Tietê, eram comuns competições de esportes náuticos, como remo e natação.

O traçado do rio começou a ser modificado na década de 30, quando ele perdeu seu caráter sinuoso e passou a dar espaço às pistas das atuais marginais. A primeira parte da via ia da Ponte das Bandeiras à da Vila Maria. O último trecho, entre a Ponte Aricanduva e a divisa com Guarulhos, ficou pronto em 1977.

Imagem mostra estrada ao lado de rio, curvilíneo.
Vista aérea da Marginal Tietê. Jussi Lehto/Divulgação

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Publicado em VEJA São Paulo de 26 de janeiro de 2022, edição nº 2773

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