Avatar do usuário logado
Usuário

Covid: Secretários de Saúde pedem toque de recolher nacional

Para o Conass, país deve fechar escolas, bares e praias e criar um Plano Nacional de Comunicação para alertar a população sobre a gravidade da crise

Por 1 mar 2021, 17h13 | Atualizado em 5 jun 2026, 06h50
carlos lula fala ao microfone utilizando máscara
Carlos Lula, secretário de saúde do Maranhão e presidente da Conass, demanda do governo ações mais duras no combate à Covid-19 no Brasil (Reprodução/Instagram/Divulgação)
Continua após publicidade
Covid: Secretários de Saúde pedem toque de recolher nacional Priorizar nos meus resultados Google

O presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), Carlos Lula, divulgou nesta segunda-feira (1º) uma carta com sugestões de medidas urgentes contra o iminente colapso das redes pública e privada de saúde diante do aumento dos casos de Covid-19 no Brasil.

O documento menciona que o país vive o pior momento da pandemia, com altos números de mortes e infecções em todas as regiões do país e que há a falta de uma condução nacional unificada e coerente de reação à pandemia.

Por isso, a Conass propõe algumas medidas que, segundo ela, deveriam ser tomadas, como proibição de eventos presenciais – inclusive atividades religiosas, consideradas essenciais em São Paulo em decreto assinado por Doria nesta segunda -, suspensão de aulas presenciais em todo o país, adoção de toque de recolher nacional, fechamento de bares e de praias, ampliação de testagem e acompanhamento dos infectados e adoção de maiores barreiras sanitárias para impedir o avanço do vírus.

A instituição sugeriu, no documento, a criação de um Plano Nacional de Comunicação para esclarecer a população sobre a gravidade da situação no país. Também demandou mais vacinas, o retorno do auxílio emergencial, o reconhecimento legal do estado de emergência sanitária e a viabilização de recursos extraordinários para o SUS.

A carta é publicada no momento em que o país enfrenta o momento mais crítico da pandemia até o momento, em que diversos estados estão à beira de um colapso ou já colapsaram seus sistemas de saúde. 

A circulação de novas variantes pelo país conjuntamente com relaxamentos de medidas de distanciamento social contribuíram para a segunda onda que aflige o país atualmente. O presidente Jair Bolsonaro criticou o uso de máscaras em live na última semana e provocou aglomerações. Ainda ameaçou governadores com corte de repasse de verbas no caso de adoção de medidas mais severas contra a circulação de pessoas.

Continua após a publicidade

Em resposta a Bolsonaro, no domingo (28), 45 entidades médicas também divulgaram um apelo pedindo ação contra o agravamento da pandemia. No texto, as associações defendem o uso de máscaras: “direcionamentos contrários (ao uso das máscaras) desconstroem, confundem e agravam a situação do país”.

Nos últimos dias, os governadores também reagiram contra o governo federal. Em uma carta aberta, 19 governadores responderam a uma postagem do presidente sobre repasses de verba. Os líderes estaduais também se mobilizam para comprar vacinas independentemente da União.

Íntegra do posicionamento da Conass

Veja o documento na íntegra abaixo:

“CARTA DOS SECRETÁRIOS ESTADUAIS DE SAÚDE À NAÇÃO BRASILEIRA

O Brasil vivencia, perplexo, o pior momento da crise sanitária provocada pela COVID-19. Os índices de novos casos da doença alcançam patamares muito elevados em todas as regiões, estados e municípios. Até o presente momento, mais de 254 mil vidas foram perdidas e o sofrimento e o medo afetam o conjunto da sociedade.

Continua após a publicidade

A ausência de uma condução nacional unificada e coerente dificultou a adoção e implementação de medidas qualificadas para reduzir as interações sociais que se intensificaram no período eleitoral, nos encontros e festividades de final de ano, do veraneio e do carnaval. O relaxamento das medidas de proteção e a circulação de novas cepas do vírus propiciaram o agravamento da crise sanitária e social, esta última intensificada pela suspensão do auxílio emergencial.

O recrudescimento da epidemia em diversos estados leva ao colapso de suas redes assistenciais públicas e privadas e ao risco iminente de se propagar a todas as regiões do Brasil. Infelizmente, a baixa cobertura vacinal e a lentidão na oferta de vacinas ainda não permitem que esse quadro possa ser revertido em curto prazo.

O atual cenário da crise sanitária vivida pelo país agrava o estado de emergência nacional e exige medidas adequadas para sua superação. Assim, o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS) manifesta-se pela adoção imediata de medidas para evitar o iminente colapso nacional das redes pública e privada de saúde, a saber:

  1. a) Maior rigor nas medidas de restrição das atividades não essenciais, de acordo com a situação epidemiológica e capacidade de atendimento de cada região, avaliadas semanalmente a partir de critérios técnicos, incluindo a restrição em nível máximo nas regiões com ocupação de leitos acima de 85% e tendência de elevação no número de casos e óbitos. Para tanto, são necessárias:

  • A proibição de eventos presenciais como shows, congressos, atividades religiosas, esportivas e correlatas em todo território nacional;
Continua após a publicidade
  • A suspensão das atividades presenciais de todos os níveis da educação do país;
  • O toque de recolher nacional a partir das 20h até as 6h da manhã e durante os finais de semana;
  • O fechamento das praias e bares;
  • A adoção de trabalho remoto sempre que possível, tanto no setor público quanto no privado;
  • A instituição de barreiras sanitárias nacionais e internacionais, considerados o fechamento dos aeroportos e do transporte interestadual;
Continua após a publicidade
  • A adoção de medidas para redução da superlotação nos transportes coletivos urbanos;
  • A ampliação da testagem e acompanhamento dos testados, com isolamento dos casos suspeitos e monitoramento dos contatos;

 

  1. b) O reconhecimento legal do estado de emergência sanitária e a viabilização de recursos extraordinários para o SUS, com aporte imediato aos Fundos Estaduais e Municipais de Saúde para garantir a adoção de todas as medidas assistenciais necessárias ao enfrentamento da crise;
  2. c) A implementação imediata de um Plano Nacional de Comunicação, com o objetivo de reforçar a importância das medidas de prevenção e esclarecer a população;
  3. d) A adequação legislativa das condições contratuais que permitam a compra de todas as vacinas eficazes e seguras disponíveis no mercado mundial;
  4. e) A aprovação de um Plano Nacional de Recuperação Econômica, com retorno imediato do auxílio emergencial.

Entendemos que o conjunto de medidas propostas somente poderá ser executado pelos governadores e prefeitos se for estabelecido no Brasil um “Pacto Nacional pela Vida” que reúna todos os poderes, a sociedade civil, representantes da indústria e do comércio, das grandes instituições religiosas e acadêmicas do País, mediante explícita autorização e determinação legislativa do Congresso Nacional.

Carlos Lula

Continua após a publicidade

Presidente do Conass”

+Assine a Vejinha a partir de 6,90.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas.

Revista em Casa + Digital Premium
Impressa + Digital
Revista em Casa + Digital Premium

Informação de qualidade e confiável, a apenas um clique.
Assinando Veja você recebe semanalmente Veja Rio* e tem acesso ilimitado ao site e às edições digitais nos aplicativos de Veja, Veja SP, Veja Rio, Veja Saúde, Claudia, Superinteressante, Quatro Rodas, Você SA e Você RH.
*Assinantes da cidade do RJ

A partir de R$ 39,99/mês