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Notas Etílicas - Por Saulo Yassuda

Por Saulo Yassuda Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
O jornalista Saulo Yassuda cobre cultura e gastronomia. Faz críticas de bares na Vejinha há dez anos. Dá pitacos sobre vinhos, destilados e outros assuntos

Batidas doces e cremosas voltam a bares de São Paulo

Das clássicas de coco e maracujá a versões criativas, a bebida toma conta das cartas de novos endereços da cidade

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9 jan 2026, 08h00 •
régua de madeira com batidas variadas
Esquina Aroeira: degustação de batidas (Ligia Skowronski/Veja SP)
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  • Um dos símbolos da coquetelaria popular brasileira, as batidas andavam meio sumidas. Fora de moda, datadas ou, para usar uma expressão “etílica”, old-fashioned, resistiam apenas em botecões das antigas — e nem sempre com bons resultados.

    Mas não é que essas bebidas docinhas e cremosas voltaram com força? E têm sido quase obrigatórias nas cartas de novos bares, menos melosas e não só nas tradicionais versões de coco, maracujá e amendoim, mas em muitas outras.

    No Esquina Aroeira, inaugurado em 2024 no Ipiranga, as receitas clássicas dividem espaço com sabores sazonais como banana, cajá e doce de leite. Servidas no copo americano, custam 18 reais, ou podem ser pedidas em uma degustação mais “moderninha”, de quatro shots de 60 mililitros por 33 reais. “A gente vende até em garrafas de meio litro ou de 1 litro para quem quer festejar”, comenta o gerente Rodrigo Seródio.

    Com base alcoólica de cachaça ou vodca, a batida costuma ser adoçada com açúcar ou leite condensado (com parcimônia, por favor!) e leva ingredientes saborizantes como frutas ou especiarias. No Bagaceira, boteco campeão do guia VEJA SÃO PAULO COMER & BEBER 2025, a de pão de mel combina canela, cravo, gengibre em pó, mel, creme de leite, leite condensado e um toque de sal. Diferentona, né? E muito boa.

    A casa vende mais de 1 500 doses por mês da bebida, somando as de maracujá, coco, café e graviola com hortelã, a 25 reais cada uma. “Drinques mais cremosinhos, quase de sobremesa, voltaram, e a galera gosta de intercalar com cerveja”, observa o bartender Thiago Pereira. “Antes, eu via muito no Rio de Janeiro, mas, em São Paulo, se via pouca batida.”

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    copo com batida e gelo
    Boteco Bolovo: batida de pudim (Ricardo Dangelo/Veja SP)

    O movimento de retomada se espalha pela cidade. O Bar Cambará, na Barra Funda, serve opções aveludadas e açucaradas como a de castanha- de-caju. O recém-aberto Sucinta Bar, na Vila Anglo Brasileira, aposta em cupuaçu com cumaru no copo.

    No Boteco Bolovo, inaugurado em 2025 em Santana, surgem versões como pudim e até pó Nesquik sabor morango, que recebe ainda espuma de morango e limão. “A proposta do bar deve dialogar com essa tradição, contudo, recriando, reinventando, para atualizar as receitas”, diz Charles Farias, responsável pela carta.

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    Até casas tradicionais que não ofereciam a bebida aderiram a ela, como o boteco São Cristóvão, na Vila Madalena, que passou a servi-la após mais de duas décadas. É a batida de volta ao gosto do público.

    Publicado em VEJA São Paulo de 9 de janeiro de 2025, edição nº 2977.

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