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Blog do Lorençato

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O editor-executivo Arnaldo Lorençato é crítico de restaurantes há mais de 30 anos. De 1992 para cá, fez mais de 16 000 avaliações. Também comanda o Cozinha do Lorençato, programa de entrevistas e receitas no YouTube. O jornalista é professor-doutor e leciona na Universidade Presbiteriana Mackenzie

Um clássico da gastronomia paulistana, Bolinha prepara festa de 80 anos

Marcada para agosto, a celebração de aniversário do restaurante acontecerá no Estádio do Palmeiras com patrocínio de marcas como iFood

Por Arnaldo Lorençato Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 25 jun 2026, 16h00
Três homens sorridentes, com barbas e bigodes, posam em uma cozinha. O da frente, de óculos e camisa xadrez, olha para a câmera. Atrás, um homem de camisa branca e casaco marrom, e outro de camisa vermelha, também sorriem. Tigelas de barro com comida estão em primeiro plano, e panelas grandes são visíveis ao fundo
Bolinha em festa: celebração de oitenta anos (Acervo Bolinha/Divulgação)
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Um clássico da gastronomia paulistana, Bolinha prepara festa de 80 anos Priorizar nos meus resultados Google

O mais longevo restaurante brasileiro da cidade chega, em breve, aos oitenta anos. Sempre no mesmo ponto da Avenida Cidade Jardim e servindo o mais emblemático prato da culinária nacional, a feijoada, o Bolinha foi fundado em 13 de agosto de 1946.

Uma comemoração para 500 convidados está marcada para 15 de agosto, um sábado, no Parque Mirante, no Estádio do Palmeiras. É neste ponto que a história do passado se cruza com a festa do presente.

Tudo começou quando Bolinha e Zé Gordinho — uma dupla de motoristas de praça, como eram chamados os taxistas na época — arremataram um botequim coberto por folhas de zinco em uma região do Jardim Europa que ainda não era um bairro de grã-finos.

Fachada de um bar simples em preto e branco, com uma bicicleta estacionada na frente. Uma placa indica Bar do Bolinha e outra Dom Merino. No canto superior, texto BOLINHA 45 ANOS 13 AGOSTO 1946
Fim da década de 1940: fachada original do restaurante (Acervo Bolinha/Divulgação)

“Seis meses depois, o Zé Gordinho falou: ‘Olha, isso aqui não é para mim não’ e deu área”, recorda-se José Orlando Paulillo, 80, o primogênito de Bolinha, ou melhor, Affonso Paulillo, um palmeirense tão roxo que tinha o símbolo do clube em seu cartão de visita.

“Meu pai já tinha sido mordido pelo bichinho de ter o negócio dele”, completa o irmão e sócio Paulo Affonso Paulillo, 78. A primeira feijoada foi servida a um time de várzea que tinha campo na Rua Escócia, que faceia o Solar Fábio Prado, antigo Museu da Casa Brasileira.

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Dois homens idosos sorrindo para a câmera, um de suéter verde e azul com óculos pendurados, e outro de camiseta cinza, suspensórios pretos e jeans, com óculos na gola, em frente a uma parede de pedra com quadros de jornais antigos
Os irmãos Paulo Affonso e José Orlando Paulillo (Arnaldo Lorençato/Divulgação)

Os irmãos, hoje ajudados por Renato e Paulo Dionizio, filhos de José Orlando e Paulo Affonso, respectivamente, não se recordam ao certo do ano. Pode ter sido em 1951 ou em 1954.

Foi só no final dos anos 1970 que o feijão rico, servido três vezes por semana, passou a ser diário. Com o tempo, a receita tradicional ganhou uma versão magra e até uma kosher, sugerida por um rabino.

Com fãs em todos os cantos da cidade e um sucesso no iFood desde que a plataforma de delivery era Disk Cook, os irmãos começaram a montar, às vésperas da pandemia, em 2019, uma dark kitchen, que só entrou em operação em 2021. Desde então, o Bolinha atende partes da Zona Leste, da Zona Norte e do ABC.

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Voltando à celebração, ela está também intrinsecamente ligada à bola. “A feijoada do Bolinha nasceu de um time de futebol que veio comemorar um título aqui. A gente rodou, rodou e foi acabar no estádio do time de coração do meu avô para fazer a festa de oitenta anos”, diz Dionizio.

Na lista de atrações que estão organizando, com patrocínios como o do iFood, tem até uma escola de samba. Só não dá para ter dúvida de qual. Mancha Verde, é claro.

Com sabor de história

Embora o Bolinha tenha um cardápio extenso, ninguém presta atenção a ele. Faz sucesso a feijoada de todo dia.

O rico feijão-pretopode ser servido à vontade (R$ 188,00 ou R$ 233,00 aos sábados) ou em porção individual (R$ 165,50, de domingo a sexta).

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Mesa de madeira com feijoada completa em panelas de barro: feijão preto com carnes, arroz branco, couve refogada com torresmo, farofa, linguiça, mandioca frita e caipirinha
Feijoada do Bolinha: à vontade ou individual (Acervo Bolinha/Divulgação)

Começa com o caldinho, o torresmo, o bacon e a mandioca frita. Logo em seguida, chega a estrela do menu com linguiças, costelinha, carne-seca…

É complementada por couve com bacon, bisteca de porco dourada, linguiça, farinha de mandioca, arroz e uma banana empanada. Além da versão tradicional, há uma light e outra kosher.

Bolinha

Avenida Cidade Jardim, 53, Jardim Europa, tel. 3061-2010. Tem acessibilidade. $$

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Publicado em VEJA São Paulo de 19 de junho de 2026, edição nº 3000

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