Herdeiras revisam a história do prato que homenageia Oswaldo Aranha
Clássico filé ao alho com arroz, farofa e batata portuguesa pode ser apreciado em vários endereços de São Paulo
Conhecida pelo menu arrojado de seu restaurante, o contemporâneo Dui, no Jardim Paulista, Bel Coelho se dedica a elaborar pratos capazes de surpreender o paladar. É o caso da arraia na folha de bananeira ao molho de coco com purê de bananada-terra e farofa de farinha d’água. No início de outubro, porém, a chef paulistana mudou um pouco de foco e rendeu-se a uma das mais emblemáticas receitas do Rio de Janeiro. À sua moda, é claro. Passou a preparar o clássico filé à oswaldo aranha. Em apenas um mês, a sugestão se tornou recordista de pedidos. Pelo menos 500 pessoas escolheram o prato em formato gourmet, cuja receita original foi feita para satisfazer o apetite do diplomata e político gaúcho Oswaldo Aranha (1894-1960), acredita-se, no restaurante Cosmopolita — localizado até hoje no boêmio bairro carioca da Lapa —, no início da década de 30. Desde então, celebrizou-se como um bifão ao alho com arroz, farofa e batata portuguesa.
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Na versão modernizada da cozinheira, usam-se fraldinha na grelha guarnecida de farofa, arroz-agulhinha, batata frita em rodelas quase transparentes e purê de alho. Sim, um creme do marcante condimento. “Fiz uma concessão ao alho, porque acredito que a receita era bem diferente, já que Oswaldo Aranha não gostava desse tempero”, diz Bel, ou Isabel Aranha Coelho, com a autoridade de ser bisneta do homenageado. Outra integrante da família, Zazi Aranha Corrêa da Costa, neta mais velha do político e prima de Bel, também mete a colher nessa frigideira. Para ela, o Cosmopolita não é o berço dessa criação. “Ela surgiu entre 1931 e 1934 no Minhota, um restaurante que não existe mais”, assegura.
Desde a infância, Zazi ouviu contarem que o avô costumava pedir um bife malpassado de alcatra ou de contrafilé com arroz, farofa e batata portuguesa. Ele misturava os acompanhamentos ao sumo da carne. Naquela época, Aranha, então ministro da Fazenda de Getúlio Vargas, ia tantas vezes ao extinto endereço da Rua São José e solicitava tão repetidamente o prato que os donos da casa resolveram homenageá-lo incluindo a sugestão no menu e batizando-a com seu nome. Foi o que bastou para ela se espalhar por vários lugares da antiga capital federal e cruzar as fronteiras do estado. Polêmicas à parte, o pedaço mais saboroso dessa história é que o naco de carne aromatizado por alho pode ser apreciado em vários endereços de São Paulo.
Inaugurado há onze anos na Vila Madalena, o bar São Cristovão conquistou a freguesia com o prato. “Está no menu desde que abri a casa e tornou-se nosso item mais pedido”, afirma o proprietário Leonardo Silva Prado. No início do mês, o empresário passou a oferecer uma opção reduzida de seu campeão de vendas, intitulada oswaldinho. Em vez dos tradicionais 310 gramas, a versão pocket sai do fogão com 160 gramas. Só não variam os acompanhamentos: chips de alho, arroz, couve refogada, farofa e batata portuguesa. Motivado pelo sucesso do negócio, Prado criou um festival anual dedicado a ele. A cada semana de agosto, prepara-se uma releitura da receita.
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Duas cantinas na região dos Jardins, a Lellis Trattoria e a L’Osteria do Piero, incorporaram a opção ao cardápio há mais de duas décadas. Os proprietários das casas afirmam que a carne está sempre entre as três sugestões de maior saída. Na Lellis Trattoria, os medalhões nadam em molho de manteiga com alcaparra e recebem cheiro-verde picado. Essa reestilização não se limita ao circuito cantineiro. Dois bares da Companhia Tradicional de Comércio, o Pirajá, em Pinheiros, e o Astor, na Vila Madalena, apresentam o bife escondido sob uma capa de alho dourado, além de arroz reforçado pelo mesmo condimento e adornado com uma coroa de batata palha. A popularidade do filé à oswaldo aranha é tão grande que causaria inveja a seu criador caso ele estivesse vivo.
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