Galerias do centro de SP passam por boom com novos estabelecimentos; confira roteiro
Metrópole, do Rock, Nova Barão e Olido renovam público e negócios no bairro apontado como o 25º mais cool do mundo
Quem passeia pelos corredores da Galeria Metrópole em um fim de semana, ou visita a Galeria do Rock em qualquer dia, ambas na República, já sabe. Mais do que locais para compras pontuais, estes tradicionais centros de comércio, construídos no início dos anos 1960, se tornaram pulsantes espaços de lazer.
Resilientes, eles se reinventam e permanecem no cotidiano da cidade, além de se tornarem parada obrigatória para o turista. Estes são apenas dois dos exemplos mais emblemáticos de um movimento que alcança outras galerias no mesmo bairro, classificado em setembro pela revista britânica Time Out como o 25º mais cool do mundo.
Assim como elas, centros como a Galeria Olido e a Nova Barão, cada uma ao seu estilo, também têm atraído público com a oferta de novos negócios. Uma onda que acompanha a revalorização do centro.
As tradicionais galerias surgiram nos arredores da Praça da República entre as décadas de 1950 e 1960, auge da arquitetura modernista paulistana, quando São Paulo ainda fazia jus ao apelido de terra da garoa e os passeios cobertos por marquises funcionavam como abrigo.
A permeabilidade dos prédios, com passagens internas, também multiplicava o espaço para vitrines, segundo o arquiteto e urbanista Diego Pollon. E garantia a integração com o entorno, atraindo o pedestre e incentivando sua permanência. “Era uma maneira de ter uma expansão de área de venda, em uma época ainda sem shopping centers”, diz.
Ele afirma que a região vive fases de aquecimento alternadas com esvaziamento desde a década de 1970. Um dos picos foi na primeira metade da década de 2010, quando houve maior incentivo a eventos gratuitos ao ar livre, como o SP na Rua, extinto em 2019, e a Virada Cultural, agora descentralizada.
Depois da pandemia, em que muitos comércios fecharam, veio a retomada, a partir de 2022, com mais gente circulando e uma sensação maior de segurança.
Rodrigo Mello, 22, conta que frequenta a Galeria do Rock desde a infância, levado pelo pai, e que nos últimos três anos também passou a visitar com frequência a Metrópole, que conheceu pelo Instagram. Para ele, a reunião de lojas com características únicas e bons preços com o ambiente histórico e bonito é o maior atrativo destes destinos. “São poucos lugares na cidade que combinam esses fatores”, diz.
As redes sociais têm mesmo papel importante neste boom, com postagens virais no Instagram e no TikTok. “A galera posta uma foto de um lugar e, de repente, aquilo bomba loucamente na próxima semana”, comenta Pollon, morador do centro.
A seguir, um roteiro por quatro destas galerias, que já, já vão ganhar companhia. Vizinho à Metrópole, o Basílio 177, projeto de retrofit do antigo Edifício 7 de Abril, ex-sede da Telesp, vai abrigar a Ramal, galeria que reunirá restaurantes, lojas e serviços. Um lugar inspirado no passado, mas conectado aos novos tempos.
Galeria Metrópole
Exemplo emblemático deste movimento, a Galeria Metrópole, com forte presença nas redes sociais, já se destacava pela arquitetura modernista, com um grande jardim central rodeado por cinco pavimentos. Mas o pós-pandemia trouxe um sopro de renovação com a chegada de empreendedores da economia criativa.
Inaugurado em 1964, o edifício concentra hoje lojas de design e moda, editoras, sebos, restaurantes e bares. E também abre espaço para iniciativas como a Feira das Ideias, com barraquinhas vendendo roupas, objetos decorativos, arte e outros produtos. A próxima edição está marcada para este fim de semana emendado em feriado, de sábado (10) a segunda (12).
De dezembro para cá, três novos negócios incrementaram as opções gastronômicas: a Sanduteca, especializada em sanduíches; a Cangote, badalada sorveteria da Vila Buarque; e a padaria Na Fila do Pão, sucesso na Santa Cecília.
Rubens Lastri, dono do bar de vinhos Prosa e Vinho, aberto em 2017, só vê a clientela crescer, atraída pelo ambiente e por vinhos de boa relação entre qualidade e preço. Ele conta que o aumento de público, incluindo turistas nacionais e estrangeiros, o levou a fazer mudanças operacionais. A casa não trabalha mais com reservas em dias de maior movimento, como quintas, sextas e sábados, quando passa a vigorar a gestão de fila de espera. “É um problema bom”, pondera.
Avenida São Luís, 187, República. 7h/22h (qui., sex. e sáb. 7h/23h; fecha dom.).
Galeria do Rock
Reduto da cultura do rock e de outras subculturas urbanas, tornou-se um dos pontos turísticos mais famosos da cidade. Mas nem sempre foi assim. Foi a partir da década de 1980 que passou a ter um perfil mais alternativo, pontapé dado pela inauguração da loja Baratos Afins, em 1978. Quando surgiu, em 1963, a galeria abrigava comércios mais tradicionais, como salões de beleza, alfaiates e lojas de impressão em serigrafia
Com o passar das décadas, a chegada de lojas de moda underground e discos de vinil, além de pubs, fez renovar progressivamente o público, que hoje inclui também adeptos da cultura hip-hop e do skate.
Com quase todos os pontos comerciais ocupados, a galeria é o paraíso para quem busca roupas de bandas e artistas pop, além de concentrar estúdios de tatuagem e piercing.
No ano passado, o condomínio abriu aos visitantes o rooftop, um espaço antes praticamente desativado. Ali, diante de uma bela vista da cidade, bandas de rock se apresentam aos sábados — o espaço fica aberto das 11h às 17h — em um palco, enquanto os frequentadores acompanham o show bebericando um chope gelado e beliscando petiscos no bar. Nesses dias, em que o local chega a receber perto de 25 000 pessoas, é comum ver famílias inteiras circulando por seus corredores.
Avenida São João, 439, República. 9h/19h (sáb. 9h/18h; fecha dom.).
Galeria Nova Barão
Nascida em 1962 como um ponto de comércio de pedras e joias, hoje tem a maior concentração de lojas de discos da cidade: 45 estabelecimentos especializados, número três vezes maior do que há três anos.
Reduto de colecionadores, o local é frequentado por figuras como Ed Motta e Walter Salles, clientes da pioneira Medusa Records.
De olho no movimento, os DJs Glauber Martins e Renan Marques abriram, há nove meses, a Disco Vinil & Café. Além da retomada do interesse por mídias analógicas, Glauber destaca a localização da galeria: “A uma curta distância você tem Theatro Municipal, Vale do Anhangabaú, Copan e restaurantes tradicionais centenários”.
Além de LPs, a clientela encontra outros comércios e serviços, como lojas de roupa, salões de beleza e lanchonetes.
Rua Barão de Itapetininga, 37, República. 7h/20h (sáb. 7h/18h; fecha dom.).
Galeria Olido
Um dos principais endereços da extinta Cinelândia Paulista, o Cine Olido foi o primeiro cinema da cidade aberto em uma galeria comercial, em 1957. Com a decadência dos cinemas de rua, ele teve suas atividades encerradas no fim de 2001. Em 2004, a prefeitura reabriu a sala, integrada ao circuito Spcine, e ampliou a vocação cultural do local com salas de música e dança.
Gerido pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa de São Paulo, o centro cultural reúne, além do cinema, auditório, espaço de leitura e o Centro de Memória do Circo, enquanto passa por uma requalificação.
Estão em andamento intervenções na fachada e no telhado, e estão previstas a troca de poltronas, luminárias e carpetes e a reforma dos banheiros. Também será instalado um café.
“O trabalho está sendo feito por etapas, para que os espaços não precisem ser fechados todos ao mesmo tempo”, afirma o secretário da pasta, Totó Parente. A previsão é concluir o trabalho em dezembro.
Avenida São João, 473, República. 10h/21h (sáb. 13h/21h; dom. 13h/20h; fecha seg.).
Publicado em VEJA São Paulo de 9 de outubro de 2026, edição nº 3016.







