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Prefeitura ressuscita Faixa Azul só para motos na 23 de maio; faz sentido?

Proposta já se mostrou ineficaz, mas gestão afirma se tratar de modelo diferente

Por Clayton Freitas
28 jan 2022, 06h00 • Atualizado em 27 Maio 2024, 22h31
Imagem mostra faixa de motos entre duas faixas de carros.
23 de Maio: faixa reservada para motos (Marcos Mattos — CET/Divulgação)
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  • A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) inaugurou no aniversário de 468 anos de São Paulo, na terça (25), a Faixa Azul, destinada a passagem de motos na Avenida 23 de Maio, num trecho entre a Praça da Bandeira até o Complexo Viário João Jorge Saad (sentido Aeroporto).

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    A aposta foi feita mesmo com o retrospecto negativo desse tipo de medida, já que todos os projetos semelhantes fracassaram, gerando impactos como aumento de congestionamento e alta de acidentes entre os motociclistas. Desta vez, a prefeitura afirma que o modelo é diferente e pode reduzir em 30% a quantidade de acidentes com motos na via.

    O tráfego pela nova faixa não é obrigatório, apenas uma indicação. A escolha da 23 se dá pelo fato de ser passagem para 2 400 motos por hora. Além disso, oito em cada dez acidentes lá envolvem esses veículos.

    Para poder criar a Faixa Azul, foram feitas adequações em 5,5 quilômetros da 23 de Maio. A avenida contava com quatro faixas para carros com medidas que iam de 2,5 metros a 2,95 metros de largura cada uma, além da faixa de ônibus, que em alguns trechos chegava a ter até 5,40 metros de largura.

    Com a mudança, as larguras das quatro faixas para carros foram padronizadas em 2,7 metros. Já a faixa de ônibus foi espremida. Dessa forma, foi possível criar uma sexta faixa, a Azul, que opera entre as de números 1 e 2 e tem largura de 0,90 metro. Veja as ilustrações:

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    Antes

    Ilustração mostra a divisão de faixas de uma avenida. Entre os carros, em um pequeno espaço, uma moto.
    (CET/Divulgação)

    Agora

    Ilustração mostra a divisão de faixas de uma avenida. Entre os carros, em uma faixa azulada, uma moto.
    (CET/Divulgação)

    Festejada entre motociclistas, ela divide a opinião de especialistas. “A faixa é um erro crasso, já conhecido e abandonado”, afirma o coordenador do programa de mobilidade urbana do Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor), Rafael Calabria. Ele afirma que a tendência com a faixa é de aumento de velocidade das motos, podendo provocar mais acidentes.

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    Mestre em transportes pela USP, o engenheiro Sergio Ejzenberg discorda. “É sim uma proposta diferente da que existia na Sumaré e na Vergueiro, que eram à esquerda (coladas ao canteiro central). Não funcionaram porque os motociclistas não gostam de andar perto da guia, são locais com resíduos e que podem enganchar a pedaleira”, afirma. Ejzenberg diz que o sucesso da medida depende justamente do controle da velocidade e de fiscalização.

    De acordo com o diretor de planejamento e projetos da CET, Luiz Fernando Devico, entre as medidas para evitar que os motociclistas acelerem na via está colocar motos da CET e também da Polícia Militar para circular na faixa.

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    Publicado em VEJA São Paulo de 2 de fevereiro de 2022, edição nº 2774

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