Continua após publicidade

Prefeitura ressuscita Faixa Azul só para motos na 23 de maio; faz sentido?

Proposta já se mostrou ineficaz, mas gestão afirma se tratar de modelo diferente

Por Clayton Freitas
28 jan 2022, 06h00

A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) inaugurou no aniversário de 468 anos de São Paulo, na terça (25), a Faixa Azul, destinada a passagem de motos na Avenida 23 de Maio, num trecho entre a Praça da Bandeira até o Complexo Viário João Jorge Saad (sentido Aeroporto).

+ Onze transformações que aconteceram em São Paulo no último século

A aposta foi feita mesmo com o retrospecto negativo desse tipo de medida, já que todos os projetos semelhantes fracassaram, gerando impactos como aumento de congestionamento e alta de acidentes entre os motociclistas. Desta vez, a prefeitura afirma que o modelo é diferente e pode reduzir em 30% a quantidade de acidentes com motos na via.

O tráfego pela nova faixa não é obrigatório, apenas uma indicação. A escolha da 23 se dá pelo fato de ser passagem para 2 400 motos por hora. Além disso, oito em cada dez acidentes lá envolvem esses veículos.

Para poder criar a Faixa Azul, foram feitas adequações em 5,5 quilômetros da 23 de Maio. A avenida contava com quatro faixas para carros com medidas que iam de 2,5 metros a 2,95 metros de largura cada uma, além da faixa de ônibus, que em alguns trechos chegava a ter até 5,40 metros de largura.

Com a mudança, as larguras das quatro faixas para carros foram padronizadas em 2,7 metros. Já a faixa de ônibus foi espremida. Dessa forma, foi possível criar uma sexta faixa, a Azul, que opera entre as de números 1 e 2 e tem largura de 0,90 metro. Veja as ilustrações:

Continua após a publicidade

Antes

Ilustração mostra a divisão de faixas de uma avenida. Entre os carros, em um pequeno espaço, uma moto.
(CET/Divulgação)

Agora

Ilustração mostra a divisão de faixas de uma avenida. Entre os carros, em uma faixa azulada, uma moto.
(CET/Divulgação)

Festejada entre motociclistas, ela divide a opinião de especialistas. “A faixa é um erro crasso, já conhecido e abandonado”, afirma o coordenador do programa de mobilidade urbana do Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor), Rafael Calabria. Ele afirma que a tendência com a faixa é de aumento de velocidade das motos, podendo provocar mais acidentes.

+ Minha São Paulo: personalidades revelam lugares e memórias da cidade

Mestre em transportes pela USP, o engenheiro Sergio Ejzenberg discorda. “É sim uma proposta diferente da que existia na Sumaré e na Vergueiro, que eram à esquerda (coladas ao canteiro central). Não funcionaram porque os motociclistas não gostam de andar perto da guia, são locais com resíduos e que podem enganchar a pedaleira”, afirma. Ejzenberg diz que o sucesso da medida depende justamente do controle da velocidade e de fiscalização.

Continua após a publicidade

De acordo com o diretor de planejamento e projetos da CET, Luiz Fernando Devico, entre as medidas para evitar que os motociclistas acelerem na via está colocar motos da CET e também da Polícia Militar para circular na faixa.

+Assine a Vejinha a partir de 12,90. 

Publicado em VEJA São Paulo de 2 de fevereiro de 2022, edição nº 2774

Publicidade

Essa é uma matéria fechada para assinantes.
Se você já é assinante clique aqui para ter acesso a esse e outros conteúdos de jornalismo de qualidade.

Para curtir o melhor de São Paulo!
Receba VEJA e VEJA SP impressas e tenha acesso digital a todos os títulos Abril.
Impressa + Digital no App
Impressa + Digital
Impressa + Digital no App

Informação de qualidade e confiável, a apenas um clique.

Assinando Veja você recebe semanalmente Veja SP* e tem acesso ilimitado ao site e às edições digitais nos aplicativos de Veja, Veja SP, Veja Rio, Veja Saúde, Claudia, Superinteressante, Quatro Rodas, Você SA e Você RH.
*Para assinantes da cidade de São Paulo

a partir de R$ 39,90/mês

PARABÉNS! Você já pode ler essa matéria grátis.
Fechar

Não vá embora sem ler essa matéria!
Assista um anúncio e leia grátis
CLIQUE AQUI.