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Filmes e Séries - Por Barbara Demerov

A poderosa despedida de Daniel Craig em 007 – Sem Tempo para Morrer

Em cartaz nos cinemas, filme traz cenas impactantes e honra a importância do espião britânico no imaginário popular

Por Barbara Demerov Atualizado em 30 set 2021, 18h53 - Publicado em 30 set 2021, 12h18

✪✪✪✪ Diversos adiamentos marcaram o trajeto de 007 – Sem Tempo para Morrer até seu aguardado lançamento nos cinemas. Da saída do diretor Danny Boyle por divergências criativas à chegada do coronavírus, o filme ficou “na gaveta” por um ano e meio. A Sétima Arte – e o entretenimento no geral – enfrentou inúmeras incertezas nos últimos meses, mas agora, diante de um cenário mais favorável neste setembro de 2021, uma coisa é certa: sempre é tempo de ver James Bond em novas aventuras.

007 – Sem Tempo para Morrer, em cartaz nos cinemas, marca a 5ª e última interpretação de Daniel Craig como o icônico agente 007. O ator inglês foi elogiado desde sua primeira aparição em 2006, no longa Casino Royale, e desde então mostrou-se à muito vontade no papel. Além disso, sua presença em tela trouxe frescor a este personagem com licença para matar. A personalidade mais sóbria e humana incorporada por Craig suscitou novos olhares do público para com uma figura que, até então, era intocável.

E essa complexa figura aperfeiçoada por Craig está em busca de reparações e conclusões no filme dirigido por Cary Joji Fukunaga – o mais longo de toda a franquia. O clima de despedida está presente desde a enérgica sequência de abertura, mas de modo sutil, que abre espaço para que o público aproveite ao máximo cada momento de romance, embates com inimigos e, é claro, com o emblemático Aston Martin.

Daniel Craig e Léa Seydoux em cena de 007
Madeleine (Léa Seydoux) e Bond: amor e muita emoção em Sem Tempo para Morrer Universal Pictures/Divulgação

Na trama, um Bond aposentado ainda se vê atrelado à organização Spectre e a outras questões do passado. Apesar de viver uma boa fase com a amada Madeleine (Léa Seydoux), o espião é puxado de volta ao mundo que tanto se dedicou nos diversos anos na ativa. E a experiência de acompanhá-lo nesse árduo percurso só consegue ser marcante pelo fato de Craig dar tudo nas cenas que exigem empenho físico e, em especial, naquelas que dizem tudo com o olhar. 

Mais vulnerável, o protagonista apresenta um resultado excepcional nos embates corpo a corpo (que ganham força com a direção de Fukunaga), não abre mão do sarcasmo e, o mais interessante nessa despedida: mostra-se mais aberto a lidar com seus sentimentos.

O roteiro de 007 – Sem Tempo para Morrer também acompanha esse processo – por mais que o texto traga grandes ameaças como conflito e dê atenção a personagens secundários, ele ressalta a trama individual de Bond acima de qualquer coisa. Além disso, sua relação com a nova 007, interpretada por Lashana Lynch, traz a discussão sobre “passar o manto” do emblemático número para frente e é um dos pontos altos do filme.

Craig, hoje com 53 anos, encerra sua jornada de forma honesta, brutal e emocionante. 007 – Sem Tempo para Morrer distribui bem suas 2h40 de duração ao destacar o que há de melhor no personagem, transformando esse “adeus” em um material consistente e dramático.

Provando que o espião também pode ser coração, Daniel Craig atualizou o significado do que é ser James Bond. E, como consequência, concede ao público um último brinde à sua bela evolução.

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