Como é visitar o Exímia, melhor bar do Brasil e 20º do mundo pelo 50 Best
Casa que colocou o Brasil entre os melhores endereços do planeta atende no Itam Bibi e mantém a coquetelaria autoral de Márcio Silva
Não é possível ver a fachada do 20º melhor bar do mundo, que fica em São Paulo. Para entrar no Exímia, o bar brasileiro mais bem colocado na lista do The World’s 50 Best Bars, divulgada ontem (8), em Milão, é necessário subir um lance de escada protegida por uma cortina na lateral do restaurante Locale Trattoria, no bairro do Itaim Bibi.
Lá em cima, há cerca de quarenta lugares, entre as mesas altas, com vista para o movimento do restaurante lá embaixo, e o balcão, numa área mais apertadinha.
A coquetelaria continua sob o comando do sócio Márcio Silva, que já foi premiado duas vezes como Bartender do Ano por VEJA SÃO PAULO COMER & BEBER e que ganhou o título de Bar Revelação pelo Exímia.
Ali, você sai feliz se pedir um drinque clássico. A equipe, ainda que tenha mudado um pouco nos últimos meses, manda bem. Mas a ideia é provar a carta autoral, que mantém uma das características que mais chamam atenção no Exímia: a construção cuidadosa das receitas.
Aqui, não basta juntar destilado, fruta e alguma outra bebida. Há um esforço evidente para encontrar diferentes maneiras de trabalhar acidez, textura, aroma e visual em receitas cheias de minúcias, algumas com o uso de ingredientes brasileiros.
Um dos drinques que experimentei na mais recente visita foi o quebra-queixo (R$ 54,00), feito com rum, um toque de cachaça, limão, vinho chardonnay, cocada quebra-queixo e licor de coco. O resultado tem personalidade e ganha uma lembrança agradável da cocada.
Também adocicado, e com uma textura untuosa, o pistachio (R$ 57,00) mistura bourbon, licor de pistache, cordial de ládano, xarope de pistache e cachaça.
Também vale prestar atenção à pequena seção de bebidas sem álcool. O palomita (R$ 29,00) leva morango, refrigerante de grapefruit, hibisco e cordial de pipoca. É refrescante, mas o mais interessante é que não parece uma concessão para quem não bebe: continua tendo estrutura e complexidade de coquetel.
Mudanças pelo caminho do Exímia
No último dia 26, houve uma baixa. A chef Manu Buffara, de Curitiba, anunciou o fim da sociedade com o bar, que tem ainda o comando de Gabriel Fullen e Nic Fullen, do Grupo Locale.
Outro desafio que o Exímia enfrentou foi a mudança de endereço. Em janeiro deste ano, a casa encerrou as atividades na Rua Doutor Mário Ferraz, onde atendia em um portentoso imóvel de três pavimentos (leia aqui a reportagem que fiz, em primeira mão, à época da inauguração).
Em abril, reabriu menor no andar de cima do Locale. Com a mudança, o menu de comidas foi simplificado. Na minha visita mais recente, provei uma berinjela frita, meio amarguinha, que ganhou um toque de mel por cima, mas que acabou saindo do menu. Seguem lá as pizzas e os panini, além de outros petiscos à moda italiana.
O The World’s 50 Best Bars 2026, anunciado ontem, teve outro bar brasileiro na lista, o Tan Tan, que ficou em 35ª posição.






