Gastronomia

O sucesso dos novos bares especializados em noodles

Fora da Liberdade, os endereços chegam a registrar duas horas de fila

Por: Fábio Galib - Atualizado em

tan tan noodles lamen
O salão do Tan Tan: desde dezembro na Rua Fradique Coutinho (Foto: Ricardo D'Angelo)

Para os chineses, um macarrão mergulhado em uma espécie de sopa chama-se lámen. Os japoneses usam rámen. Se nesse momento você pensou em miojo, pense de novo. A comparação com o produto industrializado instantâneo é injusta. Na receita tradicional, o aromático caldo de horas de fogão recebe complementos frescos como brotos e ervas mais fatias de lombo de porco, algas e ovo cozido sobre os fios. Assim como ocorreu dois anos atrás com os izakayas — aqueles botecos orientais cujo cardápio foge da batida combinação sushi-sashimi-temaki —, agora são as casas especializadas nas tais tigelinhas fumegantes que começam a conquistar a cidade.

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Antes exclusividade de restaurantes do bairro da Liberdade, como o Aska e o Lamen Kazu, a receita ganhou espaço nos bares. Um dos primeiros a se aventurar fora do eixo nikkei foi o 2nd Floor Noodle Bar, na Vila Clementino (Rua Leandro Dupret, 980, tel. 94163-6593), aberto no fim de 2014. Em dezembro do ano passado, vieram os quase vizinhos Hirá Ramen Izakaya e Tan Tan Noodle Bar, na Rua Fradique Coutinho.

Hirá Ramen Izakaya noodles lamen
A tigela do Hirá: complementos frescos (Foto: Ligia Skowronski)

Em comum, todos seguem a linha dos populares bares de noodle de Nova York e acumulam filas de até duas horas por um lugar no salão. “Diferentemente dos rámen-ya japoneses, que servem um só prato, as casas americanas têm um cardápio variado, incluindo aí coquetéis”, explica Thiago Bañares, do Tan Tan. O chef credita a recente popularidade do ensopado à boa e velha relação entre custo e benefício. “Enquanto se pagam, no máximo, 40 reais por um bom lámen, num restaurante italiano um prato chega facilmente ao dobro desse valor.”

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Tan Tan Noodle Bar
Macarrão tostado com molho inglês do Tan Tan (Foto: Ricardo D'Angelo)

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Outra novidade colabora com a onda: a crescente oferta de massa de qualidade feita em São Paulo. “Faltava uma boa matéria-prima para que a moda do lámen decolasse, e hoje os produtos nacionais não devem nada aos importados”, garante Valéria Cedano, responsável pelo Hirá ao lado do marido, Daniel Parolin Hirata. E o caldo não deve entornar tão cedo (tudo indica, ao menos). Concorrida, A Casa do Porco, de Jefferson Rueda, já criou sua variedade do prato, e para abril está prevista a inauguração de mais um espaço, o JoJo Ramen, no Paraíso. “É gostoso, rápido e barato”, resume Bañares.

Fonte: VEJA SÃO PAULO