gastronomia

Plataformas ajudam a reservar jantar na casa de desconhecidos

Assim como o Airbnb, os sites disponibilizam jantares variados por preços competitivos

Por: Juliene Moretti - Atualizado em

HomeyCook Paulo Rossi Ana Pinhal
Ana Pinhal, ao lado de Olivieri, Leonardo e Rossi, do HomeyCook: ajuda no preparo da moqueca de peixe (Foto: Fernando Moraes)

O site coletivo de reserva de hospedagem Airbnb popularizou-se nos últimos três anos como uma ponte entre donos de imóveis com quartos vagos e turistas em busca de uma viagem mais econômica e informal.

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A modalidade trouxe ainda a vantagem extra de colaborar para o crescimento da rede de amigos de inquilinos e anfitriões. Pois estão surgindo na capital alguns serviços com características similares, transportando essa experiência para o universo da gastronomia. Criadas principalmente no primeiro semestre deste ano, essas plataformas possibilitam ao cliente reservar um jantar na casa de um desconhecido, seja ele chef profissional ou cozinheirode fim de semana.

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O negócio tem funcionamento bem semelhante ao do Airbnb. Ao se cadastrar no site, o usuário visualiza todos os cardápios e as datas disponíveis. Há desde pratos populares, como pizza, sushi e feijoada, até opções mais elaboradas ou somente com produtos orgânicos. Confirmada a compra, e o pagamento com cartão de crédito, basta aparecer no dia e local marcados.

Candida Balensiefer
Candida, em seu apartamento no Copan: seis eventos desde junho (Foto: Rodrigo Dionísio)

Existem três endereços do tipo ativos na cidade. Eles servem refeições a preços que variam de 60 a 200 reais por pessoa, ou seja, iguais aos dos restaurantes ou até mesmo menores. Outra característica desse serviço é a possibilidade de acompanhar o preparo da receita e, em alguns casos, receber a bebida de graça. 

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Uma dessas novidades é o Home Bistro, que tem realizado vinte eventos por mês desde maio. “Não precisei pegar fila nem encarar mau humor de garçom”, diz a analista de RH Gabriella Faure. Em agosto, ela saboreou combinados japoneses do chef Thiago Camargo. “Ele ainda me explicou detalhes da receita”, completa. Para ser aceito na plataforma, o cozinheiro deve realizar um jantar de teste, no qual são avaliadas a comida e a recepção.“Não podemos permitir um serviço mediano”, explica Henry Couto, sócio do Home Bistro. A empresa embolsa até 20% do valor de cada encontro.

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Moradora do Copan, a nutricionista Candida Balensiefer passou em maio nesse vestibular. De lá para cá, realizou seis eventos. Sua especialidade é o filé de saint-peter com quinoa ao pesto. O pacote, incluindo bruschettas e vinho, sai a 90 reais por pessoa. “Amo cozinhar, mas não quero fazer isso em restaurantes”, diz. Assim como Uber e Airbnb, essas plataformas funcionam apenas como intermediárias, e os prestadores de serviço não possuem certificado da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), algo exigido para estabelecimentos. “Mas todos os nossos chefs são obrigados a cumprir as determinações do órgão”, garante Couto.

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Há também a opção de ajudar a pilotar o fogão. É o caso do HomeyCook, criado pelos empresários Herlan Antunes, PauloRossi, Maurício Olivieri e Alex Leonardo. Os cozinheiros cadastrados ensinam clientes a fazer pratos típicos. Depois, todos comem juntos. Uma moqueca de peixe é vendida a 80 reais por pessoa. “O tratamento é mais informal, o visitante fica à vontade”, elogia a publicitária Ana Pinhal. Em agosto, ela saboreou a receita baiana. Quem tem uma experiência ruim pode avaliar o serviço como negativo no site. “Também devolvemos o dinheiro, caso o acordo não tenha sido cumprido”, afirma Rossi.

Bia Goll
Bia Goll: até 25 pessoas por mês para comer o penne caseiro (Foto: Mario Rodrigues)

O precursor nesse gênero de negócio foi o israelense EatWith. O site chegou por aqui há dois anos. Hoje, oferece cardápios de sete chefs na capital. Um deles é Bia Goll, que recebe até 25 pessoas por mês em seu casarão na Rua Pedro Taques, na Consolação. No menu, bruschettas e penne com molho de legumes, damasco e ervas, além de sobremesa. “No início, sempre há timidez, mas é só conversar sobre comida para quebrar o gelo”, conta.

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As características dos sites que estão atuando no mercado

EatWith: empresa israelense, tem investido em pratos brasileiros; é possível agendar diretamente com o cozinheiro, e os jantares são cobrados em dólar

Home Bistro: possui a maior carteira de profissionais (catorze na capital), e oferece cardápios mais elaborados

HomeyCook: o cliente põe a mão na massa ao lado dos chefs, na maioria amadores, desde o corte dos temperos até o controle do tempo no fogo

 

Fonte: VEJA SÃO PAULO