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Após perder fama e dinheiro, Asa Branca tenta retomar carreira

Locutor, que foi a principal voz dos rodeios nos anos 90, torrou fortuna com farras e drogas e contraiu HIV

Por: João Batista Jr. - Atualizado em

Asa Branca
O locutor, de 53 anos: "Estou vivo por um milagre" (Foto: Mário Rodrigues/VEJA SÃO PAULO)

Asa Branca tinha sempre o mesmo ritual. Tomava de uma a quatro doses de uísque misturado com água, sem gelo, rezava um Pai-Nosso, uma Ave-Maria e fazia o sinal da cruz. Só então entrava em seu helicóptero MD 500 e pedia para o piloto “arrebentar”, ou seja, levantar voo e seguir rumo ao centro da arena de rodeio. Na descida, o homem de 1,90 metro e voz grave começava a agitar a plateia ainda no ar, com um microfone sem fio. Pedia a todos os presentes que ficassem em pé. Muitos tiravam o chapéu e o balançavam com as mãos. Depois da aterrissagem, o caubói caído dos céus se ajoelhava diante do público, que em alguns casos chegava a 50 000 pessoas. “Boa noite, meu Deus, boa noite, minha Nossa Senhora”, anunciava. Assim começava o show do maior locutor da história do rodeio nacional.

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No auge do sucesso, nos anos 90, faturava 300 000 reais por mês e rivalizava em popularidade com as estrelas da música sertaneja. Nessa fase, figurou nas novelas Mulheres de Areia (1993) e O Reido Gado (1996), ambas da Globo. Choviam companhias femininas, e Asa Branca não negava fogo, fossem elas tietes, mulheres da vida ou personalidades da TV. Aos poucos, começou a ter um comportamento mais parecido com o de um ídolo do rock, repetindo inclusive os clichês de autodestruição. Abusou de drogas e bebidas, trocou a noite pelo dia, contraiu o vírus HIV e passou a faltar a compromissos. Em 2013, correu sério risco de morte. Internado no Hospital Emílio Ribas, em São Paulo, chegou a pesar apenas 50 quilos. Conseguiu sair de lá depois de quase três meses. Voltou a engordar — está com 85 quilos — e vive desde julho em Bertioga, no Litoral Norte.

Asa Branca
Perto da ação: o primeiro a narrar dentro da arena (Foto: Johnny de Franco/Estadão Conteúdo)

Além da tranquilidade da praia, a cidade foi escolhida por ficar a apenas duas horas da capital, onde passa por consultas periódicas com seus médicos. “Estou vivo por um milagre”, conta. O organismo está limpo de cocaína, uísque e outras substâncias. Com isso, Asa Branca encontrou forças para retomar a carreira, e um marco foi sua apresentação em agosto na festa do peão em Barretos, a principal do país. Mesmo em um pequeno estande do local onde tantas vezes brilhou para milhares de pessoas na arena principal, saboreou o momento como se fosse um estreante. Acaba de gravar um CD com canções sertanejas em arranjos modernos e quer emplacar como cantor. Os planos incluem uma temporada de cinco shows nos Estados Unidos em novembro. “Sou um cara que nasceu na roça e, de repente, começou a ter dinheiro no bolso e a namorar celebridades. Não aguentei o tranco e me deslumbrei”, admite ele, hoje com 53 anos.

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Asa Branca
Asa Branca: locutor perdeu tudo em farras e drogas e contraiu HIV (Foto: Mário Rodrigues/VEJA SÃO PAULO)

Quando garoto, Waldemar Ruy dos Santos (o apelido Asa Branca surgiu devido à mania de agarrar passarinhos) queria ser um peão dos bons em Turiúba, cidade de 2 000 habitantes do interior paulista. O plano de virar astro dos rodeios era a forma que o caçula de uma família de quatro irmãos encontrava para tentar driblar a dureza do dia a dia. Quando ele tinha 9 anos, sua mãe morreu de doença de Chagas. O pai passou a ter uma vida desregrada — não economizava e caiu na gandaia. Certo dia, acabou matando a namorada por ciúme e, em seguida, deu cabo da própria vida.

Asa Branca
Helicóptero no rodeio: a chegada apoteótica era sua marca registrada (Foto: Reprodução/Facebook)

Assim, o adolescente de 15 anos viu-se sozinho. Fez bicos como pedreiro e vendedor de cachorro-quente. Subiu pela primeira vez no lombo de um touro em uma competição amadora. O sonho parecia estar se tornando realidade, mas acabou de forma desastrosa, quando levou uma chifrada no pulmão durante uma montaria. Na recuperação, escutava fitas de locutores como Zé do Prato, o criador do bordão “Seguuura, peão.” Semanas após sair do hospital, foi ver um rodeio em uma cidade da região. O narrador contratado faltou ao show, e Asa Branca prontificou-se a substituí-lo. “O som estava ruim e minha voz saiu com eco”, lembra. Apesar disso, ficou satisfeito e disposto a repetir a experiência. “Já sabia que queria fazer aquilo para o resto da vida”, afirma.

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Mas as arenas nacionais ainda iriam esperar um pouco. Embarcou no início da década de 80 para os Estados Unidos e ficou por lá seis meses. Trabalhou de forma ilegal no país e conheceu por dentro o circuito americano de rodeios. “Limpava cocheiras”, conta. Encantou-se com o nível de profissionalização dos espetáculos e com um equipamento, ainda raro por aqui: o microfone sem fio. Na volta ao Brasil, trouxe um deles na bagagem e planos de revolucionar o estilo de narração. Uma das inovações que introduziu foi a de trabalhar dentro da arena. Até então, os locutores permaneciam no palco. Asa Branca gostava de ficar a 2 metros do animal, pondo a própria vida em risco. Sempre escapou de lá sem grandes problemas, mas diz ter visto dois peões morrer diante de seus olhos.“Quando estou em ação, fico extremamente concentrado”, descreve. “Escuto a vibração da arquibancada, a respiração do touro. É como se meus sentidos conseguissem captar tudo ao meu redor.”

Asa Branca
Apresentação em 1994: homenagem ao tetra da seleção brasileira (Foto: Revista Country Fever)

Além do microfone sem fio, Asa introduziu fogos de artifício, contratou DJ para tocar músicas de rock antes de o peão entrar em cena e criou rimas rápidas que deixavam o público maravihado. “Eu o coloquei para comandar a festa de Barretos em 1986, e nesse cargo ele ficou por oito anos”, lembra Marcos Abud, vice-presidente da Associação Os Independentes, que organiza o evento. “Até hoje, todos os locutores o imitam, mas nenhum conseguiu superá-lo.” Em Barretos, Asa Branca fixou como sua marca registrada a chegada a bordo de um helicóptero. “Tudo isso era ilegal e sem autorização dos bombeiros. Mas quem domava o homem?”, diverte-se Abud.

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Em agosto de 1994, em plena campanha presidencial e semanas após a conquista do tetra pela seleção de futebol nos Estados Unidos, Asa encomendou ao carnavalesco Joãosinho Trinta uma réplica gigante da taça. Ficou escondido dentro do caneco até a peça ser aberta para opúblico. A plateia o ovacionou — e ele guardava outra surpresa na manga. Com o microfone em punho, disse que gostaria de apresentar um amigo. Era Fernando Henrique Cardoso. De mãos dadas com o locutor, o então candidato deu uma volta olímpica. “As pessoas acenavam com o chapéu enquanto passávamos”, lembra FHC. “Foi emocionante, espontâneo.”

Além do político e de Asa Branca, sabiam da operação apenas Xico Graziano, um dos coordenadores da campanha, e Bia Aydar, responsável pelos eventos do tucano. “O Fernando Henrique estava com receio, mas prometi deixar a plateia animada para que, quando ele entrasse, fosse aquela explosão”, diz o locutor. Orestes Quércia, candidato à Presidência pelo PMDB, e Luiz Antônio Fleury Filho, então governador pelo mesmo partido, assistiram a tudo isso do camarote e ficaram enfurecidos.

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O fim dos anos 90 coincidiu com o auge da carreira de Asa Branca e também com o consumo desenfreado de drogas. Era quando, em suas contas, chegava a dormir com seis mulheres e a cheirar 3 gramas de cocaína em uma noitada. Ele nunca usou preservativo. “Eu era igual a um peão prestes a montar: pedia proteção divina, estocava para trás e deixava pular.”

Asa Branca
Em Mulheres de Areia, de 1993: intimidade com atrizes (Foto: Jorge Cysne)

Nos anos 1990 e 2000, morava no flat Fortune Residence, na Rua Haddock Lobo, e gostava de ir às finadas boates Gallery e Allure. “Cansei de namorar artistas famosas”, gaba-se, citando as atrizes Isadora Ribeiro e Alexia Dechamps entre suas conquistas. Elas negam. “Ficamos bem amigos, fizemos campanhas publicitárias juntos e já o vi apresentando rodeios, mas nunca o beijei", diz Alexia. “Ficar com o Asa Branca? Imagina, meu amor. Nunca tomei sequer um suco de laranja com esse cara”, desconversa Isadora. A única famosa que confirma um romance com o narrador é a apresentadora Marília Gabriela. Os dois moraram juntos por um ano, em 1993. Procurada por VEJA SÃO PAULO, ela não quis comentar esse período.

Asa Branca
Na pior fase da internação (Foto: Arquivo Pessoal)

A conta dos exageros na boemia chegou logo. Entre seus colegas, ele ficou conhecido como o Tim Maia do rodeio. Faltava a compromissos, não aparecia em apresentações e bebia demais. “Eu nem precisava comprar droga, meus amigos me davam”, diz. Perdeu contratos, todo o dinheiro que ganhou e arruinou a saúde. Em 2007 descobriu ter o HIV. Já debilitado pela doença (era displicente com os remédios e continuava se drogando), envolveu-se com a aposentada Sandra Maria dos Santos, também soropositiva. Eles se conheceram na infância, quando estudaram na mesma sala. Mas o romance engatou mesmo em 2008. Atual mulher do narrador, ela se transformou também em seu anjo da guarda. “Perdi a conta de quantas vezes eu tirei cocaína e maconha do bolso dele para jogar no vaso sanitário”, conta Sandra. Em agradecimento, Asa Branca chama a companheira de “mãe”.

Asa Branca
Sandra, a mulher do locutor: controle dos remédios (Foto: Mario Rodrigues/VEJA SÃO PAULO)

A mudança radical de comportamento ocorreu em 2013, quando ele se viu no leito do Emílio Ribas por 83 dias. Na ocasião, foi diagnosticado com criptococose, mais conhecida como a doença do pombo, uma das enfermidades oportunistas surgidas pela ação do HIV no organismo. “Quando chegou ao hospital, ele estava praticamente sem imunidade alguma”, conta o infectologista Luiz Carlos Pereira Júnior. O fungo encontrado nas fezes dos pombos entra no organismo pelo pulmão e depois se instala no sistema nervoso. “A pessoa perde a consciência e a coordenação motora”, explica o médico. Asa Branca apresentava os sintomas em estágio avançado. Tinha confusão mental, mãos trêmulas e nem sequer conseguia andar. Passou por seis cirurgias. O tratamento surtiu efeito e ele conseguiu se curar.

Asa Branca
O ex-jogador Luizão, com quem mantém contato até hoje: "Ele me ligou quando eu estava hospitalizado", lembra Asa Branca (Foto: Arquivo Pessoal)

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Na época da internação e na fase de recuperação, Asa Branca passou por muitas dificuldades financeiras. Não tinha dinheiro para pagar aos médicos. Foram poucos os amigos dos tempos áureos que o ajudaram, como o cantor Sérgio Reis, que lhe doou 50 000 reais, e o ex-jogador Luizão. Não era para ele precisar de ajuda. Asa chegou a ter 2 000 cabeças de gado nelore em fazendas arrendadas no Pará e em Mato Grosso. O patrimônio pessoal incluía também helicóptero e avião bimotor.

Asa Branca
Ao lado de Sérgio Reis: o cantor sertanejo doou 50 000 reais quando o locutor ficou entre a vida e a morte (Foto: Antonio Chahestian/Record)

Hoje, vive em uma casa de dois quartos em Bertioga, pela qual paga 1 000 reais de aluguel por mês. Ele cobrava um cachê de 30 000 reais por apresentação, valor nunca alcançado no mercado (Cuiaba no Lima, um dos principais locutores da atualidade, embolsa 15 000 reais por dia e trabalho). Já os amigos de Asa Branca da época estão multimilionários. É o caso dos cantores Leonardo (dono de mais de 20 000 cabeças de gado, fazendas e uma agência de artistas), Zezé Di Camargo e Luciano (proprietários de uma construtora que faz prédios comerciais, residenciais e condomínios) e Chitãozinho e Xororó (donos da rede de churrascarias Montana Grill e de outros negócios).

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Asa Branca
O cantor Rancharia, parceiro musical de Asa Branca: dupla tem cinco shows agendados nos EUA (Foto: Reprodução/Facebook)

Asa Branca e Sandra investiram 25 000 reais na produção do CD em que ele canta ao lado do amigo Rancharia. Enquanto a carreira de cantor não decola, Asa tem pago as contas com as poucas locuções que faz hoje em dia pelo valor de 10 000 reais. Sentado em um bar de frente para o mar de Bertioga, ele fala pausadamente sobre o passado tumultuado. “Nunca me arrependi de nada do que fiz, exceto por ter experimentado droga”, garante. Em seguida, dirige o olhar para a mulher e confessa, emocionado: “Meu maior sonho, mãe, é chegar aos 70 anos, com os nossos filhos, os nossos netos...” Então, o homem que desafiou a morte nas arenas começa sua nova caminhada em um fim de tarde tranquilo na praia.

Era uma vez nooeste paulista

A ascensão, queda e tentativa de renascimento artístico da principal voz nacional dos rodeios

Nome completo: Waldemar Ruy dos Santos.

Data de nascimento: 19/4/1962 (53 anos).

Natural de: Turiúba, cidade paulista perto da divisa com Mato Grosso do Sul.

Altura: 1,90 metro.

Família: está no terceiro casamento. Acompanheira atual é a aposentada Sandra Maria dos Santos. Tem cinco filhos — de cinco mulheres. Entrou recentemente com uma ação na Justiça para pedir o exame de DNA de um deles. “Suspeito que eu não seja o pai da criança.”

Patrimônio: teve 2 000 cabeças de gado nelore. Hoje, possui um lote de 500 metros quadrados em Brasília, presente de um amigo, e um imóvel no interior, herança da avó. Mora em Bertioga numa casa alugada por 1 000 reais.

Asa Branca
(Foto: Reprodução)

Carreira: acabou de lançar um CD de música sertaneja com o amigo Rancharia.

Cachê: 10 000 reais por locução. No auge, faturava o triplo por apresentação e embolsava até 300 000 reais em um mês.

Saúde: é portador do vírus HIV, que foi descoberto em 2007. Em 2013, passou 83 dias no hospital depois de contrair criptococose, uma doença transmitida por pombos.

Vícios: usou cocaína por mais de quinze anos e chegava a cheirar 3 gramas da droga em uma noitada. Está limpo desde 2013.

Conquistas amorosas: várias. Segundo ele, a lista inclui a apresentadora Marília Gabriela e as atrizes Isadora Ribeiro e Alexia Dechamps (as duas últimas negam).

Atuação política: disputou eleição para deputado federal em 1998 pelo PSDB, mas perdeu. Hoje, está filiado ao PEN.

Meio de locomoção: um carro Chery QQ. No passado, teve um avião bimotor Navajo e um helicóptero MD 500.

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  • Cozinha variada

    Condessa Bistrô

    Rua Bueno Brandão, 66, Vila Nova Conceição

    Tel: (11) 3842 5141

    VejaSP
    2 avaliações

    Versão “míni” da Mercearia do Conde, o Condessa trocou de endereço em outubro na Vila Nova Conceição. Se a distância entre a velha e a nova casa é ínfima, a capacidade quase dobrou: foi de 42 para 80 lugares. Agora com varanda, o lugar continua a apostar na decoração lúdica e em hits como o nhoque de mandioquinha ao sugo na cesta de parmesão (R$ 58,00). Entraram em cartaz pedidas como o bowl de ragu de cordeiro e mandioca (R$ 33,00).

    Preços checados em 20 de janeiro de 2016.

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  • Chope e cerveja

    Bar do Magrão

    Rua Agostinho Gomes, 2988, Ipiranga

    Tel: (11) 2061 6649

    VejaSP
    5 avaliações

    Figura popular no Ipiranga, Luiz Antonio Sampaio, o Magrão, mantém este ponto devotado às cervejas especiais. É pena que muitas delas andem em falta, sobretudo as holandesas, austríacas e escocesas. Belgas são escolhas mais garantidas, como a potente Maredsous 10 Tripel (R$ 32,00, 330mililitros) e a St Martin Blonde (R$ 32,00,330 mililitros), mais suave. A berinjela curtida no azeite e alho com pão (R$ 21,00 a porção) é das boas e não tem pegada cantineira por acaso. Magrão é também o dono do restaurante italiano no imóvel vizinho.

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Vinhos

    Ovo e Uva

    Rua Mateus Grou, 286, Pinheiros

    Tel: (11) 3085 3070

    VejaSP
    3 avaliações

    Eis um simpático mix de rotisseria, empório e bar. Pelo salão, mesinhas se espalham entre balcões refrigerados e prateleiras com garrafas de vinho. Dá para bebericar sem compromisso cerca de 180 rótulos, entre eles o italiano Rocca delle Macìe Chianti Vernaiolo 2014 (R$ 118,00). Se preferir, 25 das pedidas estão disponíveis em taça. Boa parceria se faz com as bruschettas de abobrinha e queijo de cabra (R$ 27,00).

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Empórios ou mercados gourmet

    Mercadinho Dalva e Dito

    Rua Padre João Manuel, 1115, Jardim Paulista

    Tel: (11) 3068 4444

    VejaSP
    1 avaliação

    O empório instalado na lateral do restaurante brasileiro de Alex Atala é, de fato, um mercadinho: bem pequeno. Por suas prateleiras, há doces, compotas e outros produtos garimpados Brasil afora, caso da cachaça paraense de jambu. Mas o lugar se notabiliza mesmo é pelos produtos de fabricação própria. Há bolos, como o de maçã perfumada com canela (R$ 14,00, 355 gramas) e o de abobrinha com castanha-do-pará (R$ 14,00, 510 gramas) — que, sim, é doce e bom. Aos que querem comer ali mesmo, apoiados no balcão, são servidos alguns sanduíches e uma deliciosa coxinha de pato no tucupi (R$ 9,00).

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Depois de reunir 11 000 pessoas no ano passado, a Feira Parte chega à sexta edição de casa nova: deixa o subsolo do paço das Artes na Cidade Universitária, agora desativado, para ocupar o Clube A Hebraica, à beira da Marginal pinheiros. o evento reúne 41 galerias, muitas de fora do circuito paulistano, entre quarta (2/11) e domingo (6/11). pontos positivos: o grande número de jovens artistas aumenta a chance de fazer bons negócios e o preço das obras fica visível para qualquer visitante, não é preciso nem perguntar. De 2 a 6/11/2016.
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  • A conhecida história dos irmãos que se perdem em uma foresta depois de deixar uma trilha de migalhas de pão ganha um novo ritmo nesta montagem. Ambientado no sertão nordestino, Uma Jornada de João e Maria reconstrói o conto com uma pitada de crítica social e a tentativa de conscientizar os pequenos sobre assuntos como a seca e a fome. No enredo João (Francisco Wagner) e Maria (Heidi Monezzi) são deixados longe de casa pelos pais (Danilo Minharro e Priscila Schimit), que querem dar um futuro melhor a eles. A trama se desenrola em diversas aventuras na cidade grande, onde a famosa bruxa má vira a pomposa dona de uma loja de doces. O elenco fca em contato constante com o público, inclusive andando entre as poltronas. As reviravoltas na história não ajudam no desenvolvimento do roteiro, é verdade. Também desviam a atenção as muitas trocas de roupa dos engraçados personagens coadjuvantes, que se revezam sem nunca sair do palco. Mesmo com um tropeço aqui ou ali, a adaptação comandada pelos diretores Bruno Cordeiro e João Alves acha o caminho de volta para a originalidade e transforma a peça em uma ex periên cia divertida. (60 min). Rec. a partir de 3 anos. Estreou em 19/09/15.
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  • Clássico dos clássicos do autor santista Plínio Marcos (1935-1999), o drama Navalha na Carne é constantemente revisitado. Só no ano passado, o texto originou três montagens vistas na cidade. Diante de tantas variações sobre o mesmo, haja criatividade. Logo, uma encenação proposta pelo inventivo Teatro Oficina Uzyna Uzona chega cercada de natural expectativa. O que se percebe, no entanto, vai pouco além do convencional benfeito. Sob a direção de Marcelo Drummond, a peça, ambientada em um quarto de pensão, tem o cenário realista reproduzido no fundo da pista central do Oficina. Por lá, a veterana prostituta Neusa Sueli (interpretada por Sylvia Prado) mora com o cafetão Vado (vivido por Drummond), que a acusa de não repassar o lucro da noite anterior. Tony Reis representa Veludo, o faxineiro e detonador do conflito. Os vídeos, captados simultaneamente, são projetados o tempo inteiro, inclusive com imagens da área externa da Rua Jaceguai. Usado como diferencial, o recurso interfere na dramaticidade. O trio de atores adota um tom mais baixo, que diminui a tensão fundamental. Para Sylvia, essa opção gera pontos e acentua o cansaço da personagem. Já para Drummond compromete a agressividade do proxeneta, dando-lhe uma caráter bem menos ameaçador. A surpresa fica por conta de Reis, responsável por um Veludo capaz de dosar o estereótipo gay com a fragilidade e a opressão (60min). 16 anos. Estreou em 17/10/2015. 
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  • Marcos Loureiro dirige o drama de Sergio Mello. Uma garota e dois rapazes têm a vida transformada depois de ser presos na saída de um bar. Com Bruno Mograbi, Luiz Gustavo e Roberta Uhller. De 9/10/2015. Até 7/11/2015.
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  • De Mário Bortolotto. O comportamento doentio de dependentes de cocaína é foco de uma trama não maniqueísta. A ação desenrola-se num quarto de hotel vagabundo, no qual personagens marginais se encontram. Com Henrique Stroeter, Jorge Cerruti, Paulo Vinícius, Sergio Mastropasqua, Débora Ester, Carcarah, Thereza Piffer e Bebel Ribeiro. Estreou em 21/05/2002. Até 15/12/2015.
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  • O Maglore é formado por Teago Oliveira, Rodrigo Damati e Felipe Dieder. Na noite de sexta (9/9/2016) a banda lança no Z Carniceria o clipe de "Serena Noche".
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  • Vin Diesel tenta, tenta, tenta... mas não consegue ser mais do que o astro da cinessérie Velozes & Furiosos. Fez algumas tentativas, como enveredar pelo humor na comédia Operação Babá ou pelo drama de tribunal em Sob Suspeita. Sua mais recente incursão envereda no terreno da fantasia de terror. O Último Caçador de Bruxas, de arrancada promissora, começa na Idade Média e flagra Diesel como o valentão Kaulder. Ele e um grupo de homens creditam a peste negra às bruxas e, por isso, encurralam a rainha delas. Kaulder consegue matá-la, mas, antes, a feiticeira joga uma maldição: ele terá vida eterna. E assim será. Nos dias de hoje, Kaulder participa de uma organização secreta cujo objetivo é procurar bruxas praticantes da magia negra. Há séculos, ele tem sucessivos protetores chamados de Dolan. O 36º membro, um padre interpretado por Michael Caine, morre e, tudo indica, o responsável foi um ser do mal. O roteiro se mostra frágil e confuso em uma série de reviravoltas nada convincentes. O.k., para quem busca um programa, digamos, diferente, os efeitos visuais até seguram as pontas. O duro, contudo, será aguentar Vin Diesel bancando o sujeito compenetrado ou o sofredor. Aí, já é pedir demais. Estreou em 29/10/2015.
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  • Comédia dramática

    Ruth & Alex
    VejaSP
    1 avaliação
    Diane Keaton e Morgan Freeman estão nos papéis-título da comédia dramática. Ruth e Alex moram há quatro décadas no Brooklyn, em Nova York, mas precisam mudar rapidamente. As dores da velhice estão batendo à porta e Alex já não tem mais fôlego para subir muitos degraus. Um apartamento com elevador seria a solução e, para isso, entra em cena uma ágil corretora (Cynthia Nixon) com a intenção de vender o imóvel do casal. O espirituoso humor do protagonista, um artista plástico que não vende mais como antigamente, garante bons momentos à trama. Contudo, o roteiro estica a mesma situação até o limite, passa de raspão pelo preconceito racial (o par está junto desde os turbulentos anos 70) e injeta conflitos tolos a fim de deixar o enredo com estofo, digamos, dramático. Estreou em 5/11/2015.
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  • Tom Courtenay e Charlotte Rampling levaram o prêmio de melhor ator e melhor atriz no Festival de Berlim de 2015. Sobretudo a estupenda atuação dela dá valor ao drama 45 Anos. Conforme aponta o título, Geoff e Kate Mercer estão juntos há mais de quatro décadas. Às voltas com os preparativos do 45º aniversário de casamento, eles levam uma tranquila vida de aposentados no interior da Inglaterra. Algo, porém, vai tirar a harmonia da relação. Geoff recebe uma carta da Suíça em que se informa que o corpo de sua primeira namorada (e grande paixão de sua vida) foi encontrado congelado nos Alpes — a jovem havia desaparecido no início dos anos 60. Enquanto o marido não sabe direito como lidar com a situação, a esposa sai dos trilhos (à fria moda inglesa), deixando transparecer um ciúme excessivo. Andrew Haigh dirigiu, anteriormente, dois longas-metragens de temática homossexual e, aqui, força a barra no roteiro, transformando um conflito do tamanho de um pingo d'água em uma tempestade. Estreou em 29/10/2015.
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  • Sem ousadias nem pretensão, o eficiente documentário Betinho — A Esperança Equilibrista vai direto ao ponto para registrar a trajetória de Herbert de Souza (1935-1997). O sociólogo mineiro, ativista político na época da ditadura militar, exilou-se no Chile e foi até assessor do então presidente Salvador Allende. Depois, Betinho partiu para o Panamá e, então, para o Canadá. Voltou ao país em 1979 ao som do “hino da anistia”, O Bêbado e a Equilibrista, canção que tinha o memorável trecho “Meu Brasil, que sonha com a volta do irmão do Henfil”. Só (re)lembrando: os manos Betinho, o cartunista Henfil e o músico Chico Mário eram hemofílicos e, em transfusões de sangue, contraíram o vírus da aids. O filme repassa a vida e a obra deixada por Betinho, como o programa social Ação da Cidadania contra a Fome, a Miséria e pela Vida. Entre muitas imagens de arquivo, surpreende o videoclipe A Luz do Mundo, que reuniu, em 1991, Gil, Caetano, Gal, Xuxa, Renato Russo, Lobão e outros famosos da música. Estreou em 29/10/2015.
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  • Quase tudo conspirava a favor: a direção de Olivier Dahan (de Piaf), a fotografia de Eric Gautier (Diários de Motocicleta) e, vá lá, a presença de Nicole Kidman numa cinebiografia da atriz e princesa Grace Kelly (1929-1982). Mas Grace de Mônaco promete mais do que cumpre. Entre 1961 e 1962, a protagonista, já casada com o príncipe Rainier (Tim Roth) e ainda querendo voltar a atuar (ela havia sido convidada por Hitchcock para estrelar Marnie, Confissões de uma Ladra), encarou um desafio para ajudar o marido. A França de Charles de Gaulle impôs um bloqueio ao principado de Mônaco e Grace foi peça fundamental para resolver o impasse. Trata-se de um momento da vida da estrela, vencedora do Oscar por Amar É Sofrer (1954), pouco lembrado e, daí, relevante de ser levado às telas. A opção de centrar o roteiro apenas em dois anos (e praticamente no tema político) pode, igualmente, causar decepção. A realização de Dahan também deixa a desejar. Há excessivos closes no rosto (esticadíssimo) de Nicole, atuações na base da caricatura de outros famosos (Hitchcock, Onassis, Maria Callas) e uma onipresente trilha sonora, que pontua das emoções ao suspense. Como desfile de moda, o filme é um luxo. Peças vintage e réplicas das roupas originais, de grifes como Chanel, Lanvin, Dior, Hermès e Cartier, servem para um belo e raro desfile de moda. Estreou em 29/10/2015.
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  • Vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes deste ano, Dheepan — O Refúgio leva a assinatura no roteiro e tem a eficiente direção de Jacques Audiard (de O Profeta). Dheepan (Jesuthasan Antonythasan) é o nome de um guerrilheiro do Sri Lanka que, devido aos conflitos em seu país, se “reinventa” para sair de lá. Com passaportes falsos, ele mais a jovem Yalini (Kalieaswari Srinivasan) e a menina Illayaal (Claudine Vinasithamby) conseguem embarcar para a França e convencem as autoridades de que são uma família. Enviados a Le Pré-Saint-Gervais, subúrbio de Paris, Dheepan descola emprego como zelador, Yalini começa a trabalhar como doméstica e Illayaal volta à escola. A adaptação será difícil, sobretudo porque eles não falam francês. Mas algo pior está a caminho. O lugar onde vivem serve de ponto de encontro de traficantes e, não raro, há um clima tenso no ar. O realizador acerta ao fazer um registro atual e impactante dos refugiados asiáticos sem abrir mão de tecer uma crítica ao seu país. Incompreensível, porém, como Audiard, sintonizado com os problemas sociais no mundo, deslize, justamente, na última (e inverossímil) sequência. Por isso, perdeu uma estrela na cotação. Estreou em 29/10/2015.
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  • O americano, outra vez!

    Atualizado em: 30.Nov.2015

Fonte: VEJA SÃO PAULO