A série Iconoclássicos fez sucesso no ano passado com documentários sobre importantes nomes da cultura brasileira das últimas décadas. Nesta sexta (11) e sábado (12), dois títulos da série, “Daquele Instante em Diante” e “Evoé! Retrato de um Antropófago” ganham reexibição no Itaú Cultural.
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A programação conta com “Daquele Instante em Diante”, que apresenta a controversa figura do músico e poeta Itamar Assumpção, considerado “maldito da MPB”. Itamar se destacou na cena musical paulistana alternativa entre as décadas de 1980 e 1990, sobretudo com os discos “Sampa Midnight” (1983) e “Pretobrás” (1998).
“Evoé! Retrato de um Antropófago”, dirigido por Tadeu Jungle (de “Amanhã Nunca Mais”) e Elaine Cesar também será reprisado. O filme, um registro do polêmico Zé Celso e o mítico Teatro Oficina, conta com passagens emblemáticas, como a do diretor encenando a devoração do Bispo Sardinha por índios canibais no século XVI.
Os ingressos são gratuitos.
Por Miguel Barbieri Jr.
Em 1995, o estúdio Pixar e seu “Toy Story” provocaram uma revolução: foi o primeiro desenho animado integralmente feito por computadores cujo roteiro espertíssimo agradou à criançada sem deixar os pais entediados. De lá para cá, os traços se sofisticaram e outras produtoras passaram a disputar o mesmo público. Uma delas é a inglesa Aardman, especializada em animações com massinha, entre elas a talentosa “A Fuga das Galinhas” (2000). Depois do admirável “Operação Presente”, lançado no fim do ano passado, a Aardman dá nova prova de vigor. Embora “Piratas Pirados!” tenha ação e graça para deixar a garotada vidrada, há piadas direcionadas aos adultos — a começar pelo maluco enredo trazendo, além dos piratas, personagens como a Rainha Vitória, Charles Darwin, a escritora Jane Austen e até Joseph Merrick, o Homem Elefante. Na trama, ambientada na Inglaterra de 1837, o decadente Capitão Pirata pretende ganhar um troféu cobiçado por todos os corsários. Quem fizer a maior pilhagem leva a estatueta de Pirata do Ano. Nos ralos saques pelos mares, o protagonista e sua tripulação encontram Charles Darwin, cientista cuja riqueza vem da sabedoria. O naturalista faz, então, uma revelação estarrecedora: o papagaio de estimação do Capitão é, na verdade, um dodô, uma ave rara e em extinção. A seguir, vem a proposta. Todos devem ir a Londres e levar o pássaro para disputar um valioso prêmio numa feira de ciências. Eis mais um ótimo exemplo de vida inteligente no universo animado. Do período escolhido (o primeiro ano da era vitoriana) à vilã glutona saída do Palácio de Buckingham, os saborosos ingredientes, combinados à técnica impecável, tornam o longa-metragem um passatempo anárquico e irresistível para todas as idades.
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Por Miguel Barbieri Jr.
Do mesmo diretor do premiado “Shakespeare Apaixonado” (1998), a comédia dramática faz um registro bacana e alto-astral da terceira idade, além de contar com um excelente time de atores britânicos. A primeira hora do roteiro é dedicada a apresentar os personagens e mostrá-los em situações divertidas. Da metade em diante, os dramas e os romances invadem a história tornando-a previsível e sentimental — esses detalhes não prejudicam a narrativa fluente. Na Inglaterra, sete idosos decidem fazer algo extravagante: passar uma longa temporada na Índia. Eles se conhecem no aeroporto e ficam amigos. Enquanto a viúva Evelyn (Judi Dench) quer escrever um blog, o juiz aposentado Graham (Tom Wilkinson) vai atrás de um amor do passado. Há ainda um casal (Bill Nighy e Penelope Wilton) numa relação desgastada, um mulherengo (Ronald Pickup) e uma espevitada senhora (Celia Imrie), ambos à procura da cara-metade. Mais deslocada do grupo, a preconceituosa Muriel (Maggie Smith) atravessou o mundo para conseguir uma cirurgia no quadril mais barata. O hotel Marigold, em Jaipur, escolhido por eles via internet, será o refúgio. Mas, chegando lá, o local parece uma hospedaria caindo aos pedaços, mas tocada com afinco por Sonny, papel de Dev Patel, o rapaz de “Quem Quer Ser um Milionário?”.
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Por Miguel Barbieri Jr.
O cineasta Rogério Sganzerla morreu em 2004, aos 57 anos, e deixou uma filmografia cujo expoente é “O Bandido da Luz Vermelha” (1968). Cult do cinema udigrudi (apelido nacional para underground, dado por Glauber Rocha), a fita ganhou uma espécie de continuação com roteiro legado por seu realizador. Helena Ignez, viúva de Sganzerla, dirige “Luz nas Trevas — A Volta do Bandido da Luz Vermelha”, auxiliada por Ícaro Martins (de “O Olho Mágico do Amor”). A brincadeira tem a alma irônica de seu criador e, para entrar no espírito da coisa, precisa ser encarada como um policial malicioso e kitsch. Embora simples, a trama possui diálogos empolados e pouco naturais, em mais uma referência aos filmes brasileiros antigos. Nesta sequência pop retrô, com imagens e sons recuperados do original, o cantor Ney Matogrosso interpreta Luz Vermelha. Preso há mais de trinta anos, o criminoso reencontra o filho que teve com uma amante (Sandra Corveloni). Jorge (André Guerreiro Lopes) descobre o passado do pai e também vira ladrão para torrar a grana em farras — mesmo objetivo do bandido da década de 60. Além da bela fotografia em tons de verde e vermelho de José Roberto Eliezer (“O Cheiro do Ralo”) e das pinçadas locações paulistanas, a produção escalou, para rápidas participações, uma eclética seleção de personalidades-símbolo da cidade: Arrigo Barnabé, Bruna Lombardi, Mário Bortolotto, Sérgio Mamberti, José Mojica Marins, Thunderbird e Phedra D. Córdoba, entre outros.
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Por Miguel Barbieri Jr.
Battleship é um jogo de batalha naval da Hasbro, que serviu de base para essa aventura de ficção científica. Escrito pelos irmãos Jon e Erich Hoeber (os mesmos do medonho “Terror na Antártida”), o roteiro ultrapassa o limite da fantasia e do bom senso. Embora o grande prólogo se aproxime de um drama romântico, o restante vem carregado de efeitos visuais megalomaníacos e barulheira sem fim. Na trama, Alex Hopper (o insosso Taylor Kitsch, de John Carter) só quer sombra e água fresca até o dia em que seu irmão, o comandante da Marinha Stone (Alexander Skarsgard), lhe dá um ultimato. Como está apaixonado pela fisioterapeuta Sam (Brooklyn Decker), filha de um almirante (Liam Neeson), Alex decide seguir a carreira do irmão. Em treinamento nos mares do Havaí, eles e a tripulação dos navios vão deparar com gigantescas naves vindas do fictício planeta G. A partir daí, o longa-metragem vira uma batalha ensurdecedora entre humanos e alienígenas. Para não ir muito longe, o enredo parece uma mistura esdrúxula de fitas como “Predador”, “Alien” e “Transformers”. O resultado vem revestido de um meloso ufanismo americano e fica aquém de qualquer expectativa. Estreante no cinema, a estrela da música Rihanna não canta nem encanta.
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Por Miguel Barbieri Jr.
Raoul Ruiz (1941- 2011) levou a literatura de Marcel Proust ao cinema em “O Tempo Redescoberto” (1999) e aqui fez uma adaptação do romance homônimo do português Camilo Castelo Branco. Vá preparado: são quase quatro horas e meia para contar um drama de amores não correspondidos, cartas roubadas, decadência social, sede de vingança e tentativas de assassinato. No centro da trama está Pedro da Silva (José Afonso Pimentel, na fase adulta). Quando criança, esse órfão foi aluno de um internato religioso e tinha um aliado: o libertino padre Dinis (Martin Loizillon), o único que podia livrá-lo dos fantasmas do passado.
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Por Miguel Barbieri Jr.
Seja no cinema-verdade (“Que Bom Te Ver Viva”) ou na ficção (“Quase Dois Irmãos”), a diretora carioca gosta de abordagens políticas. Neste documentário autobiográfico, Lucia remexe no baú das memórias para trazer à tona a história dela e de seus dois irmãos. Por meio de fotos e imagens antigas, além de entrevistas, o roteiro relembra os anos de Lucia como prisioneira política e a viagem ao exterior feita pelo caçula, Heitor, na mesma época — a turbulenta década de 70 do período militar. A trajetória de Miguel, o outro irmão, já morto, pouco aparece. Caio Blat surge para interpretar as cartas enviadas por Heitor à família, recurso dramatúrgico que não funciona. Embora corajosa por abrir sua vida íntima, Lucia se atropela na narrativa e deixa de contar sua trajetória a partir do momento no qual virou cineasta. A partir daí, o filme é só de Heitor. Diagnosticado com esquizofrenia (nunca revelada), ele não tem papas na língua nem vergonha de rememorar suas maluquices de Londres à Índia.
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Por Miguel Barbieri Jr.
O primeiro documentário em longa-metragem da diretora registra o cotidiano de quatro estudantes brasileiros. Nos Estados Unidos, Victoria Saramago faz doutorado em cultura ibérica e latino-americana enquanto, em Harvard, Caetano Altafin está se especializando em direito corporativo. O mineiro Willian Cortopassi deixou a família em Belo Horizonte a fim de se dedicar à faculdade de química no Instituto Militar de Engenharia (IME), no Rio de Janeiro. E, na Alemanha, o pianista Fábio Martino faz mestrado na Universidade de Karlsruhe. São histórias curiosas, sobretudo por mostrar a garra de jovens que, dispostos a crescer profissionalmente, precisam, muitas vezes, encarar a solidão. A melhor tradução disso é a cena do jantar virtual, em comemoração ao Dia dos Namorados, feito através do Skype pelo carioca Caetano. Apesar da realização certinha, o filme não se aprofunda nem mostra um contraponto para o tema educacional, além de tentar ganhar maior duração abusando de sequências tolas.
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Na quarta (16), começa a 65ª edição do já tradicional Festival de Cannes, o mais prestigiado evento de cinema do mundo, onde grandes produções são exibidas em concorridas avant-premières.
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Entre os destaques deste ano está a homenagem ao cinema brasileiro, com Cacá Diegues à frente do júri da sessão Câmera de Ouro, e Karim Aïnöuz no júri da mostra competitiva. Serão exibidos o documentário “A Música Segundo Tom Jobim”, de Nelson Pereira dos Santos e a nova produção de Walter Salles, “On the Road”, que concorre à Palma de Ouro. A brasileira Juliana Rojas, que exibiu com Marco Dutra o elogiado “Trabalhar Cansa”, no ano passado, retorna ao festival com o curta “O Duplo”.
Confira abaixo 12 curiosidades sobre o Festival de Cannes.
1. O festival foi criado em 1946 pelo ministro Jean Zay, que havia se horrorizado com a ingerência dos governos fascistas italiano e alemão no Festival de Veneza. A primeira edição da festa deveria ter ocorrido ainda em 1939, com presidência de Louis Lumière, considerado um dos pais do cinema, mas foi cancelada devido ao estouro da Segunda Guerra.
2. As primeiras edições do festival, embora luxuosas, sofriam com a falta de verba. Entre 1948 e 1950 a festa não aconteceu e até 1955 não havia recursos para dar um troféu aos vencedores. Em 1955 foi introduzido pelo comitê organizador a Palma de Ouro como prêmio principal. Antes, o prêmio tinha o nome de Grand Prix du Festival international du Film.
3. O primeiro filme vencedor da Palma de Ouro foi “Marty” de Delbert Mann. Até hoje, este é o único filme a ganhar a Palma de Ouro e o Oscar de Melhor Filme num mesmo ano.
4. O polêmico “Hiroshima, Mon Amour”, de Alain Resnais, foi censurado pela curadoria do Festival em 1959, onde se redimiu, ganhando o prêmio da crítica. Aquele ano foi bom também para Truffaut, que ganhou o prêmio de direção por “Os Incompreendidos”.
5. O festival de 1968 não chegou até o fim. Um grupo de cineastas, entre eles François Truffaut, Roman Polanski, Claude Lelouch e Louis Malle pediram a interrupção de todas as projeções em solidariedade aos operários e estudantes em greve. Eles pediam também que os filmes fossem enviados a Paris para exibições gratuitas. As salas de exibição do Festival, em seguida, foram tomadas por trabalhadores da indústria cinematográfica. Naquele ano não houve premiação.
6. A única cineasta mulher a vencer a Palma de Ouro foi Jane Campion, por “O Piano”, de 1993.
7. O design usado hoje para o prêmio, com um ramo dourado, foi desenhado por Thierry de Bourqueney em 1997. O troféu já havia passado por uma formulação cinco anos antes. O design original é de Lucienne Lazon.
8. A Palma de Ouro é composta de uma pirâmide de cristal e a palma é fabricada em ouro 24 quilates.
9. Francis Ford Coppola (“Apocalipse Now” e “A Conversação”), Shoei Imamura (“Chuva Negra” e a “Balada de Narayama”), Bille August (“Pelle, o Conquistador” e “As Melhores Intenções”), Emir Kusturica (“Zavet” e “Underground”), e os irmãos Luc e Jean-Pierre Dardenne (“A Criança” e “O Filho”) são os únicos cineastas que ganharam a Palma de Ouro duas vezes até hoje.
10. Entre os brasileiros premiados em Cannes estão as atrizes Fernanda Torres e Sandra Corveloni, por “Eu Sei que Vou te Amar”, de 1986, e “Linha de Passe”, de 2008, respectivamente.
11. Glauber Rocha já foi premiado por três filmes: “Terra em Transe” (1967) “O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro” (1969), e o curta “Di Cavalcanti” (1977). Até hoje, o único filme brasileiro a vencer a Palma de Ouro foi “O Pagador de Promessas” (1962), de Anselmo Duarte.
12. Em 2011 o dinamarquês Lars von Trier foi considerado persona non grata e expulso do festival, embora seu “Melancolia” tenha sido elogiado pelo júri. O cineasta foi acusado de fazer comentários simpáticos ao nazismo.
Oito complexos da rede Cinemark participam da promoção “Segunda Imperdível” – durante as segundas-feiras de maio (7, 14, 21 e 28), os ingressos serão vendidos a preço promocional: R$ 7,00 e R$ 3,50 (meia).
A promoção é válida para todos os filmes em cartaz e em todos os horários. Participam os complexos Shopping Metrô Tatuapé, Shopping Boulevard Tatuapé, Shopping D, Shopping Center Norte, Shopping SP Market, Shopping Interlagos, Raposo Shopping e Mooca Plaza Shopping.
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