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Anvisa confirma segundo caso de superfungo em hospital de Recife

Candida auris é resistente a antibióticos e outras formas de tratamento e representa um risco à saúde pública, diz agência

Por Redação VEJA São Paulo Atualizado em 13 jan 2022, 18h05 - Publicado em 13 jan 2022, 17h52

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) confirmou na tarde desta quinta-feira (13) o segundo caso positivo de Candida auris em um hospital de Recife (PE). Até então o caso era considerado apenas suspeito.

Nos dois casos, em um homem de 38 anos e em uma mulher de 70 anos de idade, o superfungo foi detectado em amostras de urina.

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“É importante esclarecer que, apesar de no momento haver só dois casos confirmados, pode-se considerar que há um surto de Candida auris porque a definição epidemiológica de surto abrange não apenas uma grande quantidade de casos de doenças contagiosas ou de ordem sanitária, mas também o surgimento de um microrganismo novo na epidemiologia de um país ou até de um serviço de saúde”, informou a agência, em nota.

O surgimento do Candida auris é tido como grave e coloca as autoridades de saúde em alerta. “Candida auris é um fungo emergente que representa uma séria ameaça à saúde pública”, informa a agência.

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Segundo a Anvisa, ele é multirresistente, ou seja, os medicamentos utilizados para combater fungos são ineficazes. Além disso, ele pode causar infecção de corrente sanguínea e outras infecções invasivas, podendo levar à morte, sobretudo em casos de pacientes com comorbidades.

Colônias de superfungo desenvolvidas em laboratório
Colônias de superfungo desenvolvidas em laboratório USP/Reprodução

“Pode permanecer viável por longos períodos no ambiente (semanas ou meses) e apresenta resistência a diversos desinfetantes”, afirma a agência.

Força-tarefa
O surto no hospital do Recife levou a criação uma verdadeira força-tarefa nacional. O hospital onde ele foi detectado, e que não teve o nome revelado, passou por visita técnica da Coordenação Estadual de Prevenção e Controle de Infecção de Pernambuco. Eles estão monitorando o surto e contam com a ajuda de vários órgãos estaduais e também do governo federal.

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Um deles é o Lemi/Unifesp (Laboratório Especial de Micologia da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo, que ficará responsável pelo sequenciamento dos casos isolados.

A Anvisa não informou detalhes das identidades dos casos positivos, e nem o estado de saúde dessas pessoas.

Perigo mundial

Identificado pela primeira vez em 2009 no canal auditivo de um paciente no Japão, o superfungo já teve casos identificados em países da Europa, Índia, África do Sul, Américas e Ásia.

Em 2016, a Opas (Organização Pan-Americana de Saúde) emitiu um alerta para que países da América Latina e Caribe adotassem medidas de prevenção e controle devido a surtos. O primeiro deles nas Américas foi na Venezuela, entre 2012 e 2013, e atingiu 18 pessoas.

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Segundo os especialistas, um dos maiores problemas do Candida auris é que ele pode ser confundido com outras infecções e levar a tratamentos inadequados.

Outro problema é a capacidade de detectar o fungo. Um estudo feito em 2017 por um pesquisador gaúcho constatou que e 130 laboratórios de centros médicos de referência na América Latina apenas 10% tinham capacidade de detecção de doenças invasivas de fungos de acordo seguindo os  padrões europeus.

No Brasil, o primeiro surto foi registrado em dezembro de 2020.

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