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Novo surto de superfungo é identificado em hospital de Recife

Anvisa recomenda que laboratórios de microbiologia intensifiquem vigilância; superfungo é resistente a antibióticos e outras formas de tratamento

Por Redação VEJA São Paulo 12 jan 2022, 19h42

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) emitiu um alerta na tarde desta quarta-feira a respeito de um novo surto de Candida auris, mais conhecido como superfungo, em um hospital da cidade de Recife (PE).

Segundo a agência, um caso foi confirmado e outro está sob investigação. Apesar do número ser pequeno, a Anvisa confirmou se tratar de um surto.

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“É importante esclarecer que, apesar de no momento haver só um caso confirmado e outro em análise no Brasil, pode-se considerar que há um surto de Candida auris porque a definição epidemiológica de surto abrange não apenas uma grande quantidade de casos de doenças contagiosas ou de ordem sanitária, mas também o surgimento de um microrganismo novo na epidemiologia de um país ou até de um serviço de saúde – mesmo se for apenas um caso”, informou a agência, em nota.

A identificação do caso foi feita pelo Lacen/BA (Laboratório Central de Saúde Pública Prof. Gonçalo Moniz), um dos laboratórios de referência do país.

O surgimento do Candida auris é tido como grave e coloca as autoridades de saúde em alerta. “Candida auris é um fungo emergente que representa uma séria ameaça à saúde pública”, informa a agência.

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Segundo a Anvisa, ele é multirresistente, ou seja, os medicamentos utilizados para combater fungos são ineficazes. Além disso, ele pode causar infecção de corrente sanguínea e outras infecções invasivas, podendo levar à morte, sobretudo em casos de pacientes com comorbidades.

“Pode permanecer viável por longos períodos no ambiente (semanas ou meses) e apresenta resistência a diversos desinfetantes”, afirma a agência.

Força-tarefa
O surto no hospital do Recife levou a criação uma verdadeira força-tarefa nacional. O hospital onde ele foi detectado, e que não teve o nome revelado, passou por visita técnica da Coordenação Estadual de Prevenção e Controle de Infecção de Pernambuco. Eles estão monitorando o surto e contam com a ajuda de vários órgãos estaduais e também do governo federal.

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Um deles é o Lemi/Unifesp (Laboratório Especial de Micologia da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo, que ficará responsável pelo sequenciamento dos casos isolados.

A Anvisa não informou as identidades dos casos positivo e suspeito, e nem o estado de saúde dessas pessoas.

Perigo mundial

Identificado pela primeira vez em 2009 no canal auditivo de um paciente no Japão, o superfungo já teve casos identificados em países da Europa, Índia, África do Sul, Américas e Ásia.

Em 2016, a Opas (Organização Pan-Americana de Saúde) emitiu um alerta para que países da América Latina e Caribe adotassem medidas de prevenção e controle devido a surtos. O primeiro deles nas Américas foi na Venezuela, entre 2012 e 2013, e atingiu 18 pessoas.

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Segundo os especialistas, um dos maiores problemas do Candida auris é que ele pode ser confundido com outras infecções e levar a tratamentos inadequados.

Outro problema é a capacidade de detectar o fungo. Um estudo feito em 2017 por um pesquisador gaúcho constatou que e 130 laboratórios de centros médicos de referência na América Latina apenas 10% tinham capacidade de detecção de doenças invasivas de fungos de acordo seguindo os  padrões europeus.

No Brasil, o primeiro surto foi registrado em dezembro de 2020.

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