Clique e Assine a partir de R$ 9,90/mês
A Tal Felicidade Saúde, bem estar e alegria para os paulistanos

Arte como caminho de cura e estímulo à saúde mental

Como o contato com a arte permite conectar-se à própria essência e se faz como um tipo de terapia?

Por Karol Martins, em depoimento a Helena Galante Atualizado em 26 Maio 2022, 19h51 - Publicado em 27 Maio 2022, 06h00

Tudo começou em abril de 2019, antes de nem sequer imaginar o que seria uma “pandemia” e entender absolutamente nada sobre problemas psicológicos. Com uma sequência de acontecimentos desastrosos (a morte dos meus avós, a perda do emprego e o término de um relacionamento), descobri que a “tristeza” de minha mãe não era somente uma fase ou uma reação passageira, mas sim uma doença traiçoeira — a depressão. E eu fazia parte do grande time “ignorante” que não conhecia nem entendia a doença. Estudei e dediquei atenção para ajudá-la.

Percebi, ao conversar com diversas pessoas, que problemas psicológicos eram muito mais comuns do que imaginava, estavam muito presentes na sociedade, o que me fazia questionar — se praticamente todos sofrem com algum distúrbio, por que ninguém fala sobre o assunto, por que não buscamos ajuda?

+ Bem-estar na veia

E então vieram os entendimentos. Esse é um grande tabu porque nós não aprendemos sobre o que sentimos em lugar algum, não falamos sobre saúde mental na nossa casa, com nossa família, não conhecemos nada sobre distúrbios nas escolas. Deveria ser comum. Assim como vamos ao dentista ao sentir uma dor de dente, deveríamos tratar da mesma maneira das questões ou confusões mentais. Deveria ser natural procurar ajuda, um psicólogo, fazer terapia. Todas essas questões me provocaram um grande incômodo e a necessidade de fazer algo.

Então identifiquei que a arte poderia ser um grande caminho de cura para a depressão, constatando que havia uma melhora sempre que minha mãe entrava em contato com ela. Entendi que quando você está em contato com a arte, seja criando ou apenas apreciando, é como se tudo ao redor silenciasse, você se conecta com sua essência e consequentemente experimenta um tipo de terapia.

Assim nasceu a Feira Criativa Mente, com o propósito de quebrar o tabu sobre a depressão e disseminar informação de uma forma leve e disruptiva, estimulando a saúde mental em um evento repleto de arte, música, empatia e cultura. Além de reunir pequenos produtores, oferecendo espaço e oportunidades para apresentar e vender seus trabalhos, fazemos sempre uma roda de bate-papo aberta e descontraída para falarmos sobre questões psicológicas e cotidianas, levando informação e gerando trocas.

Com oito edições já realizadas em São Paulo, passamos por diversas regiões, como Pinheiros, Mooca, Jardins e Vila Madalena. As feiras ocorrem de
forma itinerante, justamente para levar informação ao maior número possível de pessoas.

+ A sabedoria de plantar e colher o melhor dos signos

Hoje, minha mãe, Helena, continua em tratamento, mas afirma que o projeto a salvou e resgatou. Ela é a responsável pela curadoria dos artesãos: faz todo o atendimento aos pequenos produtores, o que acabou dando origem a uma verdadeira rede de apoio. Através do trabalho, das conversas e trocas, criam-se conexões e cumplicidades.

Continua após a publicidade

Os participantes identificam que a arte é realmente um caminho de cura para inúmeras pessoas, além de, claro, ser fonte de renda através da economia criativa. Helena também criou a Vitrine Virtual Criativa, iniciativa que ajudou inúmeros pequenos produtores pelo Brasil durante a pandemia.

Estamos crescendo, realizando edições mensais da feira, e temos novos projetos, como uma plataforma digital e um espaço físico, para se tornar o primeiro Hub Criativo de apoio à arte e à saúde mental. Acredito que nada é por acaso. Se aplicarmos o conceito da resiliência, extraindo oportunidades dos desafios que vivemos, poderemos, com certeza, fazer deste mundo um lugar melhor para todos.

A próxima edição da FEIRA CRIATIVA MENTE (@criativamente.arte) acontece no domingo (29) na Vila Madalena, com atividades gratuitas para todas as idades. A programação está disponível em projetocriativamente.com.br.

Karol Martins aparece sorrindo com uma das mãos na cintura
Karol Martins é bacharel em marketing, especialista em comunicação com mais de quinze anos de experiência no mercado corporativo, atuando com planejamento estratégico e eventos de grande porte. Pós-graduada em gestão de negócios com ênfase em marketing pela ESPM, é também coautora do livro Uma Viagem para Empreender 2. Divulgação/Divulgação

A curadoria dos autores convidados para esta seção é feita por Helena Galante. Para sugerir um tema ou autor, escreva para hgalante@abril.com.br

+Assine a Vejinha a partir de 12,90. 

Publicado em VEJA São Paulo de 1 de junho de 2022, edição nº 2791

Continua após a publicidade

Publicidade

Essa é uma matéria exclusiva para assinantes. Se já é assinante, entre aqui. Assine para ter acesso a esse e outros conteúdos de jornalismo de qualidade.

Essa é uma matéria fechada para assinantes e não identificamos permissão de acesso na sua conta. Para tentar entrar com outro usuário, clique aqui ou adquira uma assinatura na oferta abaixo

Para entender e curtir o melhor de SP, Veja São Paulo. Assine e continue lendo.

Impressa + Digital

Plano completo da VejaSP! Acesso aos conteúdos exclusivos em todos formatos: revista impressa, site com notícias e revista no app.

Resenhas dos melhores restaurantes, bares e endereços de comidinhas de São Paulo.

Receba semanalmente VejaSP impressa mais acesso imediato às edições digitais no App Veja, para celular e tablet.

a partir de R$ 19,90/mês

MELHOR
OFERTA

Digital

Plano ilimitado para você que gosta de acompanhar diariamente os conteúdos exclusivos no site e ter acesso a edição digital no app.

Resenhas dos melhores restaurantes, bares e endereços de comidinhas de São Paulo.

a partir de R$ 9,90/mês

ou

30% de desconto

1 ano por R$ 82,80
(cada mês sai por R$ 6,90)