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Blog do Lorençato

Por Arnaldo Lorençato Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
O editor-executivo Arnaldo Lorençato é crítico de restaurantes há mais de 30 anos. De 1992 para cá, fez mais de 16 000 avaliações. Também comanda o Cozinha do Lorençato, programa de entrevistas e receitas no YouTube. O jornalista é professor-doutor e leciona na Universidade Presbiteriana Mackenzie

Memória: Mario Tatini (1928-2020), fundador do restaurante Tatini

Grande na elegância e na delicadeza, restaurateur que sofreu de mal de Parkinson durante 23 anos morreu nesta quinta (4) aos 92 anos

Por Arnaldo Lorençato Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
4 jun 2020, 16h07 • Atualizado em 20 jan 2022, 14h09
Criador do Tatini: família era do ramo da gastronomia (Pedro Mesquita/Divulgação)
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  • Sinônimo de elegância ao conduzir seu restaurante, Mario Tatini morreu hoje (4) aos 92 anos. Ele fazia parte de uma antiga escola desse ramo da gastronomia que vem desaparecendo: a dos grandes restaurateurs, os donos de restaurante que sabem receber sem ser invasivos e fazer o cliente se sentir na sua própria casa. Uma arte.

    Mario vinha de uma família ligada à gastronomia, que desembarcou no porto de Santos em 1953. Nessa época, era um rapagão de fina estampa, já dedicado às artes de receber e da boa mesa. Mas quem conduzia os negócios era seu pai, Fabrizio. Com o nome de Don Fabrizio, o restaurante funcionou de 1954 a 1979 na Avenida Ana Costa.

    Desde o início, porém, Fabrizio percebeu que sua culinária refinada também seria apreciada na capital. Em 1957, chegava a São Paulo. Liderado por Fabrizio e sua mulher, Santa Maria, os filhos Mario, Athos, Yolanda, Dino e Aradan se dedicaram ao restaurante, que foi vendido em 1982.

    Tatini: linguine nel grana padano
    Linguine nel grana padano preparado no salão: clássico da casa (Clayton Vieira/Veja SP)

    Dos irmãos, só o primogênito permaneceu no ramo. Mario abriu, em 1983, o Tatini, que chegou a ter três endereços, dois deles com uma peculiaridade: ocupavam o térreo de flats. Pouco tempo depois, abriram em Alphaville. A partir de maio 1999, as atividades se concentram apenas na unidade da Rua Batatais, 558, no Jardim Paulista.

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    Nessa casa, Mario dividia a condução do salão e da cozinha com o filho, Fabrizio Neto. Entre os pratos de sucesso, está o linguine nel grana padano e fettuccine à don, variação do molho papalina acrescido de tirinhas de presunto cru salteado na manteiga com ovo batido. Certamente, quando o restaurante reabrir após o fim do isolamento social, os clientes não sentirão falta da receita feita com esmero, mas do grande anfitrião que foi seu fundador.

    Memória
    Com a esposa Gisela: família devotada à culinária durante 63 anos de casamento (Arquivo pessoal/Veja SP)

    Mario Tatini sofreu de mal de Parkinson durante 23 anos e morreu de insuficiência cardíaca. O filho Fabrizio conta que o pai “fazia fonoaudiologia, fisioterapia e seu paladar continuou exigente. Mas, sua delicadeza infinita não mais lhe permitia fazer críticas aos alimentos que lhe eram servidos. Dizia para minha mãe: ‘hoje não estou com fome’. Um exemplo de pai, amigo, professor, companheiro, patrão. Um homem honrado.” O restaurateur deixa a viúva Gisela, os filhos Paola, Thais, Andrea Claudia e Fabrizio, os netos Júlia Andrea, Pedro Mario, Thiago e André Fabrizio e as bisnetas Cecília e Sophia. Sua história ficou registrada no livro A Receita de Mario Tatini, escrito por Teresa Cristófani Barreto em 2004. Seguindo a tradição familiar, o neto Thiago montou o restaurante Casimiro, no edifício Santos Augusta, distante uma quadra da Avenida Paulista.

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    Há alguns anos, sondei Fabrizio se Mário poderia ir à premiação de VEJA SÃO PAULO COMER & BEBER. Ele explicou que não porque a doença incomodava demais o pai. Seria a oportunidade de o ter reconhecido como personalidade gastronômica do ano por tantos serviços prestados ao segmento. Fica aqui a minha homenagem.

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