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PM e USP vão ampliar a vigilância na Cidade Universitária

O objetivo é reduzir os problemas de violência no local

Por Ana Luiza Cardoso Atualizado em 1 jun 2017, 16h41 - Publicado em 8 ago 2015, 00h00

No primeiro dia de aula dos calouros da Faculdade de Odontologia da USP, o professor abriu um painel sobre a lousa. Mas, em vez de apontar a posição de molares na arcada dentária, indicou os locais da Cidade Universitária que deveriam ser evitados pelos estudantes para reduzir o risco de assalto. Também aconselhou os jovens a circular em grupos e sem celulares à mostra. As recomendações não bastaram para impedir que duas alunas do curso sofressem ataques, há quase dois meses. A primeira foi surpreendida por três homens em um estacionamento na Avenida Professor Lineu Prestes e escapou ao se refugiar em sua Mitsubishi Pajero, que tinha recebido blindagem de 30 000 reais. Minutos depois, uma colega não teve a mesma sorte: abordada em um ponto de ônibus, levou coronhadas no rosto e seu celular foi roubado.

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Os episódios mostram o crescimento dos índices de violência registrados no câmpus. Três estupros ocorreram na área da universidade somente em 2015 — no caso mais rumoroso, a vítima foi uma estudante de 17 anos, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade, atacada em junho na Praça do Relógio. Em outra estatística triste, o número de furtos de veículo aumentou 380% no primeiro semestre deste ano em comparação ao mesmo período de 2014. A Cidade Universitária conta hoje com um esquema de segurança baseado em 75 câmeras, 47 guardas particulares e 25 policiais militares, contingente muito pequeno para cuidar de uma área equivalente a 365 campos de futebol.

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Na tentativa de melhorar a segurança de estudantes, funcionários e professores, um plano entrará em operação neste semestre. Até o fim do ano que vem, a universidade ganhará 450 câmeras, seis vezes mais que a quantidade atual. As imagens serão transmitidas a partir de uma sala de monitoramento para o Centro de Operações da Polícia Militar, na Luz. A Superintendência de Prevenção e Proteção da USP também criará núcleos de direitos humanos para atender vítimas de violência e lançará um aplicativo no qual os próprios alunos comunicarão ocorrências.

Segurança USP Dados
Segurança USP Dados

A principal mudança, no entanto, envolve um sensível aperfeiçoamento do patrulhamento da Polícia Militar. A corporação vai inaugurar um prédio vizinho à reitoria, onde passará a comandar até 120 agentes. Todos usarão colete fluorescente, com os símbolos da USP e da PM, e terão o apoio de quatro motos e dois carros, o dobro da frota atual. Esse novo grupo está sendo formado principalmente por jovens, vários deles universitários, treinados em conceitos de “polícia comunitária”, considerada menos agressiva.

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Em aulas de direitos humanos, por exemplo, os cadetes analisaram casos de abuso de autoridade, como o do ex-policial Otávio Lourenço Gambra, o Rambo, acusado de torturar e matar um homem na Favela Naval, em Diadema, em 1997. Antes de começarem a atuar, eles serão apresentados pessoalmente a professores, funcionários e em centros acadêmicos. “A intenção é que seja uma polícia amiga da USP”, diz o superintendente de prevenção e proteção da universidade, José Antônio Visintin.

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Como sempre ocorre quando se discute a possibilidade de soldados reforçarem a patrulha, certas alas da comunidade universitária criticaram o plano. Alguns parecem querer discutir seriamente o assunto. “A PM cumpre um papel mais como órgão de repressão do que de segurança”, reclama Julia Forbes, uma das integrantes do Diretório Central dos Estudantes. Em maio, durante protesto contra o corte de verbas na universidade, uma aluna foi agredida por um policial, com spray de pimenta e um soco. O episódio acabou registrado em vídeo. Segundo a cúpula da PM, o caso representou uma exceção, e o responsável foi afastado. “Não vamos inibir nenhuma forma de expressão social ou política, e sim prevenir crimes”, garante o coronel Kenji Konishi, responsável pelo policiamento na área. Entre os estudantes e funcionários envolvidos no debate, além dos ingênuos de plantão, há a turma de interessados na manutenção da baderna e da permissividade no consumo de drogas, comum no local.

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Muitos alunos não fazem ressalvas à chegada do reforço. Eles esperam que casos como o do estudante Bruno Meller não voltem a se repetir. Ele sofreu uma tentativa de assalto, em junho, ao caminhar pelo câmpus à noite. Um homem de bicicleta aproximou-se, levantou a camisa como se fosse sacar uma arma e pediu que ele passasse o celular. Nervoso, o jovem fugiu. Desde então, tem voltado para casa correndo: “Passo o tempo todo olhando para os lados. Isso precisa melhorar”. 

Segurança USP
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