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“Escuto o silêncio da sua ausência”, lamenta Thales sobre Paulo Gustavo

Morte do humorista completa dois meses; viúvo prestou homenagem e criticou atitudes negacionistas do presidente Jair Bolsonaro

Por Redação VEJA São Paulo 5 jul 2021, 12h52

O médico Thales Bretas, viúvo de Paulo Gustavo, fez uma homenagem ao marido com um post neste domingo (4) no exato horário da morte do humorista, há dois meses. “Exatos dois meses sem a esperança de te reencontrar, de te ver acordar e te receber de braços abertos na nossa família e na nossa casa”, escreve no seu Instagram.

Ele diz que ficou dois meses “internado”, sentindo a presença de Paulo, ouvindo as músicas que ele gostava, lembrando do carinho que recebia. “Agora eu escuto o silêncio da sua ausência. Ainda mais forte que a sua presença avassaladora. Sempre penso: que sorte a minha ter vivido nesses 7 anos o maior amor que eu poderia experimentar! Nosso casamento, nossos filhos, nossa família, nossa rotina… Mas é inevitável pensar também o por quê disso tudo ter sido arrancado da minha vida tão precocemente!”.

Thales diz não se sentir injustiçado, mas afirma que se sente “uma das mais de 500.000 famílias brasileiras vítimas de uma pandemia e de um desgoverno avassalador nesse momento tão delicado em que o mundo vive. Quando mais precisamos de empatia, de saúde, de acolhimento, temos piadinhas infames e desrespeito dos que deveriam nos representar”.

A imagem mostra um prédio no Centro de São Paulo com o nome de Paulo Gustavo projetado nele além da frase
Projeção: Paulo Gustavo foi homenageado no Centro de São Paulo na semana de sua morte Reprodução Instagram/Veja SP

Nesta segunda-feira (5), em entrevista à Fátima Bernardes durante o programa Encontro, ele também tocou no assunto quando foi perguntado o que sentia ao ver faltas de incentivos às medidas de isolamento, uso de máscara e aglomerações.

“Indignação. A gente é vitima de uma pandemia mundial, é uma doença como já ouve em várias épocas eu acho que em esse momento que nós vivemos hoje, algumas atitudes do governo, de pessoas, são incabíveis. Tudo isso poderia ter sido prevenida numa escala maior, incentivado mascaras e isolamento social. Isso deveria ser feito de uma forma responsável e a gente tá tendo um desgoverno. E o próprio presidente não inspira confiança”, diz o médico.

Na conversa, ele alertou sobre os perigos da Covid-19, lembrando que Paulo Gustavo era uma pessoa saudável e foi acometido fatalmente pela doença. “A gente se cuidou, extremamente, de todas as formas possíveis. Quando nós nos encontrávamos com um casal de amigos, testávamos todo mundo. O protocolo super rigoroso”, explica.

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“Mas é um pouco uma loteria, e o que é preciso alertar a população é de como essa doença é imprevisível. O Paulo era uma pessoa jovem, saudável… Ele tinha uma asma controlada e teve esse desfecho terrível. Quando fiquei com ele na equipe vi o tanto que essa doença pega pessoas jovens, saudáveis. Conversei com atletas, médicos que tiveram”, alerta.

Thales também pediu empatia dos mais jovens para que não só cuidem deles mesmos como pensem no próximo. “Os jovens precisam ter essa consciência que eles podem ter a forma grave e ter também uma empatia pelo outro, que tem uma chance de ficar grave. Ninguém tá imune pra essa doença”.

Veja abaixo o post, na íntegra, de Thales Bretas em homenagem ao seu marido, Paulo Gustavo.

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