O espetáculo rosa na selva de pedra
Símbolo de longevidade e sabedoria no Japão, as cerejeiras florescem em São Paulo e tingem parques da capital em uma temporada curta e fascinante
É tempo de flores para a árvore considerada pelos japoneses símbolo de longevidade e sabedoria. A cerejeira, planta comum na Terra do Sol Nascente, e que lá floresce na primavera, abre as suas pétalas entre os meses de julho e agosto por aqui, colorindo a selva de pedra.
A chamada sakura matsuri — ou festa da cerejeira, em português — pode ser apreciada em diferentes locais da cidade, em especial no Parque do Carmo, na Zona Leste, que realiza um festival gratuito até 2 de agosto. O evento é promovido pela Federação Sakura e Ipê do Brasil em parceria com a prefeitura de São Paulo.
O fotógrafo Agliberto Lima esteve no parque no último domingo (26) para registrar as imagens que decoram as páginas desta matéria. “São Paulo encontrou uma maneira de recompensar os seus moradores com a beleza e a poesia na floração de suas árvores”, diz o fotógrafo baiano, radicado em São Paulo, cujo olhar treinado consegue enxergar beleza na megalópole.
A temporada é curtíssima. Normalmente, as flores duram apenas duas semanas, antes de começarem a cair e forrar o chão de flores em cores que vão do branco ao vermelho, passando pelo rosa. “Cerejeira é um nome dado para um grupo de espécies, seus híbridos e cultivares, da família botânica Rosaceae, gênero Prunus”, explica o botânico Eduardo Barretto, coordenador do Herbário Municipal de São Paulo.
“Esse grupo tem ocorrência no Leste Asiático, em países como Japão e China. Algumas espécies foram plantadas aqui, como Prunus campanulata, Prunus jamasakura e a híbrida Prunus x yedoensis.”
Segundo a botânica Sumiko Honda, também do Herbário, as cerejeiras possuem grande importância cultural no Japão, onde são chamadas de sakura. “A chegada das flores é festejada”, diz a especialista.
Além do Parque do Carmo — o seu famoso Bosque das Cerejeiras reúne mais de 4 000 árvores — a floração dessas plantas também pode ser apreciada no Parque Ibirapuera, dentro do Viveiro Manequinho Lopes, e no Parque Sena, na Zona Norte.
Eduardo esclarece que esse grupo de cerejeiras dá frutos, mas não cerejas, como seria de se esperar. “Esse mesmo gênero possui outras espécies que dão frutos comestíveis.” As que se exibem pela cidade são ornamentais





