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Comer & Beber 2012-2013: sommelier do ano

Manoel Beato, o responsável pelos vinhos do Grupo Fasano

Por Arnaldo Lorençato - Atualizado em 5 dez 2016, 16h54 - Publicado em 15 set 2012, 00h50

Um dos mais consagrados profissionais do vinho no país, Manoel Beato entrou nesse universo por acaso. Nascido em Vera Cruz, no interior do estado, ele veio para a capital depois de abandonar o curso de letras na Unesp de Assis. Em São Paulo, começou a trabalhar como garçom e deu expediente no hotel Maksoud, uma referência de luxo na época. Logo depois, migrou para o Saint Germain, restaurante que funcionava nos Jardins. Ali, Beato se viu pela primeira vez girando uma taça para liberar os ricos aromas da bebida. “Comecei a cuidar da adega, que tinha até Romanée Conti. Foi uma paixão fulminante”, diz.

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Como a bibliografia sobre o tema na época era escassa, ele raspou a poupança e pôs o pé no avião. Rumou para a Europa e fez escalas em Portugal e na França. Na região da Borgonha, foi colher uvas na propriedade de Jayer-Gilles, renomado produtor de Échezeaux. De volta a São Paulo, Beato participou da primeira turma da Associação Brasileira de Sommeliers — São Paulo, em 1989.

A grande virada em sua carreira viria em 1992, quando ele ingressou no Fasano, o mais premiado e classudo restaurante italiano da cidade. De aprendiz, Beato tornou-se mestre. Além de ministrar cursos, escreveu um guia de vinhos e enveredou pelo mundo das aguardentes brasileiras ao lançar, neste ano, o livro “Cachaça”, prefaciado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Craque do saca-rolhas, ele calcula provar cerca de 14.000 amostras da bebida a cada ano. Pode haver aí um certo exagero (seriam uns quarenta testes diferentes por dia), mas ele não se dá por vencido: como um dos seus ídolos, o crítico americano Robert Parker, afirma que consegue guardar na memória boa parte desses tonéis de fermentados.

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