Noite

O sucesso do novo bar Riviera

Récem-aberto, local vira um dos centros do agito na capital

Por: Luiz Henrique Ligabue

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O balcão serve como espera: até duas  horas uma mesa (Foto: Mario Rodrigues)

"Eu voltei! Agora pra ficar. Porque aqui, aqui é o meu lugar. Eu voltei pras coisas que eu deixei. Eu voltei!...” Nem Roberto Carlos poderia ser mais profético no ressurgimento, em setembro, do mítico bar Riviera, que causou um verdadeiro ti-t i-ti na turma mais badalada da cidade. Se antes, lá nos idos da década de 70, o lugar foi um reduto de comunistas, artistas, iconoclastas, barbudos, rebeldes, senhoras e pinguços de todas as cepas, hoje reúne da avant-garde da música a profissionais liberais, engravatados e celebridades de todos os calibres.

Todo mundo quer ver, ser visto e conferir o bar onde Chico Buarque bebeu uísque na juventude, Angeli achou a Rê Bordosa e gente como Jorge Mautner e Arrigo Barnabé compôs músicas; todos querem, enfim, estar no endereço cool sob o comando de dois dos mais queridinhos moradores da capital. Companheiros de barba na cara, porém de cor diferente, Alex Atala — o chef do sexto melhor restaurante do mundo (D.O.M)—  e Facundo Guerra — empresário da noite e doutor em ciências políticas pela PUC — são os responsáveis pela volta da casa. A dupla investiu um ano e meio em seu projeto comum.

Se, quando fechou as portas, em 2006, o local não passava de um pé-sujo decrépito, agora está clean, com projeto do arquiteto bambambã Márcio Kogan, mantendo suas marcas originais: a escadaria curva — à la E o Vento Levou... —, a parede de tijolos de vidro e as colunas que sustentam o Edifício Anchieta. Tudo comme il faut. Para completar a receita de sucesso, Atala se encarregou de criar o cardápio e Guerra, de tocar a operação e rechear os dois andares com a crème de la crème paulistana.

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A Riviera Jazz Band: toda sexta-feira (Foto: Mário Rodrigues)

O Riviera também virou casa de show. Mahmundi, Opala (duo com Maria Luiza Jobim, filha de Tom, e Lucas de Paiva), Felipe Cordeiro, Thiago Pethit e outros nomes da nova cena criam filas de dobrar o quarteirão. Só entram 180 mortais por vez, mas não raro o endereço costuma receber cerca de 300 almas a cada evento. “Funcionamos todos os dias com a capacidade máxima. As segundas e as terças-feiras são relativamente mais tranquilas”, afirma Guerra. Como não poderia deixar de ser, as noites têm curadoria, com toda a pompa necessária. Três lindas meninas (Roberta Youssef, Fernanda Couto e Debora Pill) mais o empresário comandam as noites para lá de disputadas.

Chegar depois das 20h30 é um convitea ingressar em outro clássico da metrópole— as filas de mais de uma hora. Na sexta retrasada, o repórter de VEJA SÃOPAULO pôs o nome na espera de uma mesa às 20h50 e recebeu uma ligação da hostess às 22h58 confirmando seu precioso lugar. Em uma quarta-feira recente, chegou meio atrasado, lá pelas 22 horas, deu sorte e conseguiu um banquinho na parede. Um mar de camisas xadrez, óculos de acetato, barbas, tatuagens, piercings, camisetas regata (argh!), bonés e boinas lotava o 2o andar.

No centro, entre as mesas onde o público se refestelava, sobre um tapete “persa”, flautinha, violão, teclado e Gui Amabis, que caprichava no gogó: “...E quando a terra mira o espaço; o verso tropeça no amor; e quando o fogo vira aço; vence a promessa que fiz...”. O resto não foi fácil de escutar, já que a turma estava mais interessada em outra coisa. Ainda bem.

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Debora Pill, Roberta Youssef, Fernanda Couto e Facundo Guerra: curadores musicais (Foto: Mario Rodrigues)

Qual o segredo do sucesso? Uma nipo-brasileira, de jaquetinha cáqui, que preferiu não se identificar, arriscou uma teoria. “É o conjunto de música, comida, bebidas, pessoas, o ambiente todo.” Já um grupinho de amigas, com idade entre 23 e 40 anos, de vestidinho curto, rímel nos olhos, cabelos chapeados, saltos agulha, atributos à vista, foi unânime: elas queriam ver o bar do Facundo Guerra e provar um pouco do Alex Atala. Não se importavam com a demora da fila.

Apesar de cheio, o bar não avança até tarde na noite. Fecha a cozinha às 23h30 e, nos fins de semana, à 1 hora. Durante o almoço é igualmente disputado. A versão executivo (R$ 35,00), by Atala, oferece um bufê de saladas, grão-de-bico com couve-flor e cebolinha, mexilhão ao vinagrete, legumes assados e até escabeche de codorna com legumes e coentro.

Raí, do alto de seu 1,89 metro, estava lá outro dia. Simpático, o ex-jogador do tricolor provava a codorna com salada do Alex. No menu, há ainda o afamado sanduíche royal, o bife à parmigiana, o steak tartare... Porém, não espere encontrar os pratos que fizeram a fama do super chef. O hambúrguer riviera, com queijo gruyère, cebola-roxa, tomate e rúcula, é sensacional. Os drinques são irregulares e numerosos no cardápio: 42 opções entre clássicos revisitados e criações próprias. Todos com preços comedidos, variando de 13 a 27 reais.

Outra novidade do bar foi o banheiro com parede de vidro voltada para a Avenida Paulista. “Riviera, o único lugar de São Paulo com um lavatório dedicado aos exibicionistas”, propagandeou Guerra no Facebook. Pena que a atração não vingou. Três semanas depois, uma película opaca foi instalada na tal parede. Nestes novos tempos, até o Riviera quer um pouco de censura. Ela chegou para não chatear os condôminos do edifício, que não gostaram de tamanha modernidade, mas ainda estão in love com “o” retorno.

Fonte: VEJA SÃO PAULO