Bebidas

Salve a caipirinha: manifesto pede cachaça no drinque

A mobilização em prol da cachaça recebeu apoio de donos de bares e de barmen da cidade

Por: Daniel Ottaiano - Atualizado em

Caipirinha - Mercearia do Conde
Caipirinha tradicional leva limão Taiti, cachaça e açúcar (Foto: Divulgação)

A receita é simples: limão, açúcar e cachaça. Variações no preparo da caipirinha são comuns, mas têm causado polêmica. O manifesto “Salve a Caipirinha” pede o resgate do drinque tradicional, que deve ser feito apenas com o destilado de cana-de-açúcar, em vez da vodca ou saquê.

A campanha foi organizada pela Leblon Cachaça, produzida em Patos de Minas (MG), que tem como presidente o norte-americano Steve Luttmann e, como mestre destilador, o francês Gilles Merlet.

“Quando descobri que 60% dos consumidores brasileiros da classe alta consumiam caipirinha com vodca, para mim foi inacreditável”, diz Luttmann para explicar a razão de seu envolvimento com o manifesto. “É um programa de educação. (Os brasileiros) têm que aprender que existem cachaças boas.”

A relação do empresário com o drinque começou em 1997, quando veio visitar o país e provou a caipirinha. “Eu sou um fã de margarita e mojito. Tomei uma caipirinha e pensei: ‘Isso é muito melhor’.”

A mobilização em prol da cachaça recebeu apoio de donos de bares e de barmen da cidade. É o caso do chileno Rodrigo Sepúlveda, que trabalha no bar do L’Entrecôte De Ma Tante. Para ele, é válida a intenção de conscientizar os brasileiros para reconhecer a caipirinha com cachaça como a bebida oficial do país. Sua sugestão é a criação de uma “denominação de origem”, como acontece com os espumantes feitos na região de Champanhe (França) ou os brandies feitos em Cognac.

Sepúlveda, no entanto, acredita no livre-arbítrio dos clientes. “Por ser um drinque polivalente, muito fácil de preparar, surgiram variações”, defende o barman. Ele explica que, normalmente, a cada dez caipirinhas pedidas em bares, cinco costumam ser de vodca, três de saquê e duas de cachaça.

Lá não é como cá

A Associação Internacional do Barmen (IBA, na sigla em inglês) já reconhece a caipirinha como um drinque clássico. O selo da organização garante que bebidas como o dry martini sejam feitas da mesma forma e com os mesmos ingredientes tanto em Londres quanto em Xangai, por exemplo. O selo também faz a fama da bebida no mundo inteiro. Esse é o princiopal argumento que Luttmann usa para focar sua campanha no Brasil, e não no exterior. “O estrangeiro toma muito mais cachaça do que o próprio brasileiro, que ainda tem esse preconceito, essa descriminação”, concorda Sepúlveda.

O mexicano Hugo Delgado, sócio do restaurante Obá, segue a mesma linha de pensamento: “No México, não sei se já inventaram a margarita de vodca. Mas nunca vi um mexicano trocar a tequila pela vodca na hora de pedir o drinque”.

O futuro promete

Tanto Luttmann quanto Sepúlveda afirmam que a cachaça teve um grande avanço nos últimos anos, deixando de ser artesanal para se profissionalizar. “Ela pode competir com qualquer destilado de outros países”, diz o barman chileno.

Marcos Melo, dono do Bar do Melo, explica que hoje é comum ver homens de todos os níveis sociais bebendo a aguardente de cana e até mesmo “encontrar mulher tomando cachaça”.

Para não privar ninguém da versatilidade do drinque, o site da VEJA SÃO PAULO selecionou versões diferentes (entre elas, a tradicional). Confira abaixo e decida se você deseja integrar o movimento Salve Caipirinha:

  • Caipirinha, da Mercearia do Conde

    Atualizado em: 7.Dez.2010

  • Caipigrappa, da Mercearia do Conde

    Atualizado em: 7.Dez.2010

  • Caipirinha Abstêmia, do Obá

    Atualizado em: 7.Dez.2010

  • Caipirinha de caju e limão, do Obá

    Atualizado em: 28.Jan.2011

  • Caipirinha de carambola, do Astor

    Atualizado em: 7.Dez.2010

  • Bares variados

    Astor

    Rua Delfina, 163, Vila Madalena

    Tel: (11) 3815 1364

    VejaSP
    13 avaliações

    É o endereço classudo da Cia. Tradicional de Comércio, dona também do Pirajá e do Original. Cartazes, espelhos rabiscados e lustres antigos dão aura nostálgica ao endereço, ocupado por um público que passou dos 30 anos. A carta foi renovada com a inclusão de doze drinques, a R$ 31,00 cada um. Faz bonito o sutil fish house punch (brandy, rum, licor de damasco, limão e angustura), tirado diretamente da torneira de chope. Falando nele, o chopinho da Brahma (R$ 8,10) tem agora a companhia do appia (R$ 12,00), da Colorado, extraído com o colarinho bem denso. Quando vier o apetite, o picadinho (R$ 49,00) se mostra uma boa escolha. Chega com arroz, farofa, caldo de feijão e banana à milanesa.

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Cozinha variada

    Mercearia do Conde

    Rua Joaquim Antunes, 217, Jardim Paulistano

    Tel: (11) 3081 7204

    VejaSP
    11 avaliações

    É difícil não ser cativado pelo ambiente alegre e colorido. Basta olhar para o teto e observar divertidas peças de artesanato, quase todas à venda, como fadinhas, bandeirolas e outros penduricalhos. A chef e sócia Flavia Marioto se encarrega da cozinha com receitas de pegada criativa, ainda que a preços salgados. Boa combinação de sabores e texturas, o risoto de abóbora e carne-seca com folhas de mostarda (R$ 68,00) ganha ainda mais graça com a mandioquinha palha por cima. Versão “míni” do restaurante, o Condessa Bistrô (Rua Bueno Brandão, 66, ☎ 3842-5141) trocou de endereço no ano passado, mas permanece na Vila Nova Conceição.

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Cozinha variada

    Obá

    Rua Doutor Melo Alves, 205, Jardim Paulista

    Tel: (11) 3086 4774

    VejaSP
    14 avaliações

    Colorido, o restaurante do mexicano Hugo Delgado lembra uma residência. Enquanto beberica uma margarita (R$ 23,00), passe os olhos pelo cardápio, que inclui sugestões de México, Tailândia, Itália e Brasil. Pedida da terra natal do proprietário, as puntas de flete al chipotle (R$ 65,00) são tiras de filé-mignon em molho picante de tomate e pimenta chipotle com arroz, pasta de feijão-preto e tortilhas de milho.

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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Fonte: VEJA SÃO PAULO