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“Novembro azul tem que ser além do câncer de próstata”, diz oncologista

Atendimentos da área urológica diminuíram durante a pandemia; o médico Stênio de Cássio Zequi fala sobre a importância dos exames preventivos

Por Tomás Novaes 17 nov 2021, 10h24 | Atualizado em 27 Maio 2024, 19h14
Camiseta azul com os dizeres: "Novembro azul: previna o câncer de próstata"
 (Reinaldo Carvalho/Creative Commons)
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No auge da pandemia, as cirurgias urológicas caíram pelo menos 50% no Brasil. O dado é da Sociedade Brasileira de Urologia. No caso do A. C. Camargo Cancer Center, em São Paulo, o atendimento da área teve decréscimo de 83%. Segundo o oncologista Stênio de Cássio Zequi, Líder do Centro de Referência de Tumores Urológicos do hospital, a queda foi preocupante, o que torna o Novembro Azul deste ano ainda mais significativo.

O médico ressaltou que “o Novembro Azul tem que ser muito além da próstata, tem que ser o momento em que você conscientiza o homem sobre tudo”. No A. C. Camargo, em 2020, o número de casos de câncer de próstata diminuiu 48%; o câncer de bexiga, 30%; e o câncer de rim, 25%.

Tabela mostrando o percentual de redução de novos casos de tumores, dividido por tipos de tumor e hospitais.
Dados do Boletim de Informações Urológicas, comparando os anos de 2019 e 2020. (Sociedade Brasileira de Urologia/Reprodução)

“Foi uma fase complexa, de muito aprendizado, de muita insegurança”

A retomada do movimento ocorreu somente neste semestre e agora já se aproxima do nível pré-pandemia. Entre os efeitos desse período longe dos consultórios e hospitais, Stênio chama a atenção para o aumento do número de casos de tumores da bexiga músculo invasivos, que requerem cirurgias mais complexas, provavelmente pela diminuição na frequência de atendimentos e exames de diagnóstico.

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Além do câncer de próstata

Quarta-feira (17) marca o Dia Nacional do Combate ao Câncer de Próstata. Apesar de ser um dos que mais causa mortes entre os homens, o médico ressalta a importância de se falar sobre outros tipos de tumores, como no pênis, na bexiga e nos rins.

Esses tumores, e principalmente o de próstata, praticamente não dão sintomas. E, quando dão, “a doença já está bem avançada, a chance de cura se reduz, os efeitos colaterais e o custo do tratamento são bem maiores”, diz. “Já que eu não consigo evitar a doença, pelo menos que eu diagnostique ela precocemente”.

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Apesar do diagnóstico precoce ser o principal fator de sucesso do tratamento, o oncologista também falou sobre o fato de que mesmo assim, culturalmente, os homens vão menos ao médico. “Os nossos pais e avós só iam ao médico quando estavam doentes, sofrendo”.

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Tumores de rins e bexiga, que ocorrem em ambos os sexos, chegam a ser duas, três vezes mais comuns nos homens do que nas mulheres. Stênio também lembra que os fatores de risco para esses tumores são o fumo, hipertensão, diabetes, obesidade e dieta rica em carne vermelha – o que mostra a importância dos homens irem mais aos consultórios e praticarem a prevenção dessas doenças.

Novos tratamentos

Uma das técnicas que vem sendo desenvolvida no campo da oncologia é a chamada teranóstica – junção de terapia com diagnóstico. Ou seja, exames que ao mesmo tempo tratam o tumor e diagnosticam com mais precisão, muitas vezes utilizando substâncias radioativas. “É algo muito promissor, hoje ainda utilizado lá na fase mais avançada de doença”.

Stênio também chamou a atenção para a cirurgia robótica e para o uso de ondulações térmicas, elevando a temperatura na região do tumor ou abaixando-a, levando à morte tumoral. Um dos usos desta técnica é na terapia focal do câncer de próstata, que no Brasil ainda está em nível de pesquisa.

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