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CoronaVac é eficaz contra as três variantes que circulam no Brasil

Pesquisa foi desenvolvida por cientistas do Butantan e da USP; dados completos ainda serão divulgados

Por Redação VEJA São Paulo Atualizado em 10 mar 2021, 17h44 - Publicado em 10 mar 2021, 17h42

O governador João Doria anunciou, nesta quarta-feira (10), que uma pesquisa realizada por cientistas do Instituto Butantan e da USP comprovou que a vacina CoronaVac é eficaz contra novas cepas do coronavírus, conforme antecipou a Vejinha. O estudo atesta que a vacina do Butantan possui eficácia contra as três novas variantes que circulam no Brasil, a britânica (B.1.1.7), a brasileira (B.1.1.28) e a sul-africana (B.1.351).

“É uma excepcional notícia. Essa pesquisa do Butantan feita em parceria com a USP comprovou que a vacina [CoronaVac] é eficaz contra as três variantes do coronavírus em circulação no Brasil”, disse Doria.

Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan, detalhou o estudo durante a coletiva de imprensa. Ele explicou que a variante P.1, originária de Manaus e considerada mais perigosa, é derivada da B.1.1.28, na qual foi verificada a eficácia da CoronaVac. “Estamos diante de uma vacina que é efetiva em proteção contra essas variantes que estão circulando neste momento”, disse.

Baseado nos vírus em circulação na cidade de Serrana, no interior de São Paulo, que é objeto de um estudo do Butantan, Dimas suspeita que a P.1 já pode ser a principal cepa em diversos municípios do país.

“Em Serrana, desde junho de 2020 nós fizemos um acompanhamento até hoje, e aí vimos que já em dezembro de 2020 apareceu já alguma coisa diferente em termos de mudança do vírus. Em dezembro apareceu a P.2 [derivada da cepa brasileira B.1.1.28], a primeira variante de importância. Em janeiro, essa variante P.2 já era a predominante. Agora, em janeiro e fevereiro, já passou a ser predominante a P.1, a mais agressiva. E isso pode estar acontecendo em outros municípios”, completou.

Estudo científico

O estudo para verificar a eficácia da CoronaVac ante as novas cepas do coronavírus em circulação no país foi conduzido pelo Instituto Butantan em parceria com pesquisadores da USP.

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Segundo o governo, os dados incluíram amostras de 35 participantes vacinados na Fase III. “O estudo completo inclui um número maior de amostras, que já estão em análise. Os resultados completos serão divulgados posteriormente”, disse o governo de São Paulo em comunicado oficial.

Nele consta a informação de que a CoronaVac tem maiores chances de ser eficaz contra as novas cepas por utilizar o vírus inativo em sua composição, diferentemente das outras vacinas desenvolvidas, que usam somente parte da proteína Spike (proteína utilizada pelo coronavírus para infectar as células). Também foi informado que nos testes realizados pelo Instituto Butantan foram utilizados os soros das pessoas vacinadas, colhidos por meio de exame de sangue, para verificar a eficácia contra as variantes do vírus.

“As amostras são colocadas em um cultivo de células e, posteriormente, infectadas com as variantes. A neutralização consiste em testar se os anticorpos gerados em decorrência da vacina vão neutralizar, ou seja, combater o vírus nesse cultivo”, explicou.

Novas doses de CoronaVac

Após a chegada ao Brasil da maior remessa de insumos para produção da CoronaVac até o momento, Dimas Covas detalhou, nesta quarta (10), a entrega de novas doses da vacina ao Programa Nacional de Imunização (PNI) do governo federal.

“Hoje estamos entregando 1,2 milhão de doses. Segunda-feira, entregaremos mais 3,3 milhões de doses. Ou seja, em 5 dias vamos entregar 4,5 milhões de doses, o que é superior à quantidade total que o Brasil recebeu das demais vacinas até o momento”, apontou.

O diretor do Butantan também afirmou que o Instituto Butantan vai entregar mais 22,7 milhões de doses da vacina chinesa ao PNI até o final de março.

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