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Clarice Falcão, Bella Camero e suas mães estrelam o primeiro podcast 100% feminino do Porta dos Fundos

'Ela é pior que eu' estreou no dia 28 de abril

Por Laura Pereira Lima 10 Maio 2026, 08h00
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Clarice, Bella, Adriana e Dida (no sentido horário): encontro de gerações (Zetha Ribeiro/Divulgação)
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Clarice Falcão e Bella Camero se conheceram nos palcos, em 2009, durante a preparação de uma adaptação teatral de Confissões de Adolescente, baseada no livro de Maria Mariana. Tinham 20 e 17 anos, respectivamente, quando iniciaram uma parceria que hoje já soma dezessete anos.

Nos bastidores, outra relação também começava a se desenhar: a amizade entre suas mães, a escritora Adriana Falcão e atriz Adriana Camero, a Dida, cultivada entre coxias, esperas e caronas de ensaio.

É desse encontro entre gerações e dessa proximidade antiga que nasce o podcast Ela É Pior que Eu. “É como se o projeto só estivesse formalizando uma dinâmica que já existia”, avalia Bella Camero. O programa, que estreou em 28 de abril, é o primeiro do Porta dos Fundos idealizado e apresentado por um elenco 100% feminino — e marca o retorno de Clarice ao grupo de humor.

Com episódios semanais, sempre às terças, o podcast aposta em conversas de cerca de quarenta minutos sobre temas como desejo, vergonha e amor — e o que mais der na telha. “É muito imprevisível. Uma conversa pode começar em algo cotidiano e terminar em um lugar completamente inesperado. Mas sempre aparecem traumas leves disfarçados de histórias engraçadas. Basicamente, como qualquer conversa de família, só que com microfone”, explica Bella.

Apesar do tom descontraído e espontâneo, há uma rotina de preparação. O quarteto se reúne semanalmente com as roteiristas Maria Santos e Joyce Müller para estruturar os episódios, sob direção de Bianca Frossard. “Na prática, é a gente falando sem parar e elas tentando acompanhar e anotar tudo”, diverte-se Bella, que diz que o grupo precisou aprender a se conter para não esgotar, ainda nessas reuniões, as melhores histórias.

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Cada episódio começa com uma pergunta inusitada — “daquelas que aparecem do nada no banho”, como define Bella —, feita para suscitar reflexões. A da estreia, por exemplo, foi “Você tem vergonha de ter cabeça?”, inspirada em uma insegurança que Adriana Falcão tinha na infância. “Minha mãe tem essa capacidade de colocar um sentimento comum, um sentimento humano, de um jeito criativo, diferente”, conta Clarice, que herdou dela o interesse profundo pelas palavras.

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Clarice e Adriana Falcão: admiração profissional e pessoal (Acervo Pessoal/Reprodução)

Roteirista e escritora, Adriana é celebrada até hoje por montagens como A Máquina, peça que estreou em 2000 e revelou Wagner Moura, Lázaro Ramos, Vladimir Brichta e Gustavo Falcão, e participou de roteiros de filmes de sucesso como O Auto da Compadecida (2000) e Se Eu Fosse Você (2006). “Sempre admirei muito minha mãe, tanto na vida pessoal quanto na vida profissional”, compartilha a filha, que incorporou muito do que aprendeu em casa à sua própria carreira como cantora, compositora e atriz. “Às vezes, meus amigos preferem ela do que eu. Vão lá pra casa e ficam ouvindo as besteiras que ela diz”, revela, sobre o senso de humor de Adriana.

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(Acervo Pessoal/Reprodução)

Assim como Clarice, Bella também reconhece uma certa estranheza divertida na mãe. “Ela tem uma lógica própria, autossuficiente, que não depende de validação externa. O que é lindo e levemente perigoso. É o tipo que começa uma conversa normal e, em algum momento, você percebe que está em um território onde lógica e imaginação convivem sem muito compromisso com coerência linear”, conta a atriz, que participou de produções como Marighella (2019) e Bom Dia, Verônica (2024).

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Bella e Dida: contraste de estilos e de personalidade (Acervo Pessoal/Reprodução)
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A amiga concorda com a avaliação sobre Dida, também atriz, que atuou em obras marcantes como Meu Nome Não É Johnny (2008). “Eu, minha mãe e a Bella somos muito neuróticas, e a Dida é muito tranquila. Acho que vai ser engraçada essa dinâmica”, diz.

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(Acervo Pessoal/Reprodução)

Apesar de terem mães com estilos bastante distintos, Clarice e Bella reconhecem semelhanças na criação que tiveram. “Crescemos com muita liberdade de pensamento, humor, estímulo criativo e um certo nível de caos emocional não supervisionado”, diverte-se Bella.

Publicado em VEJA São Paulo de 8 de maio de 2026, edição nº2994

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