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Colégio Santa Cruz completa 70 anos e lança podcast sobre sua história

Produção trata da origem e também do vanguardismo dos padres e de seus vários ex-alunos famosos, como Chico Buarque

Por Clayton Freitas
Atualizado em 27 Maio 2024, 21h30 - Publicado em 23 set 2022, 06h00

Para contar a história de seus setenta anos, o Colégio Santa Cruz decidiu criar o Podcast Santa 70, com oito episódios que trazem verdadeiras relíquias escondidas em fundos de baús fonográficos, a principal delas uma entrevista feita pela apresentadora Hebe Camargo com o padre PaulEugène Charbonneau, teólogo canadense que foi o idealizador do projeto educacional da instituição.

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Registrado apenas em áudio, o teor do encontro de 1973 era inédito até então e é relembrado no primeiro episódio do podcast, que já está disponível nos tocadores Spotify, OLA Podcasts e Google Podcasts.

Charbonneau recebeu Hebe no colégio, numa espécie de retribuição da apresentadora às visitas que ele fazia ao programa dela no Teatro Record. Hebe chegou no momento em que o também filósofo e professor celebrava uma missa para os alunos, cantando um trecho da ópera-rock Jesus Christ Superstar.

Primeira fachada do Colégio Santa Cruz, um casarão
Começo: casarão em Higienópolis foi o primeiro endereço e só recebia homens (Santa Cruz/Divulgação)

O áudio traz uma conversa entre os dois sobre educação e juventude. A ideia é a de que novos trechos dos 45 minutos da entrevista sejam apresentados nos próximos episódios, a ser veiculados todas as quintas-feiras. Como se fosse um programa de rádio antigo, cada episódio é contextualizado com uma notícia histórica da época, sempre no começo e no final da década retratada.

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Eles trazem trechos do diário do padre canadense Lionel Corbeil, o fundador da instituição, e entrevistas com vários ex-alunos, professores e personalidades, como os integrantes da primeira turma, todos com mais de 80 anos atualmente; um professor de física que leciona há 46 anos na instituição; e ainda relatos de personalidades, como a cineasta Marina Person, o escritor Marcelo Rubens Paiva, a apresentadora Didi Wagner, o cantor Chico Buarque e a médica Ana Escobar, todos ex-estudantes do Santa, como é mais conhecido por quem passou por lá ou ainda estuda no colégio.

Futebol: padre Corbeil na quadra com estudantes
Futebol: padre Corbeil também gostava de jogar com estudantes (Santa cruz/Divulgação)

Apesar de não terem dado depoimentos exclusivamente para os episódios do podcast, visitantes ilustres também integram os episódios, como é o caso da atriz Fernanda Montenegro e do músico João Bosco, presentes na inauguração do teatro, em 2002, e ainda do escritor José Saramago, que palestrou na instituição em 2003.

Segundo Fábio Aidar, também um ex-aluno que virou professor e hoje é diretor-geral do Santa Cruz, a instituição já foi procurada para receber novos relatos. “Eu recebi essa sugestão e nem imaginava o sucesso que faria. É impressionante a quantidade de famílias que nos procuram para poder contar suas histórias”, diz.

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Cabo de guerra: brincadeira do início da escola integra festa dos esportes até hoje
Cabo de guerra: brincadeira do início da escola integra festa dos esportes até hoje (Santa Cruz/Divulgação)

Em meio aos relatos que escuta estão histórias dos contatos travados entre alunos e os padres canadenses que fundaram o colégio, e também com o pároco brasileiro José Amaral de Almeida Prado, morto em janeiro deste ano e que marcou várias gerações de estudantes.

No caso dos mais antigos, a memória mais recorrente é de Charbonneau, que morreu em 1987 e é considerado até hoje a “alma” do colégio. E não só pelas suas ideias e ideais sobre educação, mas sobretudo pelo seu lifestyle. Jogador de tênis e boxeador, Charbonneau também jogava bola com os
alunos.

Padres: Corbeil (de terno à esquerda) e Charbonneau
Padres: Corbeil (de terno, à esquerda) foi o fundador; Charbonneau, criou o projeto pedagógico (Santa Cruz/Divulgação)

Por vezes dispensava a batina e se valia de autores nada ortodoxos em suas aulas, tais como Jean-Paul Sartre, Franz Kafka e Fiódor Dostoiévski, além de abordar temas como sexo, drogas e reforma agrária, isso no início dos anos 1960, características que são lembradas no podcast.

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Apesar de retratar as sete décadas, o podcast terá oito episódios. O último vai contar como a escola enfrentou a pandemia e também como lida com questões como inclusão e luta antirracista. Dos 3 200 alunos, 600 são bolsistas, matriculados em cursos técnicos e de educação de jovens e adultos.

Além disso, a instituição criou um programa específico para a diversidade racial — tema da conversa com Chico Buarque — em que oferece bolsas totais ou parciais a negros e indígenas.

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Publicado em VEJA São Paulo de 28 de setembro de 2022, edição nº 2808

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