Clientes dizem que pegaram toxoplasmose após comer em bar em Pinheiros

Depoimentos que associam diagnóstico a visita ao Pitico viralizaram. Laudo da Vigilância Sanitária atesta "condições satisfatórias de higiene e conservação"

Na tarde desta segunda (13), uma mensagem envolvendo o bar Pitico, em Pinheiros, viralizou no WhatsApp. Segundo um relato cuja origem não foi identificada, uma pessoa chamada “Gustavo” teria ficado doente, com febre por quinze dias. Ao ir ao médico e ter o diagnóstico de toxoplasmose confirmado, o homem teria sido informado por um oftalmologista especialista na doença que ele não era o único que estava com o problema. Ainda segundo o depoimento, todos os pacientes que relataram problemas teriam comido no Pitico.

Uma publicação anônima no Reclame Aqui de 3 de abril também traz à tona o mesmo assunto. “Na sexta feira, 22/02, fui almoçar no Pitico com o pessoal da empresa. Após esse dia, quatro pessoas que comeram o mesmo prato ficaram com febre, dores no corpo, tosse entre outros sintomas. Achamos a princípio que era dengue, porém, o exame deu negativo, até que passamos com um infectologista pois estávamos havia mais ou menos dez dias com febre. O resultado foi TOXOPLASMOSE. O único lugar em que essas quatro pessoas comeram juntas e além de tudo o mesmo prato foi no Pitico”. 

O depoimento, que acumula sete comentários de pessoas que relatam ter tido o mesmo problema e comeram no estabelecimento, foi respondido pelos responsáveis pelo Pitico. “Em razão da referida denúncia, houve fiscalização da Vigilância Sanitária, na qual foi constatado e concluído (…) que no momento da inspeção, foi verificado que o estabelecimento apresentava condições satisfatórias de higiene e conservação de suas instalações”.

 (Veja SP/Veja SP)

DEPOIMENTOS

Outra denúncia foi feita nesta segunda (15) pelo economista Bernardo Braga de Oliveira no site Reclame Aqui. Em entrevista a VEJA SÃO PAULO, ele relatou que foi ao bar duas vezes: no dia 3 de abril, quando comeu um kebab de faláfel, e em 7 de abril, dia em que só tomou drinques. Os primeiros sintomas apareceram em 12 de abril. “Senti dor no corpo e febre. No dia 15, a febre piorou e eu fui ao Hospital São Luiz, no Itaim Bibi”, contou.

Na primeira visita ao pronto-socorro, Oliveira foi mandado para casa com remédios para gripe e febre. Sem apresentar melhora no quadro, retornou ao hospital no dia 19, quando foi internado, submetido a exames e diagnosticado com toxoplasmose. “Achei que tinha sido por conta de qualquer restaurante pé-sujo, mas depois recebi a mensagem [que viralizou hoje] e vi que tinham outros casos como o meu no Reclame Aqui.”

Embora a bacharel em farmácia Ana Paula Montano tenha frequentado o local com muitos amigos em 4 de abril, somente ela e outra amiga do trabalho acabaram diagnosticadas com a doença. “Nós fomos as únicas que comemos alimentos crus em um tabule”, conta. A profissional de saúde está passando por um tratamento de quatro semanas com antibiótico. “Foi o único local que frequentei fora da minha rotina”, relata.

Um designer que não quis se identificar também não costuma frequentar sempre o endereço, mas visitou em razão do aniversário de um colega. Quem levantou a hipótese e traçou o paralelo da doença com o Pitico, no entanto, foi o médico que lhe atendeu. “Ele me perguntou se por acaso eu tinha ido lá e disse que outros profissionais da saúde comentaram com ele que pegaram casos similares”, diz.

POSICIONAMENTO E FISCALIZAÇÃO

Por meio de nota, o Pitico informou que não foi procurado por nenhum médico oftalmologista que tenha associado a contaminação de pacientes ao consumo de produtos na casa, nem o contato de qualquer cliente chamado “Gustavo” citado em mensagem que tem sido disseminada nas redes sociais.

“Ao receber uma mensagem como esta, consideramos natural que clientes que tenham sido contaminados no recente surto do protozoário relacionem a condição à visita ao Pitico. Entretanto, segundo as autoridades sanitárias e médicos por nós consultados, o rastreamento da origem exata da contaminação é muito complexo, já que existem diversas possíveis fontes de transmissão, como informa o Ministério da Saúde, sendo necessária cautela no encaminhamento desse tipo de mensagem. Tenha a certeza de que o Pitico está preocupado com esta questão de saúde pública, se empenhando em manter seus clientes livres de riscos e colaborando com as autoridades sanitárias”, escreveu a equipe.

O estabelecimento esclareceu ainda que mantém rígido controle dos processos e procedimentos envolvendo a manipulação e a elaboração de alimentos e bebidas servidos aos seus clientes, controle este realizado constantemente por empresa especializada em assessoria em segurança alimentar, a Controlare, desde o início de suas atividades.

A nota também traz o parecer da fiscalização da Vigilância Sanitária:

“Quanto ao teor da denúncia, no momento da inspeção, foi verificado que o estabelecimento apresentava condições satisfatórias de higiene e conservação de suas instalações, e cumpria as boas práticas na manipulação de alimentos. Considerando as condições sanitárias do local, e as práticas de manipulação de alimentos relatadas pelos manipuladores de alimentos e pelo responsável legal, não foi constatada no local prática de risco para a transmissão de toxoplasma através de alimentos.”

Parte do relatório da Vigilância, enviado à redação pelo Pitico

Parte do relatório da Vigilância, enviado à redação pelo Pitico (Veja SP/Veja SP)

FAKE NEWS

Recentemente, outra mensagem envolvendo toxoplasmose se espalhou pelas redes sociais. A mensagem dizia que o hospital Emílio Ribas estaria com casos de toxoplasmose relacionados à água do bairro de Pinheiros.

A informação foi desmentida pela assessoria de imprensa do hospital, que relatou um aumento em casos da doença em toda região metropolitana e não confirmou que o motivo era a água contaminada.

A DOENÇA

“Existem duas formas possíveis de se contrair toxoplasmose. Uma delas é por meio do contato com animais contaminados. Normalmente está relacionada com as fezes de gatos. A outra, é ao ingerir alimentos mal higienizados”, explica Anthony Wong, toxicologista e coordenador do Centro de Assistência Toxicológica do Hospital das Clínicas.

Segundo ele, os sintomas podem demorar entre catorze dias e dois meses para se manifestar. As principais respostas do organismo são em forma de febre, crescimento dos gânglios, mal-estar, lesão no fígado e no olho, queda de imunidade, dores nos músculos e problemas cardíaco, cerebrais e renais. Em muitos casos, os sintomas da toxoplasmose podem não se manifestar ou serem confundidos com os de uma gripe e a pessoa nem fica sabendo que se infectou.

Wong afirmou ainda que a doença tem potencial para causar problemas sérios aos bebês de mulheres grávidas. “Se a mulher estiver grávida e contrair toxoplasmose, o filho tem grandes chances de desenvolver má formações, ou ter problemas como retardo mental e queda de imunidade. Em alguns casos, pode até causar a morte fetal”, diz o médico.

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