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Oklou fala sobre primeiro show no Brasil: “É mais pressão que o Coachella”

A cantora e compositora francesa, atração do C6 Fest, fala sobre funk, feminismo, futuro e o disco 'Choke Enough'

Por Tomás Novaes 22 Maio 2026, 08h00
Mulher de cabelos longos e castanhos, vestindo blusa escura, ajoelhada em um tapete persa, com luz avermelhada iluminando seu rosto e cabelo, olhando para frente com expressão séria. Ao fundo, um sofá com estampa floral e papéis. A cena tem uma atmosfera sombria e misteriosa
A artista francesa Oklou: pop futurista (Lisa Lapierre/Divulgação)
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Pop futurista francês, com belas melodias e arranjos eletrônicos. Assim soa Oklou, o projeto da cantora, compositora, DJ e produtora Marylou Mayniel que se apresenta no C6 Fest, no Parque Ibirapuera, neste domingo (24).

Com uma voz metálica e sintetizadores, o disco de estreia Choke Enough (2025) vale a descoberta. Em abril ela apresentou o álbum no festival americano Coachella. “Quando ouvimos, pensamos: ‘essa menina é superinteressante, o que ela está fazendo é totalmente relevante e contemporâneo’, ainda antes de ela estourar”, diz o curador do festival Ronaldo Lemos.

Uma dica é ouvir a faixa Harvest Sky, principal hit da artista. Confira o papo com a cantora e compositora a seguir.

Oklou no C6 Fest: pop futurista
Oklou no C6 Fest: pop futurista (Gil Gharbi/Divulgação)

Quais são as suas expectativas para o seu primeiro show aqui no Brasil?

Não sei, tenho que dizer que estou muito animada, mas também um pouco nervosa. Sei que algumas pessoas estão bastante ansiosas por esse show. E não quero decepcionar. Estou muito consciente. É quase um pouco mais de pressão do que o Coachella, na verdade, por ser a primeira vez e fazer um show. Eu realmente quero que seja bom.

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Você tem alguma relação com a cultura brasileira?

O que diria que realmente me fez mergulhar mais na cultura brasileira, foi há alguns anos, esse gênero musical que estava realmente dominando a internet. O funk. Houve uma época em que eu realmente curtia muito isso. Mas já faz um tempo que não me envolvo com isso. Mas diria que essa é a minha maior proximidade com a cultura brasileira.

E como você descreveria, talvez em um nível mais amplo, talvez mais social, a maneira como você usa a tecnologia na sua música?

Para ser sincera, não sou tão interessada em tecnologia. Eu só preciso do meu computador para poder trabalhar. Eu poderia fazer música de uma maneira diferente, apenas com instrumentos acústicos, se eu quisesse. Mas uso computadores porque é muito conveniente. E ocupa menos espaço, posso viajar e etc. Eu não sou nerd, gostaria de ser porque acho muito legal. Me satisfaço muito facilmente com o som, também. Ao mesmo tempo quero ser super precisa com os sons que escolho, mas consigo chegar aonde quero com praticamente qualquer tipo de material inicial. Não preciso estar ciente do último VST que foi lançado. Como eu disse, não sou nerd o suficiente. E também, sou alguém que precisa de muito tempo para se acostumar com uma ferramenta. Nunca vou estar à frente do que está acontecendo.

Tem alguma música em Choke Enough neste momento que signifique mais para você?

A música Choke Enough sempre foi a minha favorita. Gostaria de poder fazer mais músicas como essa. O processo de criação e a satisfação que sinto ao ouvi-la… Inicialmente, meu objetivo era ter um álbum só com esse tipo de música. Mas me deixei levar pela facilidade de fazer outros tipos de som. Então, não sei. Mas sim, Choke Enough seria a minha escolha.

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O plano para o seu próximo projeto é fazer mais músicas dançantes sem batida, como Choke Enough?

Sim, eu gostaria de dizer que… Gostaria. Mas sou muito ruim em conceber ideias antes de compor. Não funciona assim comigo. E preciso parar de tentar fazer isso porque acabo me decepcionando. Fico pensando: “Ah, não, queria ser essa pessoa”. Eu gostaria de estar fazendo esse tipo de arte, nas aí eu não faço. E é um sentimento realmente inútil. Eu deveria simplesmente liberar o que está dentro de mim, seja lá o que for.

Seu som é frequentemente descrito como pop futurista. Você concorda com isso?

É uma pergunta interessante. O termo futurista é usado provavelmente porque minhas músicas pop são um pouco estranhas. Mas não acho que sejam futuristas. São um pouco retrógradas, na verdade. Sinto que estou usando muitas ferramentas clássicas de compor melodias e contrapontos. O que eu acho potente no que faço é justamente a redefinição da noção de poder. Como você representa o empoderamento? Com toda essa retórica em torno do fato de eu ser uma mulher e estar empoderada. Estou muito interessada em feminismo e em agir de forma feminista de outras maneiras, não fazendo a mesma coisa que os homens. Não exercer o poder da mesma forma.

Não agir em referência aos homens, isso?

Isso, não quero falar tão alto quanto os homens. Você pode ser muito poderosa fazendo as coisas de forma diferente. Eu digo homens, mas me refiro ao patriarcado. Se eu pudesse fingir ter uma visão futurista na música, estaria dentro desse território. De conter na música um senso de resistência ao não tentar ser… É outra forma de ser. Talvez subversivo seja uma palavra ambiciosa demais. Tudo se resume à intenção. Quando faço uma música como Obvious, que soa meio boba, as pessoas podem achar que é uma piada, mas para mim é incrivelmente sexy. Como criaturas da floresta sendo sensuais, sabe? Quero ver a sociedade invadida por criaturas da floresta e não por homens no poder em todos os lugares. Era isso que eu queria dizer. Que estou fazendo música para que a sociedade que imagino possa usá-la como seu próprio hino, em vez de uma música muito alta e agressiva. Não tenho nada contra esse tipo de música, mas é isso que quero oferecer ao mundo ao meu redor. Um catálogo de músicas que pode ser usado para mudar as dinâmicas.

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