Avatar do usuário logado
Usuário
Imagem Blog

Tudo de Som

Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Novidades da música, clipes, entrevistas, artistas, listas e shows, por Tomás Novaes.

Robert Plant, Cameron Winter e jazz: o guia completo do C6 Fest 2026

Curadores explicam as apostas do line-up e atrações revelam detalhes sobre os shows no Ibirapuera

Por Tomás Novaes 15 Maio 2026, 08h00
O Auditório Ibirapuera e a cidade: C6 Fest ocupa o parque entre os dias 21 e 24
O Auditório Ibirapuera e a cidade: C6 Fest ocupa o parque entre os dias 21 e 24 (Filmart/Divulgação)
Continua após publicidade

Com um elenco muito azeitado nesta quarta edição, o C6 Fest 2026 acontece de quinta (21) a domingo (24) no Parque Ibirapuera. É o ano em que os ingressos foram vendidos com mais rapidez desde a estreia do evento, em 2023 — estão esgotados os ingressos para a área externa nos dias 23 e 24 —, e a explicação é simples: a união de artistas clássicos, neste ano com a presença ilustre de Robert Plant, ex-vocalista do Led Zeppelin, e apostas quentíssimas, bem representadas por Cameron Winter, jovem cantor americano da banda Geese, entre outras escolhas espertas.

Os responsáveis pelo line-up acertado são os curadores Hermano Vianna, Lourenço Rebetez, Pedro Albuquerque e Ronaldo Lemos, com direção crucial da cineasta Monique Gardenberg, que lidera a empresa por trás do evento, a Dueto Produções.

Robert Plant
Robert Plant em São Paulo: atração confirmada no C6 Fest 2026 (Divulgação/Divulgação)

A produtora assina festivais de música no país desde 1985, com o lendário Free Jazz, que aconteceu com este nome até 2001 e foi revivido em versões posteriores como TIM Festival. “Este é um ano fora da curva, temos um grande ídolo (Robert Plant) dentro de um festival de menor porte”, diz Monique.

O cantor britânico, que toca no domingo (24), traz o show do seu disco solo mais recente, Saving Grace (2025), em parceria com Suzi Dian, com direito a versões intimistas de clássicos de sua ex-banda. “Sempre esteve em nossos planos trazê-lo. Ele poderia viver de tocar sucessos antigos, mas gosta de novos desafios. Felizmente, estamos formando um público do C6 Fest que não liga para ‘o mais do mesmo’ e está aberto a aventuras estéticas”, destaca Hermano.

A grande novidade neste ano é o C6 Lab. Trata-se de uma nova programação que rola no sábado (23) e no domingo (24), com uma atração por noite, em formato intimista, no Auditório Ibirapuera. Antes o teatro abria somente nos dois primeiros dias de evento, recebendo os shows de jazz, enquanto o resto da programação — pop, rock, música eletrônica e afins — acontece em áreas externas e no Pavilhão das Culturas Brasileiras (Pacubra). “É a oportunidade de ter contato com algo que exige uma escuta mais atenta, sem dispersão”, define Monique.

Continua após a publicidade
O palco externo do Auditório Ibirapuera: música boa ao ar livre
O palco externo do Auditório Ibirapuera: música boa ao ar livre (Filmart/Divulgação)

Quem estreia o formato, às 23h, são a violoncelista guatematelca Mabe Fratti, no sábado (23), e Cameron Winter, da banda Geese, no domingo (24), em uma das apresentações mais esperadas dos quatro dias de música. Outros artistas aguardados são The xx, Beirut, Lykke Li, Magdalena Bay, Wolf Alice, Matt Berninger, Oklou, Amaarae e Branford Marsalis.

Para além dos brasileiros, representados por nomes como Mano Brown, Os Paralamas do Sucesso com Nação Zumbi, Samuel de Saboia e BaianaSystem. O grupo baiano vai dividir o palco com Makaveli e Kadilida, artistas da Tanzânia e expoentes do singeli, gênero eletrônico de alta velocidade.

A conexão com o continente africano também aparece na programação jazzística da quinta (21), com o instrumentista tunisiano Anouar Brahem, que toca o oud, uma espécie de alaúde árabe. “Ele traz o jazz modal árabe, mas também a linguagem moderna do jazz europeu. E, entre os músicos dele, o baixista Dave Holland, que tocou com Miles Davis”, detalha Pedro.

Continua após a publicidade

A programação exclusiva de jazz em dois dias de evento é um diferencial (e raridade) em meio aos grandes festivais de música do país. “Os grandes headliners do jazz estão se esgotando — ou estão morrendo, ou não viajam mais, ou vieram muitas vezes. Tentamos dar um panorama do que é o jazz hoje em dia. O jazz está sempre em transformação”, diz Pedro, citando Branford Marsalis como um nome consagrado e Julius Rodriguez como uma boa novidade no gênero. “Estamos observando um público jovem interessado. Na era da inteligência artificial, existe uma demanda por sentir a música. Tem uma coisa real que o jazz representa com maior potência, porque é uma música que só pode ser feita por humanos e presencialmente”, defende Lourenço.

O público em 2025: quarta edição do evento
O público em 2025: quarta edição do evento (Filmart/Divulgação)

Neste ano, o C6 Fest ganha um festival “irmão” assinado pelos mesmos realizadores. Será o C6 No Rock, que acontece pela primeira vez nos dias 22 e 23 de agosto, também no Ibirapuera, celebrando o rock brasileiro dos anos 80. O line-up reúne oito bandas e artistas tocando discos marcantes na íntegra, como Blitz e Marina Lima. A ideia é ser um evento anual dedicado à música brasileira, com temas diferentes a cada edição.

O objetivo de alinhar uma experiência tranquila, sem perrengues e com curadoria caprichada — que garante momentos inéditos — é um ponto comum de ambos os eventos paulistanos. Confira, a seguir, entrevistas com atrações do C6 Fest e todos os detalhes sobre apostas que o festival busca revelar ao público.

Continua após a publicidade

Papo com os músicos

> DUETO PESADO Os Paralamas do Sucesso recebendo Nação Zumbi no palco? Encontro de gigantes no domingo (24). “Temos uma história que vem de longe, desde o começo dos anos 90. Acreditamos neles muito antes de virarem unanimidade”, diz o baterista João Barone, que forma o trio anfitrião junto de Herbert Vianna (voz e guitarra) e Bi Ribeiro (baixo). O tema do repertório serão os hits dos mais de quarenta anos da banda, como Alagados, Meu Erro e Uma Brasileira, com o feliz acréscimo do grupo pernambucano liderado pelo cantor Jorge Du Peixe nos arranjos. “Encontrar com Chico Science (ex- -vocalista do Nação, morto em 1997) foi marcante, toda a estética do manguebeat, eles inspiraram muito os Paralamas”, relembra João. Um dos mais longevos grupos da música brasileira, o trio tem planos de trabalhar material inédito no futuro breve. “Isso se mantém igual: adoramos tocar juntos. Tem algo de mágico na nossa união. Mantemos o mesmo encantamento desde quando nos encontramos pela primeira vez”, afirma o baterista.

Os Paralamas do Sucesso no Allianz Parque: data extra em outubro
Os Paralamas do Sucesso em SP: Bi, Herbert e João (Divulgação/Divulgação)

> ARTE E MÚSICA Samuel de Saboia é um nome emergente da música brasileira que toca no festival no domingo (24). Além de cantor e compositor, o pernambucano é artista visual. “A pintura é mais interna, são vivências sentidas mas nem sempre explicadas; na música eu me rasgo, conto os nomes, datas, endereços”, explica o músico, que lançou em 2025 o disco de estreia As Noites Estão Cada Dia Mais Claras. No palco, além de faixas como Deusa dos Prazeres Bobos, ele vai mostrar um single inédito. Sua sonoridade, entre o rock, a MPB e o pop, carrega influências de Michael Jackson, Joni Mitchell, Elza Soares, Naná Vasconcelos, Labi Siffre, Paul McCartney e Gal Costa. “Sempre gostei daqueles que não têm medo de ser mas também têm visão e ambição. Admiro os artistas que conseguiram, através do seu trabalho também, manter sua liberdade.”

Samuel de Saboia no C6 Fest: artista visual e músico
Samuel de Saboia no C6 Fest: artista visual e músico (Hannah Carvalho/Divulgação)
Continua após a publicidade

> IN MEMORIAM Um dos momentos especiais do festival será a apresentação da Hermeto Pascoal Big Band, na sexta-feira (22). O grupo foi criado pelo músico alagoano (1936-2025) para a gravação do disco Natureza Universal (2017), vencedor do Latin Grammy como Melhor Álbum de Jazz. Formam o conjunto vinte músicos parceiros do gênio, com regência do pianista André Marques, que tocou com Hermeto por mais de três décadas. O convite para o show no festival foi feito ainda com o instrumentista em vida. “Ele sempre nos incentivou a continuar, que essa música nunca podia parar, mesmo quando ele fosse embora”, diz o maestro. No repertório, as faixas do álbum, com composições e arranjos de Hermeto, e novidades. “Estamos conversando sobre um próximo disco; ele deixou arranjos para uns três discos com essa formação”, conta André. Hermeto se apresentou no Free Jazz em 1987, 1993 e 1998. “Ele mudou totalmente minha forma de pensar em relação à música: primeiro sentir, depois procurar saber”, diz o músico. “Nos mais de trinta anos tocando com ele, nunca vi um teatro vazio e poucas vezes não vi o teatro lotado”, afirma. Será um bonito momento de homenagem a um dos maiores da música nacional.

A Hermeto Pascoal Big Band: show no C6 Fest em homenagem ao músico alagoano (1936-2025)
A Hermeto Pascoal Big Band: show no C6 Fest em homenagem ao músico alagoano (1936-2025) (Gabriel Quintão/Divulgação)

Você precisa conhecer

> OKLOU Pop futurista francês, com belas melodias e arranjos eletrônicos. Assim soa o projeto da cantora, compositora, DJ e produtora Marylou Mayniel. Com uma voz metálica e sintetizadores, o disco de estreia Choke Enough (2025) vale a descoberta. Em abril ela apresentou o álbum no festival americano Coachella. “Quando ouvimos, pensamos: ‘essa menina é superinteressante, o que ela está fazendo é totalmente relevante e contemporâneo’, ainda antes de ela estourar”, diz o curador Ronaldo Lemos. Uma dica é ouvir a faixa Harvest Sky, principal hit da artista, que toca no domingo (24).

Oklou no C6 Fest: pop futurista
Oklou no C6 Fest: pop futurista (Gil Gharbi/Divulgação)
Continua após a publicidade

> JULIUS RODRIGUEZ O pianista americano transita entre o jazz tradicional e as influências urbanas do R&B e do hip-hop. Dominando as teclas desde os 6 anos de idade, ele colaborou com artistas como Dev Hynes, Macy Gray e Meshell Ndegeocello. Seu álbum mais recente é Evergreen (2024) — destaque para a faixa Funmi’s Groove. “Ele vem de uma geração que tem um estilo muito próprio de tocar jazz”, diz o curador Lourenço Rebetez. “É um pianista superjovem que faz a ligação entre aquele jazz mais classudo e um som mais contemporâneo. É um tremendo músico”, comenta Pedro Albuquerque, que também assina a curadoria de jazz. O show acontece na primeira noite (21) de festival.

O pianista Julius Rodriguez: nova geração do jazz
O pianista Julius Rodriguez: nova geração do jazz (EBAR/Divulgação)

> AMAARAE A cantora pop ganesa-americana conecta os sons dançantes da diáspora negra, transitando do dancehall ao funk brasileiro. O ritmo nac i o n a l e s t á presente no disco Fountain Baby (2023), na faixa Angels in Tibet, e no mais recente Black Star (2025), em Stuck Up. Em ascensão, a artista traçou parcerias com Kali Uchis, Childish Gambino e Janelle Monáe nos últimos anos. “Ela é incrível, misturando pop com afrobeat”, diz o curador Ronaldo Lemos. Ela canta no sábado (23).

Amaarae em SP: show no C6 Fest
Amaarae em SP: show no C6 Fest (Jenna Marsh/Divulgação)

C6 Fest. Parque Ibirapuera. Avenida Pedro Álvares Cabral, s/nº. 16 anos. Acess. Qui. (21) e sex. (22), 19h. Sáb. (23) e dom. (24), 13h. R$ 120,00 a R$ 1 060,00. 16 anos. eventim.com.br. ■

Publicado em VEJA São Paulo de 15 de maio de 2026, edição nº 2995

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas.

Revista em Casa + Digital Completo
Impressa + Digital
Revista em Casa + Digital Completo

Informação de qualidade e confiável, a apenas um clique.
Assinando Veja você recebe semanalmente Veja Rio* e tem acesso ilimitado ao site e às edições digitais nos aplicativos de Veja, Veja SP, Veja Rio, Veja Saúde, Claudia, Superinteressante, Quatro Rodas, Você SA e Você RH.
*Assinantes da cidade do RJ

A partir de R$ 39,99/mês