A pequena cidade sueca por trás de uma vodca global
Em Åhus, no sul da Suécia, a marca Absolut concentra toda a produção, inclusive da nova versão em collab com a Tabasco que está chegando a bares paulistanos
Sob uma alta camada de gelo fofo como raspadinha, onde as passadas deixavam rastros, era possível observar plantinhas despontando. Essa era a visão ao caminhar pelos campos onde nasce o trigo de inverno, visitados em uma manhã fria de janeiro, em um dia em que os termômetros não chegavam a 5 graus, nos arredores de Åhus, cidadezinha costeira no sul da Suécia, conhecida pela elaboração de vodca premium.
A bebida alcoólica obtida de cereais ricos em amido, como centeio, batata e o próprio trigo, tem como berços a Rússia e a Polônia, mas é fabricada no mundo todo. O país nórdico entrou na rota dos apreciadores do destilado por sediar uma das marcas mais famosas do planeta, a Absolut. Toda a produção está concentrada ali, na cidade que abriga cerca de 10 000 habitantes e um porto de médio porte.
O produto foi lançado em 1979 pela Vin & Sprit, com a icônica garrafa transparente, e se tornou um sucesso de exportação. A empresa estatal retomou o legado do empresário Lars Olsson Smith, que, no fim do século XIX, já adotava o método de destilação contínua, capaz de alcançar alto nível de pureza. Desde 2008, a marca, presente em cerca de 140 países, é controlada pelo grupo Pernod Ricard.
Por volta de 300 produtores cultivam o trigo que, combinado à água pura da região, extraída de poços próprios a 140 metros de profundidade, dá origem à bebida. A mistura fermenta em tanques antes de passar pela destilação e depois é envasada — em garrafas enxaguadas com a própria vodca, etiquetadas e despachadas a partir da mesma cidade.
Um contraste gritante desenhase ao lembrar dos gélidos campos de trigo e provar um gole do lançamento que começou a chegar ao mercado brasileiro em abril. É a Absolut Tabasco, mais um exemplo saborizado, resultado de uma parceria da empresa com a marca de molhos picantes fundada em 1868, na Louisiana, nos Estados Unidos. Presente em cinquenta praças, a collab chega após se rastrear o aumento do interesse das novas gerações por comida picante e condimentada. “Acreditamos ser possível atrair novos públicos”, disse Craig Van Niekerk, vice-presidente global de marketing da Absolut, à Vejinha.
A bebida não perde seu caráter de vodca mesmo adquirindo um toque picante inconfundível, conferido pela infusão com um subproduto da pasta fermentada e envelhecida de pimentas vermelhas com sal. O resultado pôde ser provado em janeiro, em primeira mão, na Suécia, por um grupo de jornalistas representantes de Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido e Brasil. Além da visita à fábrica, a viagem contou com um brunch e um jantar de churrasco à moda sueca, com coquetéis preparados com o recém-chegado. Um deles foi a curiosa versão da caipirinha feita com limão-siciliano, levemente ardida, a spicy caipi.
O “veículo” mais usado para divulgar o lançamento é o bloody mary, drinque de suco de tomate condimentado e vodca. Endereços na capital paulista, como o restaurante Teus, em Pinheiros, e o bar de coquetéis Banqueta, com unidades em Moema e na Vila Madalena, já servem a mistura. Outra forma de a destilaria se mover para que mais pessoas conheçam a novidade é uma ativação — do dia 23 até o doProdução da Absolut Tabasco: exportada para cinquenta países mingo (26), um espaço na forma de garrafa recebe visitantes em frente ao Shopping Cidade São Paulo.
A viagem pela Suécia seguiu para Estocolmo, a cerca de 500 quilômetros de Åhus, onde fica parte da base da companhia. Ali foram realizadas degustações e entrevistas. E, nos arredores da cidade, houve uma ida a um arquivo que guarda objetos icônicos ligados à Absolut, como a série de anúncios de revista que recriava cidades usando a silhueta da garrafa. Essas visitas, infelizmente, são fechadas ao público em geral, assim como a fábrica — Åhus teve até um espaço turístico, o Absolut Home, hoje encerrado. Mas os fãs não ficam desassistidos. Além de interessantes bares, como o Tjoget, Estocolmo abriga o Spritmuseum, ou Museu dos Destilados, com objetos e publicações ligados à cultura de bebidas e à produção. Um assunto quente até mesmo no inverno sueco.
Publicado em VEJA São Paulo de 24 de julho de 2026, edição nº 3005.
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