O encontro que reúne desconhecidos em SP para ler em silêncio
Criado há um ano, Rolê dos Livros reúne leitores em diferentes pontos literários e culturais da cidade
Sentar e ler um livro pode ser considerado um ato intrinsecamente individual, mas um novo fenômeno paulistano tem posto este conceito em xeque. É o Rolê dos Livros, projeto que há um ano organiza encontros em que desconhecidos se reúnem para ler, em silêncio.
Não é bem um clube de leitura, já que cada um traz o livro que quer, sem qualquer indicação temática, mas o espírito coletivo dos clubes prevalece. “Queríamos tirar a literatura do pedestal e fazê-la acontecer e fluir entre mais pessoas”, conta Beth Leites, que idealizou o projeto ao lado de Débora Tavares e Mariana Popper, inspiradas em iniciativas semelhantes no exterior.
Como funciona:
Os encontros, que duram cerca de 2 horas, seguem uma dinâmica pré-estabelecida, dividida em quatro momentos de 30 minutos. Primeiro, leem os livros que trouxeram, depois o microfone é aberto para quem quiser compartilhar um pouco de sua leitura. Em seguida, outra leva de 30 minutos de leitura silenciosa, o microfone é reaberto para que os participantes possam ler um trecho de seus livros.
O que mais encanta Beth é o silêncio compartilhado — “parece que as cabeças estão vibrando” — e o acolhimento sem julgamentos. “Tem gente que lê autoajuda, poesia, não-ficção… Tem até algumas crianças, que vão ao microfone falar do gibi da Turma da Mônica”, diverte-se.
Neste universo diverso de títulos, há uma campeã de leitores: Mariana Salomão Carrara. “Não houve nenhum rolê em que não houvesse pelo menos um livro dela”, conta a organizadora.
Desde a primeira edição, que levou 27 pessoas à Livraria Simples, no Bixiga, o projeto expandiu-se rapidamente: um ano depois, 367 leitores se posicionavam em cadeiras dobráveis em um concorrido encontro no vão do Masp. No ínterim, passou por espaços como a Casa Mário de Andrade, na Barra Funda, a Biblioteca Pública Hans Christian Andersen, no Tatuapé, e o Sesc Pinheiros. “A gente tenta se espalhar por São Paulo, principalmente bibliotecas públicas, para estimular o uso desses espaços”, explica Beth.
Além da capital paulista, já fizeram o rolê em São Carlos e no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro. “Acho que o sucesso tem a ver com a necessidade que temos de fugir das telas, de estarmos próximos às pessoas”, compartilha a idealizadora.
O próximo encontro será em 12 de setembro, no Goethe Institut, em Pinheiros. As inscrições ainda não abriram, mas o programa (que é gratuito) será divulgado em roledoslivros. substack. com.
Publicado em VEJA São Paulo de 4 de setembro de 2026, edição nº3011.







