Dia Internacional do Café: conheça alguns dos processos por trás da bebida
Da torra à moagem, diferentes etapas influenciam o aroma, o sabor e as características do café. Para celebrar a data, saiba mais por trás da produção
Nesta quinta (1º), é celebrado o Dia Internacional do Café. Queridinha entre os brasileiros e paulistanos, a bebida é uma das mais consumidas no território nacional e está presente em diversos momentos do dia a dia – do primeiro gole da manhã à pausa depois do almoço e após o jantar.
Nos últimos anos, os cafés especiais também ganharam espaço, com grãos de diferentes origens, perfis sensoriais e métodos de preparo que ampliam a experiência de degustação do líquido.
Para chegar à mesa com determinadas características de aroma, sabor, corpo e acidez, o café passa por uma série de etapas. Depois de plantado e colhido, o grão precisa ser torrado e moído antes de chegar à extração. A combinação entre esses processos, além da escolha do método de preparo, influencia diretamente o resultado da bebida.
Torra e a transformação do grão
Em São Paulo, as irmãs Julia e Nadia Nasr comandam a empresa Café Por Elas, responsável por torrar e vender grãos produzidos apenas por mulheres de diferentes regiões do país. Em julho, elas abriram a Cafetina, ao lado da torrefação, cafeteria eleita a Novidade do Ano pelo COMER & BEBER 2026.
As irmãs explicam que existem três tipos de torras: clara, média e escura, que definem, basicamente, a cor que o grão fica depois desse processo. No entanto, dois cafés de mesma tonalidade, ainda podem ter sabores muito diferentes na xícara.
“A gente trabalha com um equipamento que permite controlar vários parâmetros durante a torra: temperatura de entrada e de saída e tempo. Cada uma dessas variáveis muda o sabor do café.”, dizem. “Uma boa torra honra o trabalho do produtor e valoriza o que aquele lote tem de melhor.”, continuam.
A influência da moagem
Depois da torra, outro fator que influencia a característica da bebida é a moagem. A granulometria, ou seja, o tamanho das partículas dos grãos, controla a velocidade em que a água extrai o café e isso altera o sabor final.
Em uma moagem mais fina, a água demora mais para ultrapassar os fragmentos do grão, o que geralmente traz mais intensidade para o líquido, enquanto na mais grossa, esse processo é mais rápido, resultando em uma bebida mais delicada.
No entanto, Julia e Nadia acreditam que é sempre válido testar diferentes formas na hora do preparo. “Tudo vai influenciar no resultado final. Além da moagem, tem outros fatores como a proporção de café pra água, temperatura e qualidade da água, frescor do grão. O mundinho dos cafés especiais é cheio de possibilidades.”, afirmam.
O caminho até a xícara
A última etapa para o café chegar à xícara é o método extração, que se divide em três grupos. Os filtrados são os mais conhecidos, e acontecem quando a água atravessa a camada de pó por gravidade e vai extraindo pelo caminho, caso dos coados.
Também existem os feitos por infusão ou imersão, em que o café fica mergulhado na água por um tempo e depois é separado – pode ser feito na prensa francesa, por exemplo.
O terceiro é produzido sob pressão, como os famosos expressos. Neste procedimento, a água é forçada através do pó, o que acelera a extração.
Cada um dos três modos de preparo traz determinadas características para a bebida. Segundo Julia e Nadia, existem três fatores estruturais diferenciam os principais métodos: forma de contato entre água e café; tempo e velocidade da extração; e presença ou ausência de filtragem. “Essas diferenças alteram principalmente corpo, intensidade, acidez, doçura e clareza sensorial. O método não cria novos sabores, mas muda a forma como os compostos do café são extraídos e percebidos.”, explicam.
São muitas variáveis que fazem hoje um simples cafézinho ainda mais gostoso.
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