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Blog do Lorençato

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O editor-executivo Arnaldo Lorençato é crítico de restaurantes há mais de 30 anos. De 1992 para cá, fez mais de 16 000 avaliações. Também comanda o Cozinha do Lorençato, programa de entrevistas e receitas no YouTube. O jornalista é professor-doutor e leciona na Universidade Presbiteriana Mackenzie

Xavier Bartaburu lança livro sobre a história da cozinha paulistana

A obra será apresentada em 24 de setembro na Livraria da Vila dos Jardins às 19h

Por Arnaldo Lorençato Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 4 set 2026, 08h00 | Atualizado em 4 set 2026, 11h54
Mulheres e homens indígenas servem e comem refeições em um ambiente rústico com grandes panelas de comida, incluindo arroz, feijão e legumes. Uma mulher em primeiro plano serve tomates fatiados, enquanto outra, ao centro, pega comida de uma panela.
Como São Paulo Come: formas de se alimentar do paulistano (Felipe Abreu/Divulgação)
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Xavier Bartaburu lança livro sobre a história da cozinha paulistana Priorizar nos meus resultados Google

Como São Paulo Come – Uma História Íntima da Cozinha Paulistana é uma obra de fôlego (Olhares, 274 págs., R$ 120,00).

Foram necessários quase dois anos entre a pesquisa e a produção do texto, para o jornalista Xavier Bartaburu escrever o livro que põe em primeiro plano personagens da cidade e a memória que eles têm da comida. Também jornalista, Patricia Moll foi responsável pelo extenso levantamento culinário e pela seleção de personagens.

 

Mãos de uma pessoa idosa seguram um caderno de receitas antigo, aberto sobre uma toalha de mesa dourada. As páginas amareladas contêm receitas manuscritas, incluindo Bolo de Natal e Recheio e Cobertura, com pedaços de papel soltos inseridos
Memórias gastrônomicas: dos personagens (Felipe Abreu/Divulgação)

Na ordem estabelecida pelo autor, os entrevistados encontram-se reunidos por suas origens étnicas. Estão contemplados os povos originários, portugueses e africanos, pilares da formação brasileira, assim como se abre um capítulo para os caipiras, sincretizadores de parte da cozinha mestiça no país. “São eles que deram as matrizes estruturantes da cozinha paulista”, aponta Xavier.

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Também estão retratados os imigrantes, não só as duas maiores colônias formadas por italianos e japoneses, mas sírios e libaneses, alemães, judeus, coreanos e bolivianos. “São as que mais impactaram a formação do paladar do paulistano, ainda que os coreanos e bolivianos tenham uma presença bem menor”, explica Xavier.

Duas mulheres, uma com hijab bege e outra com hijab listrado, escolhem vegetais frescos em uma feira movimentada. Elas estão inclinadas sobre bancadas repletas de folhas verdes, como alface e aipo. Ao fundo, homens trabalham entre caixas e barracas sob toldos azuis e verdes, indicando um mercado ao ar livre. A cena transmite a atmosfera vibrante de um mercado de alimentos.
Imigrantes: impactos no paladar paulistano (Felipe Abreu/Divulgação)

Destaca-se ainda a participação dos nordestinos, uma vez que o maior fluxo migratório vem de estados no nordeste. Essa mistura de culturas é ainda mais extraordinária quando se fala da diversidade à mesa.

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Numa fronteira surpreendentemente agrícola da cidade, a obra começa por apresentar a terra Indígena Tenondé Porã, em Parelheiros, no extremo sul do município, área dominada no seu entorno por muitas chácaras com produção de hortaliças.

É ali que vivem representantes dos Guarani Mbya, entre eles Jerá Poty Mirí, que tem o milho como elemento essencial de sua alimentação.

A cozinha caipira, com sua deliciosa mestiçagem, traz como personagem a chef Mara Salles, não a grande dama da gastronomia brasileira que ela é, mas a cozinheira interiorana e suas irmãs em uma chácara na região da Cantareira, onde a família retorna às raízes rurais em Penápolis, no interior do estado.

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Mulher idosa de óculos e avental cinza despeja um líquido cremoso de uma tigela azul em uma panela com pedaços de carne, em uma cozinha rústica com fogão a lenha e utensílios de metal. Outras pessoas desfocadas aparecem ao fundo
A chef Mara
Salles: do Tordesilhas (Felipe Abreu/Divulgação)

É ali que elas se reúnem para preparar refeições como na infância, um arroz soltinho feito com banha e não com óleo, e um bolinho de bacalhau com almeirão, receita que encerra essa passagem.

Fartamente ilustrado, o exemplar traz fotos de Fellipe abreu. A obra, patrocinada pela centenária Casa santa Luzia, tem lançamento marcado para 24 de setembro na Livraria da Vila (Alameda Lorena, 1501, Jardim Paulista), a partir das 19h.

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Publicado em VEJA São Paulo de 4 de setembro de 2026, edição nº 3011.

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