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Blog do Lorençato

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O editor-executivo Arnaldo Lorençato é crítico de restaurantes há mais de 30 anos. De 1992 para cá, fez mais de 16 000 avaliações. Também comanda o Cozinha do Lorençato, programa de entrevistas e receitas no YouTube. O jornalista é professor-doutor e leciona na Universidade Presbiteriana Mackenzie

Cidade Matarazzo ganha o formidável complexo gastronômico Mata Città

Com restaurante, bar, sorveteria e brunch, espaço de 1 600 metros quadrados dedicado à culinária italiana fica perto da Paulista

Por Arnaldo Lorençato Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 5 dez 2025, 08h00
Homem sentado sorrindo e mesas em volta
Mata Città: Thiago Saldiva, o responsável pela gastronomia do complexo  (Ricardo Dangelo/Veja SP)
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Cidade Matarazzo ganha o formidável complexo gastronômico Mata Città Priorizar nos meus resultados Google

O monumental Cidade Matarazzo tem uma estreia e tanto na quarta (10). Vem se somar ao espaço histórico, remodelado pelo francês Alex Allard e onde já funciona o centro cultural Casa Bradesco, o primeiro restaurante. Ou melhor, um complexo dedicado à culinária italiana, intitulado Mata Città.

Neste início, serve almoço e jantar. A partir de janeiro, está prevista a abertura também para o café da manhã. Com um visual e arquitetura de tirar o fôlego elaborados pelo escritório Toca, da consultora de projetos especiais de arte e moda Malu Barretto, o Mata Città esparrama-se por uma área grandiosa de 1 600 metros quadrados, capaz de acomodar 470 pessoas simultaneamente em seus sete ambientes, todos cinematográficos.

Espaço com muitas bebidas
Mata Città: bar Capo (Ricardo Dangelo/Veja SP)

“A ideia foi criar ambientes que conversam com a arquitetura histórica ao redor, mas cada um com sua própria personalidade”, explica Malu. “No fim, tudo se conecta para formar uma experiência imersiva que mistura design, gastronomia e convivência.”

Entre os muitos detalhes decorativos de faiscar na retina e que mais chamam a atenção são cerca de 1 200 pratos espalhados por paredes e tetos, em especial de uma sala mais intimista com dois ambientes, um de frente para o outro, e batizada de Conde. Além da louça, há, aqui e acolá, fotos do conde Francisco Matarazzo e seus descendentes, ele fundador do hospital transformado no espaço multiúso que aos poucos ganha novas utilizações.

A proposta, aliás, recorrente em muitos empreendimentos dedicados à Itália, é resgatar a atmosfera da dolce vita, como fez o genial Federico Fellini em um de seus filmes mais emblemáticos.

Não por acaso, a sorveteria, também dedicada a servir brunch e café da manhã, tem o mesmo nome do filme. Mas não se verá por lá uma reprodução da Fontana di Trevi invadida por Anita Ekberg.

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Estátua no meio do salão envidraçado
Mata Città: a réplica da estátua Três Graças no espaço Tivoli (Ricardo Dangelo/Veja SP)

No salão intitulado Tivoli, montado como um jardim de inverno e cercado de muito verde, há uma cópia da escultura As Três Graças, na qual o italiano Antonio Canova personifica as deusas da mitologia grega Aglaia, Eufrosina e Thalia, ideia surgida muito antes da novela de Aguinaldo Silva.

Mesa grande com várias cadeiras e decoração
Mata Città: espaço Cucina com mesa compartilhada (Ricardo Dangelo/Veja SP)

A sequência de ambientes inclui o Cucina, um misto de restaurante e empório ocupado por mesão coletivo com 26 lugares. É ali também que se expedem as pizzas assadas em um forno para pães da marca portuguesa Ramalho.

Espaço com paredes decoradas e bicicleta
Mata Città: espaço Cucina com expedição de pizza (Ricardo Dangelo/Veja SP)
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No Positano, nome de um dos mais belos balneários da Costa Amalfitana, o limão-siciliano impera na decoração. Fica vizinho ao Capo, um bar grandioso com um piano e cortinas vermelhas.

Na área externa, um pergolado com a proteção de tecido branco abriga o Terrazza, o único local pet friendly do conjunto.

Completam a cenografia, dois dos banheiros mais instagramáveis da cidade, um deles dedicado às cartas de tarô da região da Puglia. Por lá, há uma tela touch screen para o visitante consultar a sorte.

Banheiro decorado
Mata Città: banheiro do tarô (Ricardo Dangelo/Veja SP)

A gastronomia, com supervisão do chef-executivo do Cidade Matarazzo, Felipe Rodrigues, está nas mãos de Thiago Saldiva, profissional de sólida carreira e cujo posto mais recente era o comando do L’Avenue, franquia francesa com um caprichado menu no Shopping Cidade Jardim. “Minha proposta de cardápio parte de três princípios fundamentais: a comida precisa ser muito boa, ser servida rapidamente e ser familiar. Não quero que os clientes fiquem perdidos no cardápio”, explica.

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As receitas definidas por ele seguem a linha clássica, sem grandes invenções. Thiago, porém, não nega a adição de um ou outro toque autoral. “Pela minha formação e vivência, é inevitável dar uma personalidade própria aos pratos”, garante. O foco é em pizzas e massas. Também há uma preocupação com o preço.

Pizzas em cima de balcão e espaço decorado
Mata Città: pizzas no espaço Cucina (Ricardo Dangelo/Veja SP)

A tradicional margherita, em tamanho individual e coberta com molho de tomate, muçarela fior di latte e manjericão, sai por 38 reais. No capítulo das massas, não faltaram versões de espaguete como um singelo alho e óleo e o all’assassina, tostado em molho de tomate picante e exclusividade do bar Capo. Cada um deles custa 40 reais.

Espaguete em cima de prato branco e taça ao fundo
Mata Città: espaguete all’assassina (Ricardo Dangelo/Veja SP)

Tem ainda versões frescas e recheadas, caso do agnolotti dal plin banhado por manteiga com parmesão e molho demi-glace, a 70 reais. A oferta se completa com carnes, entre elas o ossobuco ao vinho tinto por 160 reais.

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Na seção dedicada às sobremesas e cuidada por Bárbara Andrade, umas das promessas para conquistar o paladar da clientela é a torta de limão e merengue, a 96 reais para três pessoas.

Torta com cobertura de chantili em prato decorado
Mata Città: torta de limão com merengue (Ricardo Dangelo/Veja SP)

Com imponente balcão, o Capo está nas mãos do head mixologist Gabriel Bressane e do chefe de bar Carlos Franco. A dupla prepara drinques conhecidos, assim como revisita clássicos. Um exemplo é o negroni del conde, combinação de gim, amaro, vermute tinto, banana, açaí, bitter de cacau e chocolate 70% cotado a 75 reais.

Drinque vermelho com gelo
Mata Città: negroni del Conde (Ricardo Dangelo/Veja SP)

A oferta etílica se completa com uma extensa carta de vinhos. Repousam na adega 300 rótulos de estilos e origens diferentes.

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Na orquestração de tudo está o gerente-geral da operação, Octavio Moniz, conhecido como Tato. “Sou responsável por toda a estrutura organizacional da casa, por garantir a excelência do atendimento, da experiência do cliente em todos os ambientes e junto com o chef Thiago garantir o bom desempenho e resultado da operação”, afirma.

Homem sorrindo com fundo escuro
Mata Città: Tato Moniz, gerente-geral da operação (Ricardo Dangelo/Veja SP)

Entre as expectativas está a premissa de, em uma curva ascendente, receber até 2 000 clientes a cada dia. Para isso, Tato conta com uma equipe de 150 profissionais no salão e outras setenta pessoas na cozinha.

Espaço com poltronas e garrafas de bebidas
Mata Città: espaço do bar Capo (Ricardo Dangelo/Veja SP)

Não é um desafio simples deleitar o exigente público paulistano em uma das cidades mais italianas do mundo fora da Itália. É aguardar e conferir.

Publicado em VEJA São Paulo de 5 de dezembro de 2025, edição nº 2973.

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