Avatar do usuário logado
Usuário

Candidatos ao governo de SP, Tarcísio e Haddad nacionalizam debate

Este é o primeiro debate entre os candidatos que disputarão o segundo turno na disputa estadual

Por Hyndara Freitas 10 out 2022, 22h09 | Atualizado em 5 jun 2026, 10h23
Fernando Haddad e Tarcísio de Freitas participam de debate na Band.
Fernando Haddad e Tarcísio de Freitas em debate da Band (TV Bandeirantes/Reprodução)
Continua após publicidade
Candidatos ao governo de SP, Tarcísio e Haddad nacionalizam debate Priorizar nos meus resultados Google

Os candidatos ao governo de São Paulo Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT) se se enfrentaram diretamente nesta segunda-feira (10) no primeiro debate após o primeiro turno das eleições, promovido pela Band. Como esperado, os dois transformaram a disputa estadual em uma discussão nacional: os nomes de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL) foram citados diversas vezes, com os dois postulantes usando seus padrinhos políticos como exemplos do que pode ser feito no estado caso assumam o Palácio dos Bandeirantes.

O primeiro tema do debate foi impostos, quando Tarcísio exaltou a ação de Bolsonaro de reduzir o ICMS sobre combustíveis. O petista rebateu dizendo que o chefe do Executivo federal está “fazendo caridade com o chapéu alheio”, porque a medida diminui a arrecadação dos estados.

Depois, Tarcísio questionou Haddad sobre uma fala de Lula, que sugeriu que policiais não são gente, ao que o petista respondeu que o ex-presidente já havia pedido desculpas e citou falas negativas de Bolsonaro, como ter chamado a Covid-19 de “gripezinha” e ter “debochado de pessoas com falta de ar”.

+ Datafolha: Tarcísio tem 50% e Haddad 40% no segundo turno

Em seguida, o assunto da segurança pública foi posto em pauta e Tarcísio voltou a repetir que vai retirar as câmeras dos uniformes dos policiais militares. “Se a gente for olhar a produtividade, a gente vai ver que a produtividade nos batalhões que estão com câmeras caiu. Eu estou preocupado com a segurança do cidadão porque a câmera não conseguiu trazer a segurança”, afirmou. Ele ainda defendeu a ampliação de acesso a armas, política adotada pelo atual presidente. “A arma sempre chegou ao bandido, agora está chegando ao cidadão de bem”.

Continua após a publicidade

Haddad, por outro lado, disse que não se pode “fechar os olhos para a ciência, para os dados que mostram que as câmeras funcionam”. Depois, questionou Tarcísio a opinião dele sobre vacinas. 

Tarcísio usou boa parte de suas falas para defender Bolsonaro, acusou o adversário de usar “fake news” sobre falas do presidente e disse que a economia do País cresceu nos últimos anos. Ele ainda afirmou ser a favor da redução da maioridade penal e que a bancada de deputados federais aliados vai atuar no Congresso para mobilizar isso.  Ele ainda prometeu “construir mais presídios para o semiaberto”.

Haddad prometeu construir 70 hospitais-dia em todo o estado de São Paulo e disse que o governo federal “simplesmente cruzou os braços durante dois anos ao invés de preparar o SUS para o pós-pandemia”. “Você fala de infraestrutura como se infraestrutura fosse asfalto, infraestrutura é UBS, hospital, é CEU, escola, universidade. Braços cruzados, o menor investimento do estado de São Paulo. E por que, por causa de uma briga boba. Governador e presidente precisam se entender por dever constitucional, como o Lula fez”, acrescentou. 

Continua após a publicidade

Quando questionado sobre investimentos para o agronegócio no estado, o petista também aproveitou para alfinetar Bolsonaro, argumentando que “a mudança no regime de chuvas aqui em São Paulo tem a ver com o desmatamento da Amazônia e que no governo Bolsonaro, nós desmatamos uma Bélgica na Amazônia”. Sobre o mesmo tema, Tarcísio defendeu regularização fundiária e ambiental e ampliar o acesso ao crédito rural. 

Em mais um momento de nacionalização, Haddad questionou Tarcísio sobre o orçamento secreto do Congresso Nacional e quanto o governo federal decidia os destinos dos recursos federais, ao que o postulante do Republicanos não respondeu diretamente. Ele afirmou que as emendas de relator “precisam de ajustes”, e destacou que o governo “não pode ficar só escravo do orçamento, por isso que a gente foi atrás da iniciativa privada”. Ele aproveitou para citar o projeto de privatização do Porto de Santos.

Haddad disse ser contra qualquer tipo de sigilo, e ao tocar no assunto de privatizações, se posicionou contra a privatização da companhia de saneamento básico, falando que essa medida aumentaria o valor da tarifa de água para a população.

Continua após a publicidade

Em outro momento, o petista provocou o adversário Tarcísio sobre ter trabalhado no governo Dilma Rousseff: “Eu trabalhei menos que você, eu trabalhei um ano, você trabalho quatro”. Tarcísio criticou: “Acho que você está preso ao passado, ao tempo que você era ministro. Agora você é candidato ao governo de São Paulo”.

Chegada

Ao chegarem no estúdio, os candidatos falaram que usarão a oportunidade para apresentar suas propostas. Tarcísio minimizou a importância do apoio de Rodrigo Garcia (PSDB), disse que ele não irá compor o seu governo e afirmou que não pretende manter nenhum secretário atual caso seja eleito. “No primeiro debate a gente sempre está mais nervoso, este é o quinto. Agora já estou mais a vontade, as propostas vão se consolidando, vai ser um debate propositivo, diferente do que foi o primeiro”, afirmou.

Continua após a publicidade

O candidato do Republicanos ainda destacou que não há favoritismo de Lula no plano nacional contra Bolsonaro, seu principal padrinho político, e se mostrou otimista. “Esse favoritismo já foi, ele acabou no domingo, no primeiro turno. Ele teve uma maioria eleitoral, mas não tem uma maioria política, e agora a gente vai começar a ver essa maioria política se transformando em maioria eleitoral. O jogo está absolutamente aberto e eu estou muito confiante que o presidente Bolsonaro vai ganhar a eleição”.

Haddad, por sua vez, se mostrou otimista em relação ao fato de ter ficado no segundo lugar no primeiro turno. “É a segunda vez que o PT vai para o segundo turno, isso só aconteceu uma única vez, em 2002. Então nós estamos muito satisfeitos até aqui, a diferença entre nós dois é pequena, superável. É uma disputa diferente e naturalmente, como no plano nacional o Bolsonaro está tentando alcançar o presidente Lula, aqui também. Faz parte do segundo turno duas posições se enfrentarem, essa questão do favoritismo começa hoje no debate”, falou. Ele ainda disse o debate do segundo turno tem mais “paridade” e que isso favorece o eleitor.

No primeiro turno, Tarcísio recebeu mais de 9 milhões de votos, que representaram 42,32% do total, enquanto Haddad somou mais de 8 milhões, 35,70% entre os votos válidos. Independente de quem vença a eleição, será a primeira vez em 28 anos que o estado de São Paulo não será governador por um político do PSDB.

Continua após a publicidade

Na próxima sexta-feira (14), os dois participam de debate promovido por VEJA, SBT, CNN Brasil, Estadão, Terra e  Nova Brasil FM, às 22h30. No dia 17 de outubro, os candidatos participarão do Roda Viva, da TV Cultura. Já no dia 27, será realizado o debate da TV Globo.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Fundo verde-escuro com texto O MÊS É DO CLIENTE. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua. em amarelo e branco. À direita, uma mão segura um smartphone exibindo um portal de notícias e um ícone de árvore verde-claraMão segurando um smartphone com aplicativo de notícias exibindo O MÊS É DO CLIENTE. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua em fundo verde-escuro, com ícone de árvore no canto superior direito
Revista em Casa + Digital Completo
Impressa + Digital
Revista em Casa + Digital Completo

Informação de qualidade e confiável, a apenas um clique.
Assinando Veja você recebe semanalmente Veja Rio* e tem acesso ilimitado ao site e às edições digitais nos aplicativos de Veja, Veja SP, Veja Rio, Veja Saúde, Claudia, Superinteressante, Quatro Rodas, Você SA e Você RH.
*Assinantes da cidade do RJ

A partir de R$ 32,90/mês