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‘Não importa a ação policial, não vamos sair’, diz manifestante

Organizadores do Passe Livre prometem um protesto ainda maior na próxima terça (11); atos não vão acabar enquanto a tarifa não abaixar, prometem

Por Juliana Deodoro 7 jun 2013, 12h38 | Atualizado em 5 dez 2016, 15h56

Os manifestantes contra o aumento da passagem de ônibus que ocuparam a região central e a Avenida Paulista na noite de quinta-feira (6) afirmaram que o segundo ato, que está marcado para esta sexta (7), no Largo da Batata, é apenas a preparação para um protesto ainda maior, que será organizado na Avenida Paulista na próxima terça (11). “Não importa o quão violenta seja a policia, vamos continuar até a tarifa abaixar”, afirma um dos representantes do Movimento Passe Livre (MPL), Caio Ferreira, de 19 anos.

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A primeira manifestação foi marcada pelo conflito com a Polícia Militar, que usou balas de borracha e gás lacrimogêneo, e pela reação dos manifestantes, que quebraram acessos do metrô, causaram danos a lojistas e chegaram a montar uma espécie de barricada de fogo na Avenida 9 de Julho. Leia abaixo a entrevista com o estudante Caio Ferreira.

O que o Movimento Passe Livre reivindica?

Nosso protesto nas ruas é para que a tarifa abaixe de 3,20 reais para 3 reais e não vamos aceitar nenhuma resposta que o prefeito nos dê que não seja essa. Achamos, porém, que a tarifa pode abaixar ainda mais. De todos os serviços públicos como educação e saúde, o transporte é o único que pagamos.

Como você classificaria a manifestação de quinta-feira e a reação da polícia?

O que aconteceu ontem tem um nome: violência. Usaram armas proibidas em vários países contra as pessoas. Quem nunca foi em uma manifestação não sabe o que é o efeito do gás lacrimogêneo. É uma bomba de efeito moral que não tem nada de moral, mas físico. Vi gente que levou bala de borracha no rosto. Essas pessoas vão ter marcas na cara para o resto da vida. Foi uma violência contra uma manifestação justa que reivindica algo para a cidade e para o transporte público.

E a reação dos manifestantes ao danificar o patrimônio público e privado?

A reação das pessoas foi natural, uma resposta à repressão da polícia. Fazer a barricada de fogo foi uma tentativa desesperada de tentar atrasar a polícia.  A PM é mais organizada. A manifestação estava tranquila até a polícia começar a agir. Foi uma consequência da violência policial.

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Vocês calcularam quantas pessoas participaram? E quantas ficaram feridas?

É impossível calcular um número. A polícia tentou nos dispersar várias vezes e não conseguiu. A manifestação se dividiu em três e foi para lugares diferentes. Vi gente saindo do ônibus e do trabalho e entrando na manifestação. O que importa é que mostramos nossa força.

O que vocês esperam do protesto de hoje?

Esse ato é um gesto de que não vamos dar trégua nessa luta. Não importa o quão violenta seja a policia, vamos continuar. Vamos marcar presença e estamos preparando um ato maior para a terça que vem na Praça do Ciclista. Essa manifestação tem um sentido simbólico de mostrar  para os governantes que não vamos sair da rua. Não importa a ação policial, não vamos sair.

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