Agentes afirmam que presos são transferidos sem cuidados com a Covid-19
Sindicato da categoria diz que transporte dos detentos no estado é feito sem o uso de máscaras
Mais de 6 500 detentos estão sendo transferidos do regime fechado para o semiaberto desde o dia 15 de junho, mas o Sindicato dos Funcionários Penitenciários do Estado de São Paulo, Sifuspesp, denuncia que essa transferência está sendo feita de forma imprópria e que pode agravar a contaminação de detentos e funcionários pela Covid-19.
De acordo com o sindicato, a transferência está ocorrendo com os presos sem máscaras, como é o caso do Centro de Progressão de Pena em Tremembé, a 145 km da capital. O grande problema apontado pelos funcionários penitenciários é que a transferência dos mais de 6 000 presos excede muito a capacidade do sistema. No centro de Pacaembu, por exemplo, a capacidade é para 686 presos, mas já há 1 139 pessoas, e a previsão é de chegada de mais 574.
Para Fábio Jabá, presidente do sindicato, a superlotação é crônica em todas as unidades prisionais desde os anos 2000. Ele denuncia o desmonte e o descaso do governo com o sistema prisional exemplificado pelo fato que, desde a sua posse, o governador João Dória não fez a convocação de funcionários concursados.
Cabe lembrar que, no último dia 11, a Justiça concedeu liminar favorável ao sindicato determinando que a Secretaria de Administração Penitenciária tomasse medidas de proteção aos trabalhadores e aos detentos, além de realizar testagem em massa. Na época, a secretaria afirmou que os testes iriam começar na penitenciária de Sorocaba.
Mas procurada novamente pela reportagem da Agência Brasil sobre os questionamentos mais recentes, a pasta não retornou o contato. Segundo apuração do sindicato, atualmente há 258 trabalhadores infectados e 17 mortes. Entre a população carcerária, são 256 casos confirmados, 14 mortes e 80 casos suspeitos, conforme mapeamento do Departamento Penitenciário Nacional.
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