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Xarás entre tapas e beijos

Pessoas e estabelecimentos que dividem o mesmo nome colecionam casos divertidos, confusões, rivalidades e, em alguns casos, processos judiciais...

Por Ricky Hiraoka Atualizado em 1 jun 2017, 17h42 - Publicado em 10 Maio 2013, 18h12

O PÃO COM MANTEIGA DA DISCÓRDIA

Há dois anos, o empresário Arnaldo Príncipe começou a desconfiar que algo não ia bem no Pão com Manteiga da Alameda Campinas. Clientes diziam ter feito reservas que não existiam. “Descobri que havia outro Pão com Manteiga, na Freguesia do Ó, e que nos confundiam.” Segundo ele, houve outros problemas, como fornecedores que entregavam produtos no endereço errado. “Estou no mercado há dezoito anos, e até ficaram com nossas encomendas”, acusa Príncipe, que acionou recentemente a Justiça. Renato Tavares, dono da padaria homônima, fundada em 2011, nega as confusões. “Nada do que ele diz aconteceu. Estamos em bairros distantes e meus advogados sustentam que o nome é de domínio público.”

 

EM DUAS VERSÕES: NUTRICIONISTA E POLÍTICO

A nutricionista Andrea Matarazzo sofre com um drama contemporâneo: quase não encontra citações de seu nome em sites de busca. A questão significaria apenas vaidade, se ela não precisasse de visibilidade para aumentar a clientela. “Quem ouve falar do meu trabalho e me procura na internet encontra o político, que é muito mais famoso que eu”, lamenta. “O Andrea me ofusca no Google.” Ela conta que é comum receber e-mails com reclamações a respeito de problemas da cidade. “As mensagens dizem coisas como: ‘Faça algo quanto àquela obra tal. Votei em você…’ ”. No caso do vereador, com quem ela tem parentesco distante, já ligaram para marcar consultas e pedir dicas de dieta. “Vou reservar uma hora na agenda para visitar minha xará no consultório dela”, promete ele.

josephine
josephine

A DISPUTA POR JOSEPHINE

Quando o estudante Alex Kozloff atropelou o ciclista David Santos e decepou seu braço, em março, mexeu com a rotina de Jesse Andrade, dono do restaurante Josephine, em Moema. Antes do acidente, Kozloff estava na casa noturna homônima, no Itaim, e alguns jornais confundiram os endereços. “Acontece sempre. Após a tragédia de Santa Maria, o Ministério Público me procurou para que eu regularizasse a boate”, relembra Andrade, que pediu na Justiça a exclusividade do nome, mas perdeu. O juiz entendeu que os estabelecimentos atuam em ramos diferentes. Joaquim Leite Neto, sócio da balada, diz que, quando lhe perguntam do restaurante, explica tudo e recomenda o local, “que é muito bom”. E emenda: “Queria que o Jesse fizesse o mesmo”.

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paulao maria gabriela
paulao maria gabriela

HOMÔNIMO DE CASO PENSADO

Apresentadora, atriz e cantora, Marília Gabriela acrescentou outro predicado à sua lista: banda de rock. “Em 2011, me ligaram dizendo que tinham criado um grupo usando meu nome”, lembra. Segundo amigos, Gabi pensou em processá-los, o que ela nega. “Fiquei impressionada com a cara de pau dos músicos, mas gostei da homenagem.” Paulão MG, líder dos roqueiros, conta que ele e os companheiros desejavam batizar a trupe com o nome de algum jornalista. “O dela foi o único que agradou a todos.” Gabi até o entrevistou em seu programa. Para retribuir a gentileza, Paulão pensa em convidá-la para estrelar um clipe da banda.

Mesmo batismo, outras histórias

> UM HAMBURGUINHO PARA DOIS

Em 1974, Alexandre Colaferri abriu com um sócio a primeira lanchonete Hamburguinho. Na década seguinte, aumentou a rede. Quando se desentendeu com o parceiro, afirma, ouviu a promessa de que ele mudaria o nome das unidades que ficaram sob seu domínio. “Isso não aconteceu e entrei com um processo, mas não deu em nada.” Atualmente, Colaferri possui apenas dois Hamburguinho: um na Faria Lima, 2883, e outro em Moema. Os demais pertencem ao outro dono, que não quis comentar o caso.

> W: BARBA, CABELO E COMIDA

Com fama de bom cozinheiro, o cabeleireiro Wanderley Nunes, dono da rede Studio W, há um mês e meio começou a receber felicitações pela inauguração do restaurante W, no Itaim. “Adoraria ter um negócio de gastronomia, mas algum engraçadinho diria que achou cabelo na comida.” Sócio do estabelecimento, Thomas Bento explica que a escolha do W para batizar o lugar se deu pela força da letra. “Há apelo jovem, por lembrar o www da internet.

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